Defesa Energética: o que é e por que começa dentro de você

Quando falamos em defesa energética, muitas pessoas pensam imediatamente em ataque espiritual, obsessão, demanda, inveja ou alguma força externa tentando prejudicar.

Mas defesa energética não deve começar pelo medo.

Antes de qualquer coisa, defesa energética é consciência, cuidado e responsabilidade com o próprio campo energético.

Assim como cuidamos do corpo, da casa e da nossa segurança material, também precisamos aprender a cuidar da mente, das emoções e da nossa vibração espiritual. Tomamos banho, escovamos os dentes, trancamos a porta de casa, prestamos atenção ao andar na rua e procuramos ajuda quando o corpo físico apresenta algum sinal de desequilíbrio.

Mas será que temos o mesmo cuidado com aquilo que pensamos, sentimos, alimentamos e permitimos permanecer dentro de nós?

A primeira defesa energética é parar de alimentar aquilo que baixa a nossa frequência.

Defesa energética não é paranoia espiritual

É comum associar defesa energética à ideia de que existe sempre alguém nos atacando. Mas esse pensamento pode nos colocar em estado constante de medo, desconfiança e vitimismo.

E esse não é o caminho.

Defesa energética não é viver achando que tudo é obsessão, ataque, demanda ou influência externa. Também não é negar que influências existem. Ambientes densos, pessoas desequilibradas, pensamentos repetitivos e presenças espirituais podem, sim, interferir no nosso campo.

Mas o ponto de partida da defesa energética está dentro de nós.

Não adianta fazer banho, acender vela, montar firmeza, usar pedra ou qualquer outro recurso externo se internamente continuamos alimentando raiva, culpa, medo, vitimismo, vaidade, comparação, descontrole emocional e pensamentos destrutivos.

A melhor defesa começa pelo nosso padrão mental, emocional e comportamental.

O que é energia?

Popularmente, falamos em “energia boa” e “energia ruim”. Essa linguagem é simples e todo mundo entende. Mas podemos aprofundar um pouco mais.

Em vez de pensar apenas em boa ou ruim, podemos falar em energias:

  • organizadas ou desorganizadas;
  • leves ou densas;
  • expansivas ou contraídas;
  • vitalizantes ou drenantes.

Na visão espiritual, compreendemos que tudo possui uma qualidade vibratória. Pessoas, ambientes, pensamentos, emoções, palavras, intenções e atitudes expressam uma determinada frequência.

Nosso corpo físico faz parte da natureza. Somos formados pela mesma base material que compõe o mundo ao nosso redor. Mas, pela visão espiritual, também somos expressões da Fonte, centelhas do Divino, conectadas com tudo que vive.

Podemos chamar essa Fonte de Deus, Todo, Olorum ou Consciência Criadora.

A partir dessa compreensão, percebemos que não estamos isolados. Estamos constantemente em relação com pessoas, ambientes, pensamentos, emoções e campos espirituais.

Emitimos e recebemos informações o tempo todo: pelo corpo, pela fala, pela presença, pela intenção, pela emoção e pela sintonia espiritual.

Pensamento, emoção e campo energético

Uma frase resume bem essa dinâmica:

O pensamento direciona. A emoção carrega. A repetição fixa. A intenção programa.

O nosso campo energético é sustentado pelo conjunto daquilo que pensamos, sentimos, repetimos, falamos, praticamos e permitimos permanecer em nós.

Por isso, não basta olhar apenas para o que está acontecendo fora. É preciso observar o que acontece dentro.

Muitas vezes, não reagimos ao fato em si, mas à interpretação que fazemos do fato. E essa interpretação nasce das nossas crenças, memórias, feridas, medos, hábitos emocionais e visão de mundo.

Podemos organizar isso assim:

Crença ou paradigma: é a lente pela qual interpreto a vida.
Pensamento: é a leitura mental que faço de uma situação.
Emoção: é a resposta afetiva e corporal que surge.
Comportamento: é a ação ou reação que manifesto.
Padrão energético: é o estado que passo a sustentar pela repetição.

Por exemplo: duas pessoas podem passar pela mesma situação e reagir de formas completamente diferentes. Uma pode interpretar como ameaça. Outra pode interpretar como aprendizado. Uma pode entrar em culpa. Outra pode buscar solução.

Isso acontece porque não vemos a realidade apenas como ela é. Vemos a realidade também através daquilo que carregamos.

Lei de Sintonia ou Afinidade Vibratória

Na espiritualidade, podemos chamar esse processo de Lei de Sintonia ou Lei de Afinidade Vibratória.

Nós nos conectamos com aquilo que encontra correspondência em nosso campo.

Não basta algo existir fora para se instalar dentro de nós. Para uma influência permanecer, ela precisa encontrar abertura, afinidade, brecha ou ressonância.

Uma analogia simples é a do rádio.

Existem muitas estações transmitindo ao mesmo tempo, mas o aparelho só reproduz aquela que está sintonizada. Da mesma forma, existem muitas influências ao nosso redor, mas aquilo que encontra sintonia em nós tem mais facilidade de nos alcançar.

Se meu campo interno está tomado por medo, culpa, raiva, vaidade, vitimismo ou comparação, eu me torno mais vulnerável a frequências semelhantes.

Mas se busco firmeza, lucidez, oração, coragem, presença e responsabilidade, as energias densas podem até passar perto, mas têm mais dificuldade de permanecer.

Isso não significa que estaremos equilibrados o tempo todo.
Todos nós oscilamos.

O problema não é oscilar. O problema é não perceber que oscilou e permanecer naquela faixa.

Influência não é acoplamento

Aqui existe uma diferença muito importante: influência não é a mesma coisa que acoplamento.

Influência é perceber.

Acoplamento é aquilo permanecer em mim.

Por exemplo: posso entrar em um lugar pesado e sentir o peso do ambiente. Isso pode ser apenas percepção, sensibilidade ou leitura energética. Mas se eu saio de lá carregando raiva, tristeza, confusão, pensamento repetitivo e queda de energia, pode ter havido algum tipo de acoplamento.

O problema não é sentir. Sentir faz parte.

O problema é se misturar, absorver e carregar aquilo como se fosse seu.

Por isso, defesa energética não é se fechar para o mundo. Não é virar uma pessoa dura, desconfiada, com medo de tudo e de todos.

Proteção não é isolamento.

Defesa energética é estar presente sem se misturar com tudo.

O corpo como antena

O corpo percebe antes da mente explicar.

Muitas vezes, ele avisa quando algo está em desequilíbrio. Pode aparecer como:

  • peso nos ombros;
  • bocejo excessivo;
  • dor de cabeça;
  • irritação repentina;
  • sono estranho;
  • aperto no peito;
  • nó no estômago;
  • arrepio;
  • aceleração;
  • cansaço sem motivo aparente.

Mas o corpo também avisa quando algo faz bem. Podemos sentir:

  • alívio;
  • respiração mais profunda;
  • clareza;
  • serenidade;
  • expansão;
  • vontade de agir;
  • sensação de presença.

Aprender a escutar o corpo é uma parte importante da defesa energética.

Antes de concluir que tudo é espiritual, é preciso observar:

Eu dormi bem?
Eu comi direito?
Estou sobrecarregado?
Algo meu foi ativado?
Esse ambiente me alterou?
Isso começou antes ou depois de encontrar alguém?
Estou alimentando esse pensamento há dias?

Nem todo pensamento ruim é obsessor. Mas todo pensamento repetido merece observação.

Autoconhecimento como defesa energética

Quanto mais eu me conheço, mais percebo quando saio do meu eixo.

Se eu conheço meu padrão de pensamento, consigo perceber quando surge algo que destoou completamente de mim.

Se eu conheço minhas reações, percebo onde infantilizo, onde me vitimizo, onde entro em raiva, onde fujo, onde manipulo, onde me abandono.

Se eu conheço meu corpo, percebo quando ele está avisando que algo mudou.

Por isso, autoconhecimento é defesa energética.

Sem autoconhecimento, a pessoa vive reagindo ao mundo. Culpa os outros, culpa o ambiente, culpa obsessores, culpa magia, culpa Deus, mas não observa o que ela mesma alimenta todos os dias.

Isso não significa que nunca precisaremos de ajuda externa. Existem situações mais complexas em que precisamos de orientação, passe, firmeza, tratamento espiritual, acolhimento e apoio.

Está tudo bem pedir ajuda.

O problema é transferir toda a responsabilidade da própria vida para fora.

O obsessor pode tentar influenciar. O ambiente pode pesar. A pessoa pode nos atingir. Mas a nossa responsabilidade é cuidar das nossas brechas, do nosso campo, das nossas escolhas e buscar ajuda quando não damos conta.

Responsabilidade pessoal é proteção espiritual.

Ferramentas externas ajudam, mas não substituem consciência

A Umbanda oferece muitas ferramentas de limpeza, proteção, sustentação e reorganização energética.

Entre elas, podemos citar:

  • banhos de ervas;
  • firmezas;
  • velas;
  • orações;
  • passes;
  • pedras;
  • defumações;
  • conexão com guias e Orixás;
  • práticas de recolhimento, meditação e auto-observação.

Mas nenhuma ferramenta externa substitui a postura interna.

Firmeza não substitui conduta.
Banho não substitui consciência.
Amuleto não faz por nós aquilo que não estamos dispostos a sustentar em nós.

Essas práticas são pontos de apoio. Elas ajudam a limpar, fortalecer, organizar e sustentar o campo. Mas precisam estar acompanhadas de intenção clara, respeito, simplicidade e responsabilidade espiritual.

Defesa energética não é atacar ninguém.
Não é devolver maldade.
Não é entrar em guerra espiritual.
Não é viver com medo.

Defesa energética é limpar, fortalecer, firmar e sustentar a própria luz.

Campo forte não é campo agressivo. É campo coerente, firme, limpo e flexível.

Como começar a cuidar da sua energia?

Um bom começo é observar a si mesmo com honestidade.

Pergunte-se:

Como eu sei que estou carregado?
Como meu corpo avisa que algo não está bem?
Quais pensamentos me deixam vulnerável?
Quais emoções mais me desequilibram?
Quais ambientes me drenam?
Quais hábitos abrem meu campo?
O que costuma me reorganizar?
O que eu tenho alimentado todos os dias?

A partir dessas respostas, fica mais fácil escolher o recurso adequado.

Às vezes, a pessoa não precisa de um banho forte. Precisa descansar.
Às vezes, não precisa acender vela. Precisa parar de alimentar um pensamento repetitivo.
Às vezes, não precisa culpar obsessão. Precisa reconhecer um padrão emocional.
Às vezes, precisa de ajuda espiritual, sim. Mas com consciência, não com desespero.

Entender o que estamos sentindo é o primeiro passo para escolher o remédio certo.

Conclusão

Defesa energética não começa no banho, na vela, na pedra ou na firmeza.
Começa na consciência.

Começa quando eu percebo o que penso, o que sinto, o que alimento, o que permito e com o que me sintonizo.
Começa quando deixo de viver apenas reagindo ao mundo e passo a observar minha participação na realidade que experimento.

A maior defesa energética é aprender a sustentar o próprio campo sem terceirizar para o mundo, para os outros ou para a espiritualidade aquilo que também é responsabilidade nossa.

Defesa energética é perceber, limpar, fortalecer e sustentar o próprio campo.
É aprender a voltar para o centro.
É caminhar no mundo sem abandonar a própria luz.


  1. Avatar de Bruno Marins
    Bruno Marins

    Adorei!!! Fantástico

  2. Avatar de Potira d'oxum
    Potira d’oxum

    O seu comentário está aguardando moderação.

    Defesa enérgica; passe uma oração pra desfazer demandas

  3. Avatar de Potira d'oxum
    Potira d’oxum

    O seu comentário está aguardando moderação.

    Oração contra mal olhado

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