Já percebeu como a gente vai construindo um “eu” para dar conta do mundo?
Um “eu” que funciona.
Um “eu” que agrada.
Que sabe o que dizer, como se portar, como parecer segura.
E a gente se acostuma tanto com essa versão… que um dia acorda e percebe:
não sabe mais quem é sem ela.
Venho me observando há bastante tempo, nesse processo de autoconhecimento.
São tantos altos e baixos, mas aprendi que não devemos ter pressa.
A palavra é realmente observação.
Ficam muitas informações acumuladas, muitas sem sentido, como um grande quebra-cabeça.
Mas aprendi que é só ter paciência que as coisas sempre clareiam.
Aos poucos, vão surgindo o que chamam de insights, que nada mais são do que peças desse quebra-cabeça.
Os pensamentos sobre autoestima começaram a se formar na minha mente…
Essa pergunta não nasceu da mente.
Ela nasceu de um incômodo. Um vazio sem nome.
De um desconforto sutil que se arrasta mesmo nos dias bons.
Analisando os sentimentos agregados à baixa autoestima, podemos percorrer um caminho para desmistificar muitas coisas que temos como verdadeiras mas, na real, não passam de historinhas criadas ao longo dos anos para mascarar verdades mais profundas.
Foi nesse caminhar que enxerguei, lá no fundo do baú escondido entre outras fantasias, o medo.
Isso me chamou atenção porque, até então, o medo era uma consequência e não a causa.
Segundo a ciência, nascemos apenas com dois tipos de medo: o de barulho alto e o de altura.
Que tantos medos são esses que tenho dentro de mim, então?
Se não são reais, vão ter que desaparecer, porque não fazem sentido.
Entendi que o medo é bem infantil, começa na dificuldade de se ver como um indivíduo,
saindo da infância e tendo que encarar o mundo,
tantos sentimentos novos que ninguém explica como lidar.
Vamos observando e convivendo com o medo das pessoas e aprendendo quais os medos devemos absorver para sobreviver.
O medo de ser autêntico cria bases em vários desses medos que entendemos como primordiais para a sobrevivência:
– o medo de ser julgado, feio, chato, desagradável, falar demais;
– o medo de ser criticado, nossos gostos, jeito de se vestir, preferências musicais, ser mais caseiro;
– o medo de frustrar as expectativas que as pessoas colocam em nós: ser educado, tirar boas notas, ser elogiado, ter os sonhos corretos.
Então vamos criando nossa personalidade de acordo com os medos que achamos necessários para nos proteger.
Em algum momento esquecemos desse medo, que fica pulsando lá no fundo, alimentando todo o sistema, mas escondido.
Quando crescemos e precisamos nos olhar e questionar, já que precisamos desenvolver habilidades para atuar no mundo adulto, surge a baixa autoestima.
Não importa em que área ela esteja, não importa se está disfarçada de insegurança ou de uma autoconfiança exagerada, não importa o quanto o nosso ego é capaz de disfarçá-la, ela está lá.
Mas será que ela é real?
Com quem eu me comparo para me sentir menor, menos capaz, menos bonito, menos engraçado, menos legal?
Será que essas referências são atualizadas com o passar do tempo?
Ou ainda me comparo àquele amigo da 5ª série que era superpopular na escola?
Será que minha vergonha de me expor ainda vem daquela vez em que eu, na escola, falei uma palavra errada e todo mundo riu da minha cara?
Será que, depois de tantas experiências vividas, erros e acertos, alegrias e decepções, eu ainda me importaria que uma amiga dissesse que meu cabelo está feio?
Me importaria de dar uma opinião e alguém dizer que eu estou errada? Será que eu não consigo fundamentar minhas opiniões e sustentar meu ponto de vista?
Será que hoje em dia, com tanta bagagem emocional, eu realmente me importo se alguém concorda comigo?
Sinceramente, eu acho que não!
Eu preciso contar isso para o meu ego urgentemente!
Preciso apagar essas histórias do meu programa e dizer a ele que eu não sou mais criança.
Com tudo que eu já vivi, não preciso me basear nas crenças de mundo de outras pessoas.
Seja mãe, avó, tios, amigos…
Assim como não preciso ter medo de fantasmas, como eu tinha quando assistia aos filmes de terror na adolescência.
Já tenho experiência para me relacionar com o mundo espiritual de forma saudável.
Aprendi com muitos erros e acertos que, quando identificamos o problema, ele já está praticamente resolvido.
Então, vamos dar mais um passo para dentro, para despertar quem eu sou de verdade.
Chegou a hora de entender para começar a ressignificar.
Dá trabalho, mas sempre vale a pena.
Pegar cada historinha, sem medo, procurando as mentiras e fantasias escondidas em cada uma delas.
Eu passei anos achando que sofria de baixa autoestima.
Tentando curar essa tal falta de amor-próprio com fórmulas e frases prontas.
Mas nada colava.
Era como tentar regar uma planta de plástico.
Não importava o quanto eu me esforçasse, não havia raiz ali.
Até que caiu uma ficha dura:
Eu não estava tentando me amar.
Eu estava tentando amar uma versão de mim que nunca foi minha.
Essa versão nasceu do medo.
Do medo de não ser aceita, de incomodar, de ser rejeitada.
Então fui me lapidando. Cortando pedaços.
Virando alguém que agrada. Que cabe.
E, sem perceber, fui me ausentando.
Fui ficando longe de mim.
E essa distância começou a doer.
Mas eu não sabia o nome da dor.
Chamava de insegurança. De autossabotagem. De baixa autoestima.
Mas era outra coisa.
Era orfandade interna.
Era a alma chamando por mim.
Hoje, eu olho pra trás e entendo:
não era falta de amor.
Era falta de verdade.
A autoestima não nasce do esforço de se amar.
Ela nasce do alívio de voltar a ser quem se é.
E talvez, ao ler isso agora, algo dentro de você comece a se lembrar de quem sempre foi…
Porque quando você se habita de novo,
quando para de fingir, de forçar, de caber…
o amor volta. A presença volta. A paz volta.
Se você também sente essa ausência,
não se cobre por não se amar ainda.
Pergunte antes:
quem é que eu estou tentando amar? Sou eu?
Se não for, talvez seja hora de voltar.
Voltar não pra um lugar, mas pra dentro.

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