Arquivo de Autocuidado - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/autocuidado/ Umbanda como caminho de cura, consciência e amor Tue, 08 Sep 2026 18:22:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://umbandaempalavras.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-ChatGPT-Image-16-de-jun.-de-2025-13_40_34-1-32x32.png Arquivo de Autocuidado - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/autocuidado/ 32 32 A paz como bússola: o que acontece quando a gente para de se abandonar? https://umbandaempalavras.com/paz-interior-autoestima/ https://umbandaempalavras.com/paz-interior-autoestima/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:09:22 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=243 A maioria das conversas sobre autoestima chega, em algum momento, naquele conselho: você precisa se amar mais. Eu sempre achei isso meio complicado. Como é que eu faço para “me amar mais” se mal sei quem eu sou? Se não consigo entender o que sinto, o que quero, o que aceito só para agradar ou […]

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A maioria das conversas sobre autoestima chega, em algum momento, naquele conselho: você precisa se amar mais.

Eu sempre achei isso meio complicado.

Como é que eu faço para “me amar mais” se mal sei quem eu sou? Se não consigo entender o que sinto, o que quero, o que aceito só para agradar ou quantas decisões tomo tentando corresponder ao que esperam de mim?

Talvez, antes de falar de amor-próprio, a gente precise falar de uma coisa bem menos bonita: honestidade.

Honestidade para reconhecer quando não queremos estar num lugar. Quando alguma relação deixou de fazer sentido. Quando estamos cansados. Quando concordamos só para não criar conflito. Quando dizemos que está tudo bem e sabemos que não está.

Isso parece simples escrito num artigo. Na vida real, pode mexer com medos bem antigos.

Porque ser honesto consigo mesmo nem sempre significa fazer aquilo que queremos na hora. Às vezes significa reconhecer que estamos com medo, que estamos sendo injustos, que queremos aprovação ou que uma escolha que parecia muito boa simplesmente não combina mais com a pessoa que estamos nos tornando.

E talvez autoestima comece muito antes de gostar da própria imagem no espelho.

Será que eu sei mesmo o que estou sentindo?

Uma coisa que comecei a perceber é como, às vezes, temos dificuldade para falar do que sentimos sem colocar outra pessoa no meio.

Perguntam como estamos e respondemos: “ninguém me entende”, “fulano me irritou”, “ninguém me dá atenção”.

Só que isso ainda fala muito mais sobre o que o outro fez ou deixou de fazer do que sobre o que está acontecendo dentro da gente.

Estou triste? Frustrada? Com medo? Me senti rejeitada? Estou com raiva porque esperava uma coisa diferente? Estou carente? Ou talvez esteja apenas cansada e tudo tenha ficado maior naquele dia?

Eu mesma nem sempre sei responder.

E acho interessante perceber isso porque passamos muito tempo querendo que as outras pessoas entendam necessidades que nós mesmos ainda não conseguimos reconhecer direito.

Aí fica fácil colocar no mundo a responsabilidade de preencher alguma coisa que nem sabemos muito bem o que é.

Isso não significa que todas as nossas necessidades devam ser resolvidas sozinhas. Nós precisamos de afeto, relação, cuidado, pertencimento e apoio. Somos seres que vivem em relação.

A questão é outra: quanto da minha estabilidade estou colocando na obrigação de alguém agir exatamente como eu preciso?

Porque aí qualquer mudança do lado de fora começa a mexer demais com o lado de dentro.

A distância entre o que eu penso e o que eu faço

Uma palavra que faz muito sentido para mim quando penso nisso é coerência. Para mim, ela começa quando aquilo que penso, sinto, digo e faço deixa de viver em mundos completamente separados.

Não quer dizer conseguir alinhar tudo perfeitamente. Acho que ninguém vive assim.

Às vezes eu sei o que gostaria de fazer e ainda não consigo. Posso perceber que preciso colocar um limite e levar semanas para ter coragem. Posso saber que determinada situação não me faz bem e, mesmo assim, continuar ali durante algum tempo.

Mas existe uma diferença entre ainda não conseguir fazer alguma coisa e passar a vida tentando convencer a mim mesma de que aquilo não importa.

Talvez seja essa diferença que comecei a perceber.

Quando vou me conhecendo melhor, fica mais difícil não perceber quando estou me abandonando para caber numa situação.

E isso aparece em coisas pequenas.

Eu digo “sim” querendo dizer “não”. Rio de alguma coisa que me incomodou. Aceito um comportamento porque tenho medo de perder uma relação. Concordo para não parecer difícil. Fico onde já não quero ficar porque não sei o que vai acontecer se eu sair.

Uma vez ou outra, faz parte da vida. O problema é quando isso vira a maneira como eu me relaciono comigo.

Aí fica difícil construir autoestima em cima de afirmações positivas porque, no cotidiano, continuo recebendo de mim mesma uma informação muito diferente.

E onde entra a paz nisso?

Durante muito tempo eu pensei na paz quase como um sinal: se determinada escolha trouxesse paz, provavelmente era porque eu estava no caminho certo.

Hoje eu colocaria mais cuidado nessa ideia.

A paz pode ser uma referência muito interessante, mas não acho que funcione como um detector de verdade.

Às vezes uma decisão muito coerente dá uma ansiedade enorme.

Dizer “não” pela primeira vez pode dar medo. Sair de uma relação pode trazer tristeza, mesmo quando sabemos que ela terminou. Colocar um limite pode fazer o corpo inteiro reagir se passamos a vida tentando não desagradar ninguém.

Então sentir desconforto não significa necessariamente que estamos fazendo alguma coisa contra nós mesmos.

Da mesma forma, sentir alívio também não prova que fizemos a melhor escolha. Às vezes fugir de uma situação difícil traz um alívio imediato e, ainda assim, sabemos que precisaremos lidar com aquilo em algum momento.

Talvez a paz que me interessa hoje seja menos uma sensação instantânea e mais uma coisa que aparece quando consigo olhar para uma escolha e perceber que, mesmo com medo, eu consigo me reconhecer nela.

Posso estar nervosa e, ao mesmo tempo, saber por que estou fazendo aquilo. Posso estar triste sem sentir que me abandonei ou ter dúvidas e ainda assim perceber que aquela decisão foi tomada por mim, e não apenas pelo medo da reação dos outros. Para mim, essa paz tem mais a ver com parar de brigar comigo mesma.

O corpo participa dessa conversa

Depois de escrever sobre sistema nervoso, isso ficou ainda mais claro para mim.

Ansiedade, tensão, aperto no peito ou dificuldade para relaxar não são mensagens prontas dizendo que estamos “fora do nosso caminho”. Nosso corpo reage por muitos motivos, inclusive por aprendizagens antigas. Uma escolha nova pode ser boa para nós e, ainda assim, provocar uma resposta de alerta simplesmente porque é nova.

Por isso comecei a prestar mais atenção sem tentar traduzir imediatamente cada sensação.

O que aconteceu antes de eu ficar assim? O que estou imaginando que pode acontecer? Estou com medo da escolha ou da reação que ela pode provocar? Essa sensação já apareceu em outras situações parecidas?

Às vezes encontro alguma resposta. Em outras, não.

Mas só o fato de perguntar já muda minha relação com aquilo.

Em vez de o corpo decidir por mim, ele começa a participar da conversa.

Eu gosto de entender como as coisas funcionam

Eu gosto de explicações. Gosto de pegar uma ideia, confrontar com aquilo que já aprendi, pesquisar, testar e reorganizar o que penso quando alguma coisa nova faz mais sentido.

Foi assim também com a chamada coerência cardíaca.

Existe uma resposta fisiológica interessante quando respiramos de maneira lenta e ritmada. A respiração pode influenciar a variabilidade da frequência cardíaca e a atividade do sistema nervoso autônomo, e práticas respiratórias são estudadas justamente pela relação com regulação emocional e estresse. O Instituto HeartMath usa o termo “coerência cardíaca” para um padrão mais organizado da variabilidade do ritmo cardíaco, frequentemente associado a uma respiração em torno de seis ciclos por minuto.

Acho isso interessante, mas não preciso transformar essa informação em prova de que o coração sabe qual decisão devo tomar. Posso usar a respiração para diminuir um pouco o ruído, me regular e conseguir prestar atenção em mim com mais clareza.

A resposta continua sendo minha.

E a frequência de 528 Hz?

Eu gosto de trabalhar com sons e frequências em práticas meditativas porque percebo o quanto eles podem ajudar a diminuir o barulho de fora e criar um estado mais favorável para olhar para dentro. A música mexe com a nossa atenção, com o ritmo da respiração, com o estado emocional e pode facilitar momentos de relaxamento e introspecção.

A frequência de 528 Hz aparece bastante nesse universo e costuma ser associada à transformação, ao amor e, em algumas linhas espiritualistas, ao chakra cardíaco. Eu gosto desse simbolismo e acho que ele pode participar da prática, principalmente quando usamos o som com uma intenção específica. Só faço uma separação que considero importante: uma coisa é o significado espiritual que atribuímos à frequência; outra é aquilo que já conseguimos demonstrar cientificamente sobre seus efeitos.

Existem estudos investigando como diferentes frequências sonoras e músicas podem influenciar estresse, relaxamento e algumas respostas fisiológicas. No caso específico de 528 Hz, os trabalhos ainda são poucos e não permitem afirmar que ela provoque um estado emocional determinado ou que atue diretamente sobre um chakra. Isso não invalida a experiência de quem usa. Só significa que não precisamos transformar uma experiência subjetiva ou espiritual em uma afirmação científica para que ela tenha valor.

Quando uso 528 Hz, gosto de encarar o som como um apoio. Coloco a frequência, respiro, observo meu estado e vejo o que acontece comigo naquele momento. Às vezes ela facilita bastante a concentração; em outros dias, outra música funciona melhor. Acho mais interessante perceber a própria experiência do que entrar numa prática esperando sentir exatamente aquilo que disseram que aquela frequência deveria provocar.

No fim, o som pode ajudar a criar o espaço. O que acontece dentro desse espaço depende de muitas outras coisas: de como chegamos, do que estamos vivendo, do nosso estado naquele dia e também da forma como nos permitimos estar presentes.

Uma experiência simples

Às vezes eu gosto de parar alguns minutos, colocar uma música tranquila — pode ser 528 Hz, se você gostar —, respirar mais devagar e levar a atenção para a região do peito.

Não precisa acontecer nada extraordinário. A ideia é apenas diminuir um pouco o barulho para conseguir se escutar e, a partir daí, perceber que perguntas aparecem.

O que está me incomodando de verdade nessa situação? Estou fazendo alguma coisa só porque tenho medo de desagradar? O que eu faria se não precisasse provar nada para ninguém? Existe alguma escolha minha que já não combina comigo, mas que continuo repetindo porque é conhecida?

Não espero que o coração responda com uma voz.

Às vezes não vem resposta nenhuma. Em outros momentos, a pergunta simplesmente continua comigo e alguma coisa começa a fazer sentido depois. Para mim, isso já é suficiente.

Talvez autoestima tenha mais a ver com confiança

Quanto mais penso sobre autoestima, menos consigo enxergá-la como a obrigação de gostar de tudo em mim. Tem dias em que eu não gosto de algumas coisas, partes minhas que ainda quero mudar e outras que continuo tentando compreender. O que começou a fazer mais sentido foi construir uma relação comigo em que eu consiga confiar um pouco mais nas minhas próprias escolhas.

Se digo que alguma coisa me faz mal, consigo me levar a sério? Quando percebo que ultrapassei um limite, consigo fazer alguma coisa a respeito? Quando erro, consigo reconhecer sem transformar aquilo numa sentença sobre quem eu sou?

Talvez a autoestima vá sendo construída nesse tipo de relação.

Não numa grande declaração de amor por si mesma, mas em pequenas experiências nas quais vamos percebendo que não precisamos nos abandonar todas as vezes que existe risco de alguém não gostar da nossa escolha.

Isso leva tempo.

Principalmente para quem passou boa parte da vida aprendendo a se adaptar antes mesmo de perguntar o que queria.

A paz como bússola

Então ainda gosto da ideia da paz como bússola.

Só entendo essa bússola de um jeito diferente hoje.

Ela não aponta uma seta verde toda vez que faço a escolha certa. Também não transforma ansiedade em sinal de caminho errado.

Para mim, essa paz aparece quando existe menos distância entre a pessoa que estou conhecendo por dentro e a vida que estou conseguindo viver por fora. E essa aproximação nem sempre é confortável. Às vezes ela exige uma conversa difícil, uma mudança de hábito, um limite, uma despedida ou simplesmente admitir uma coisa que eu preferia continuar fingindo que não sabia.

Mesmo assim, existe alguma tranquilidade quando a gente para de tentar se convencer do contrário. Talvez seja daí que o amor-próprio comece a nascer: não de chegar a um ponto em que finalmente aprendemos a gostar de tudo em nós, mas de ir construindo uma relação em que precisamos nos abandonar cada vez menos.

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Oxum: o Amor que Transforma e Ensina a Fluir https://umbandaempalavras.com/oxum-o-amor-que-transforma-e-ensina-a-fluir/ https://umbandaempalavras.com/oxum-o-amor-que-transforma-e-ensina-a-fluir/#respond Wed, 18 Jun 2025 16:47:19 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=212 Entre os mistérios da vida, existe um poder que tudo transforma: o Amor. Ele tem a força de curar feridas, nutrir almas e revelar belezas escondidas. Esse amor é o sopro divino de Oxum, o Orixá das águas doces, que nos convida a mergulhar em nossas profundezas emocionais e redescobrir a riqueza que carregamos dentro […]

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Entre os mistérios da vida, existe um poder que tudo transforma: o Amor. Ele tem a força de curar feridas, nutrir almas e revelar belezas escondidas. Esse amor é o sopro divino de Oxum, o Orixá das águas doces, que nos convida a mergulhar em nossas profundezas emocionais e redescobrir a riqueza que carregamos dentro de nós.

Oxum não é apenas guardiã dos rios e cachoeiras. Ela é a personificação da delicadeza e da força — o equilíbrio perfeito entre acolhimento e transformação. Sua energia se faz presente quando precisamos de amor, autovalorização e coragem para superar dores antigas. Oxum é como uma joia preciosa: reflete a luz divina e, ao mesmo tempo, nos lembra da beleza que carregamos. Nos convida a olhar para dentro e perguntar com sinceridade: “Tenho cuidado de mim com amor? Reconheço o meu valor?”

O amor que Oxum nos ensina não é romântico ou idealizado — é força que sustenta, zela e transforma. É o amor-próprio que nos ensina a cuidar das emoções com o mesmo carinho com que ela cuida de suas águas. Com Oxum, aprendemos que para amar o outro, é preciso antes nutrir a própria alma. Que para cuidar do mundo, é preciso primeiro olhar com gentileza para dentro de si.

As águas de Oxum nunca param. Elas contornam, atravessam, limpam e seguem. Essa fluidez é uma de suas maiores lições. A vida é feita de ciclos, e a renovação é tão sagrada quanto a estabilidade. Não há cura sem movimento. Não há liberdade sem transformação. Oxum nos ensina a respeitar o tempo, a confiar no fluxo e a soltar o que já não vibra com a gente.

Quando nos conectamos com Oxum, nos aproximamos da nossa sensibilidade mais profunda. Ela guarda os sentimentos, acolhe as dores e sustenta o processo de autoconhecimento. Nas giras, nos pontos, nas palavras dos guias — Oxum se manifesta trazendo serenidade, clareza e cura. Ela é um espelho: reflete quem somos e também o que ainda podemos nos tornar.

Que tal se perguntar: “Tenho deixado minhas emoções fluírem ou estou represando o que deveria soltar?” Oxum lembra que a vida é movimento. E que resistir às mudanças é impedir o rio de seguir seu curso. Talvez hoje você traga Oxum para perto com um gesto simples de cuidado, um banho de ervas, uma prece ou um abraço em quem ama. Talvez só respirando fundo e escolhendo se acolher um pouco mais.

Seja como for, permita-se ser tocado por esse amor que acolhe e ensina.

Ora Yê Yê Ô!

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