Reflexões sobre autoconhecimento, medo do julgamento e a coragem de integrar quem realmente somos.
Quem convive comigo sabe que para qualquer questão, a minha resposta vai ser: autoconhecimento.
Se conhecer é essencial para que possamos entender como reagimos ao mundo, como nos expressamos e o que nos leva a fazer nossas escolhas diárias que definem a realidade que vivemos.
Isso é importante: minhas escolhas diárias definem a realidade que eu vivo. Então não posso passar meus dias reclamando da vida, já que sou eu o autor da minha história, em tempo real.
Por isso, para qualquer problema da vida, o autoconhecimento resolve. Desde o entendimento dos Arquétipos, detalhado por Jung, como, de forma mais profunda, a análise de cada pensamento e sentimento que se manifesta em nós.
Um desses Arquétipos, muito falado em diversas vertentes, tanto filosóficas, terapêuticas e até espiritualistas, é a Sombra. Esse nome, que arrepia os cabelos de muitos, passou a ser temido como negativo, passou a ser um monstro que devemos eliminar antes que nos faça passar vergonha. E enquanto não eliminamos, deixamos bem escondido.
Mas não é esse o caminho. Se olharmos a Sombra como aquilo que está nos bastidores, fica mais fácil de ver que, por mais que não esteja no palco sendo exposto para o público, não existe espetáculo sem aquilo que acontece nos bastidores. Não é porque está oculto que não influencia ou, até mesmo, que controla tudo.
Com esse pensamento entendemos que as Sombras, como muitos dizem por aí, não podem ser eliminadas. Primeiro que não se trata apenas de traços negativos ou traumas, e sim de tudo que está oculto como: talentos não explorados, sonhos ainda não vividos, capacidades adormecidas.
O ser humano já pensa no pior, no mais difícil, no mais trabalhoso. Eliminar as sombras é um trabalho impossível, assim, pode se sabotar e se vitimizar, adiando a tarefa de se observar e procurar se conhecer.
O medo de ser quem somos
Que medo é esse que temos de ser quem somos? Que medo é esse de viver nosso potencial e buscar nossa prosperidade? Por que reclamar do que não temos é mais prazeroso do que buscar conquistar?
Nas nossas Sombras está a resposta das nossas perguntas, a solução dos nossos problemas. É só ter coragem de ser quem é. Aceitar que, como não há perfeição em ninguém, alguns traços da sua personalidade estão em desacordo com o tutorial dos contos de fadas, das comédias românticas e das redes sociais.
Agora, se não podemos nem dizer que somos bons em algo que já somos taxados de metidos ou soberbos, fica mesmo apavorante descobrir que guardamos pensamentos e sentimentos que ninguém nunca pode descobrir, para não correr o risco de ser malhado em praça pública.
Então o medo de ser quem eu sou, a vergonha de assumir que sou bom , ou excelente, em alguma coisa, e o pavor que descubram que eu posso sentir raiva, que posso ser egoísta, não vem de mim? Na verdade, o que importa é o que o outro vai pensar? O que importa é o que as pessoas vão achar e vão dizer?
Mas quem vive a minha vida sou eu. Se a minha realidade é criada pelas minhas escolhas, por que minhas escolhas seriam baseadas no que o outro pensa?
Então dá para entender por que reclamamos tanto da vida!
A sombra não precisa ser eliminada
Voltando às Sombras… Elas fazem parte de nós, da nossa estrutura e não podem ser eliminadas. Precisam ser olhadas, entendidas, aceitas, ressignificadas e integradas de forma consciente. Tem até uma frase que usamos quando ficamos expostos: “Ninguém é perfeito” para justificar quando não correspondemos às expectativas.
Mas é isso mesmo! Ninguém é perfeito, e só falta entender que está tudo bem com isso. Esse é o normal, não ser perfeito.
É isso que Jung traz com o conceito de Individuação, que é justamente esse processo de integração da sombra com consciência e equilíbrio, harmonizando nosso polo positivo e negativo.
Esse processo de autodesenvolvimento é essencial para entendermos nossas escolhas nos relacionamentos, escolhas profissionais, escolhas de comportamento, escolhas da nossa aparência, das nossas preferências, ou seja, qualquer escolha. Quando começamos a entender isso, tudo muda. De verdade. Porque paramos de reclamar e culpar o mundo pela nossa infelicidade e por nossa incompetência em ser feliz em cada situação. Passamos a tentar entender a nossa responsabilidade e assumir as consequências que vivemos como fruto da nossa forma de ver a vida, do nosso paradigma.
Aos poucos vamos aceitando que não somos perfeitos, que ninguém pode nos dizer como achar nossa felicidade, cada pessoa tem sua estrutura própria moldada pelas experiências individuais.
A beleza disso tudo é que a transformação não para em nós. Esse autoconhecimento me mostra que não posso julgar o outro porque eu passo a ser a minha referência.
Se o outro não pode palpitar na minha vida porque não viveu o que eu vivi e não faz ideia do que é melhor para mim, então eu não posso querer saber como o outro deveria viver.
E, na verdade, a opinião do outro passa a importar cada vez menos, já que sou eu que sei o que é melhor para mim e não dependo mais da aprovação de pessoas que, na maioria das vezes, sequer participam da minha vida.
Por onde começar?
Muito bonito tudo isso, né? Mas por onde começar?
Basta se observar com carinho, buscando a razão de cada impulso, cada reação, cada emoção. Com honestidade, vamos nos respondendo sem medo de nos conhecer de verdade. Com a aceitação vem o entendimento, com o conhecimento vem a segurança que vai nos guiar pela autoproteção, pela luta interna por nossos objetivos e propósitos.
Acho que uma boa palavra para representar esse processo é Respeito. Respeite-se, aceitando seu polo positivo e seu polo negativo, buscando vivenciar a integração entre os dois, trazendo o tão sonhado equilíbrio e descobrindo o sentido da vida. Da sua vida.
Porque no fim, o sentido da vida nunca esteve fora. Sempre esteve esperando dentro de você.
E você, já percebeu o quanto a opinião dos outros influencia suas escolhas?

Deixe um comentário