Arquivo de reprogramação emocional - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/reprogramacao-emocional/ Umbanda como caminho de cura, consciência e amor Tue, 08 Sep 2026 17:56:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://umbandaempalavras.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-ChatGPT-Image-16-de-jun.-de-2025-13_40_34-1-32x32.png Arquivo de reprogramação emocional - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/reprogramacao-emocional/ 32 32 A dor de não pertencer e o retorno à tribo interior https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/ https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/#comments Thu, 10 Jul 2025 18:09:23 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=256 Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.Fechei os olhos, respirei fundo…e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.Fui seguindo.Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.O que encontrei do […]

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Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.
Fechei os olhos, respirei fundo…
e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.
Fui seguindo.
Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.
Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.
O que encontrei do outro lado não foi o que eu esperava.
Encontrei o medo.
Um medo antigo, quase fossilizado no tempo.

Medo de crescer.
Medo de virar adolescente.
Medo de virar adulta.
Medo de assumir quem sou.
Medo de não caber.
Medo de ser deixada para trás.

A princípio, fiquei confusa. Sempre associei o medo à consequência, e não à causa.
Mas algo dentro de mim percebeu que talvez o medo seja a raiz de tudo.
Então, vamos pensar sobre isso. Porque quando as coisas fazem sentido, tudo fica bem mais fácil.

O arquétipo do exilado: a alma órfã

Na psicologia junguiana, esse sentimento não é um acaso.
Ele tem uma forma.
É o arquétipo do órfão, o exilado da própria essência.
Vemos o órfão como aquele que olha o mundo com os olhos de quem foi deixado do lado de fora.
É aquele que, mesmo cercado de gente, sente-se só.
Como se houvesse algo de estranho em si mesmo.
Como se a alma tivesse um defeito de fábrica — por isso, a sensação de que não se encaixa em lugar algum.

Mas essa dor… não nasceu fora.
Ela brotou em cada momento em que percebi, consciente ou inconscientemente, que precisava deixar de ser quem era para ser aceita.

Aquele instante sutil, normalmente imperceptível, em que entendi, ou interpretei nas situações, que a minha intensidade era demais, que poderia incomodar.
Minha sensibilidade, um problema.
Minha espontaneidade… esquisita.
Minha verdade… inconveniente.

E assim, a gente começa a se podar.
A se encaixar em moldes que não foram feitos para nós.
Começamos a sorrir em momentos em que queríamos chorar.
A dizer “tudo bem” quando não estava tudo bem — às vezes, estava péssimo.
E no final, dentro desse molde criado para agradar a todos, e sem agradar a muitos, achei a zona de conforto onde tudo estava sob controle.
Ruim ou bom, eu sei administrar.

Consegui! Fui incluída.
Mas não pertenço.

Porque pertencer não é ser aceito pela versão editada de você.
É ser amada com tudo: luz, sombra, profundidade, contradição.
Ser vista inteira e, ainda assim, ser acolhida.

E como o mundo não sabe fazer isso,
aprendemos a acreditar que o problema somos nós.
Que precisávamos ser mais “normais”, mais simples, mais leves, mais fáceis de amar.
E nessa tentativa, fomos nos afastando de quem somos…
Até um dia perceber:

O primeiro lugar que me rejeitou… fui eu mesma.
Eu me abandonei para não perder ninguém, para não ficar sozinha.
E, no fim, acabei me perdendo.
Na verdade, nunca tive a oportunidade de me conhecer de verdade.

Sabe o que é mais doido?
Não sou só eu perdida de mim mesma.
Por isso não me sinto amparada — porque ninguém consegue me ajudar com minhas dores.
A maioria está vivendo no seu labirinto interno, porque também precisou se podar para fazer parte.

Esse entendimento — de que eu não sou o problema — é um pouco libertador.
É um problema individual da coletividade que faz nossa sociedade ser tão problemática quando se trata de relacionamentos.

Sem esse entendimento — de que somente eu posso curar minhas dores e encontrar meu próprio caminho para meu eixo, de que só eu sei o que me dói, o que faz falta,  de que só eu posso identificar meus sentimentos e minhas necessidades — eu acabo passando a responsabilidade da minha vida e da minha plenitude para o outro, que por mais que tente, não sabe o que me faz feliz.

Não entender isso é, de forma infantil e mimada, como crianças emocionais que ainda somos, querer que o mundo e os outros sejam responsáveis pela nossa caminhada espiritual, que sejam culpados pelos nossos erros.

E os acertos? Poucos são comemorados, porque nosso olhar para a falta e para a escassez roda em primeiro plano, como programa principal no nosso cérebro.

O retorno Ao Eu interior

Mas aqui está a parte mais sagrada dessa história:
existe um caminho de volta.
E ele não começa encontrando um grupo.
Nem definindo um propósito.
Nem uma nova versão sua, mais “aceitável”.

A mágica acontece quando percebemos que tem alguma coisa errada.
Quando nos cansamos de ter que agradar os outros para podermos ser desagradáveis.
Quando percebemos que estamos perdendo tempo!
E o tempo passa tão rápido aqui nessa dimensão…

É mágico mesmo quando a gente acorda — ou melhor, desperta — e pergunta:
“O que eu estou fazendo?”

A partir daí, vão surgir inúmeras perguntas sem respostas que começam a nos enlouquecer:
Qual é o meu propósito aqui nesta Terra? O que eu vim fazer aqui?
É isso mesmo: viver em sofrimento para sobreviver, sem objetivo?

O caminho começa quando nos sentamos, olhamos nos próprios olhos e dizemos:

“Chega! Não importa o que o mundo acha: Eu me aceito.”
Sem maquiagem emocional.
Sem tentar caber em moldes.
Eu me recebo como sou. Volta pra casa, para dentro.”

Essa é a reconexão com o Eu Interior e toda uma família espiritual que nos acompanha e aguarda que tenhamos esse despertar, esse entendimento, para nos ajudar a achar os significados e os sentidos.

A partir daqui começa o trabalho verdadeiro.
Porque se eu não gosto de quem me tornei, se não gosto do mapa que criei, se o personagem não faz mais sentido …
Eu devo a mim mesma a possibilidade de resgatar o tempo perdido.

Hora de se conhecer. De se entender. Com amor e carinho.
Não importa os motivos que criaram as minhas dores, os meus hábitos.
Não é hora para autopunição ou busca por culpados.
Isso é irrelevante agora.

Só o que importa é nos conhecer, aceitar nossas sombras e se fazer a pergunta mais mágica de todas:
Quem eu quero ser a partir de agora?

Agora sim, nem o céu é o limite!
É só manter o foco!
Que foco? Você!

Alguns vão dizer agora:
— “Mas que forma egoísta de ver as coisas. Vai pensar só em você?”

Sim!
Porque quanto mais perto da nossa essência estamos, mais perto do Divino a gente chega.
Quanto mais amor a gente aprende a cultivar, mais amor a gente vibra.

Todo sentimento em nós é como água em um copo.
Às vezes, é tanto que transborda!

Então, vamos parar de transbordar tristeza, desgosto, insatisfação…
Vamos transbordar amor nos amando muito, gratidão por ter percebido o quanto somos importantes e que merecemos cuidado.

A partir daí, nos tornamos multiplicadores divinos da fé, da esperança, da disciplina, da retidão de caráter, da força de vontade, dos sorrisos, da compreensão, da alegria…

Como isso pode ter a ver com egoísmo?
Justo agora que entendo que, assim como eu, todos somos divinos? Todos temos dores.
Agora que me enxergo no outro, fica fácil perceber que o julgamento era uma forma cruel que eu usava para diminuir minha própria dor.

Porque quando aponto os defeitos dos outros, o que eu quero mesmo é esconder os meus.
Aponto que o outro é tão imperfeito quanto eu.
Chamo a atenção para o outro, porque  assim ninguém tem tempo de olhar para mim.
… que grande ilusão que vivemos!

Quanto mais crescemos em nós, quanto mais sentimos amor, menos perfeitos precisamos ser.
Mais fácil se torna aceitar as pessoas à nossa volta.
Quanto mais alegria eu sinto, mais quero compartilhar com o mundo.

Quero dividir com o mundo meus conhecimentos porque tudo que aprendi, veio com estudos sim,
mas também com muitas experiências vividas, muitas dores e conquistas não comemoradas.

É isso que o Amor faz: nos conecta com o Divino e com quem está à nossa volta.
Quem não está pronto para se conectar, tudo bem.
Eu demorei muito.
E respeitar que cada um tem seu tempo é natural.

Eu passei por isso.
Ninguém me contou.
Não li num livro.
Não escutei em uma palestra.
Eu vivi — e vivo — isso.

Minha tranquilidade vem de olhar para cada resultado não mais como um fracasso, mas como um aprendizado.
E cada vez que faço algo “errado”, estou mais próxima de conseguir fazer certo.
A cada dia, o “errado” que antes era um desastre… hoje é só mais uma experiência.

A espiritualidade como campo de resgate

Existem muitas ferramentas hoje que nos ajudam a sair do nosso porão escuro.
Todas elas são válidas e funcionam, porque o que nos faz sair de lá, de verdade, é nossa vontade.

Quem quer mudar, não precisa de técnica ou muleta: só faz.

Mas querer dá medo!
Mudar toda uma estrutura comportamental é um passo enorme.
Será que as pessoas vão entender minha mudança? Vão se afastar? Vão me criticar?…

Para isso, as técnicas ajudam: para nos manter focados, utilizando os exemplos dos outros como motivação, nos exigindo uma disciplina para aplicar as ferramentas.

Ou vamos sem técnica mesmo!
Vamos aprendendo no caminho.
Dane-se o que vão dizer! Vão achar que estou louca? Não estou nem aí.

Porque a única coisa que importa é eu buscar minha autenticidade.
Só sendo autêntica, estou sendo sincera e verdadeira comigo e com os outros.

Chega de fingir para mim e para as pessoas. Vamos viver relações verdadeiras!

Vou contar um pouco da minha história.

Eu conheci a Umbanda com 13 anos.
Mas tem uns 10 anos que entendi de verdade o que é a Umbanda.

Em outros tempos, eu teria vergonha de dizer isso:
“Que burra, né? Lenta!
Tantos anos dentro de uma religião e demorei mais de 20 anos para entender que ela é uma filosofia de vida?
”

Sim… é isso!
Mas mesmo sem entender o “espírito da coisa”, sempre fui acolhida e respeitada pela Umbanda.
(pelos seres humanos é outra coisa, mas isso é outro assunto)
Cada um tem sua história.
E essa é a minha.
(Eu acho que se todo mundo contasse suas histórias de vida, o mundo seria menos pesado.)

Um dia, há mais ou menos 10 anos, percebi que durante toda a minha vida, minha família espiritual estava me direcionando a olhar para dentro.
Sutilmente: no dia a dia, nas palavras das conversas, no tipo de pensamento que aparecia, no julgamento de como as coisas “deveriam” funcionar.

De repente, 20 anos depois do início do treinamento, olhei em volta e percebi que estava tudo errado.
Eu não estava vivendo como achava certo.
Minhas verdades estavam sendo trabalhadas, mas o medo de não ser aceita — de deixar de pertencer — era tão grande, que eu nem percebia o porquê de viver tão incomodada.

E claro que eu era chata, reclamona, sabe-tudo e infeliz.

Foi aí que dei uma de doida e rompi com aquele velho mundo para me reconstruir.
Me recolhi e comecei a colocar cada coisa aqui dentro no seu devido lugar.
Parece bonito, né? Mas não foi nada fácil, porque minhas sombras não me permitiram pedir ajuda.
Era eu, meus guias e Deus.
Foi difícil, mas foi verdadeiro.
Não fiz isso por ninguém, ninguém estava vendo. Foi por mim.

A cada dia fica menos difícil. Mesmo que as camadas fiquem cada vez mais profundas.
E cada dia que passa, me pergunto se vai dar tempo de resolver algumas questões antes de chegar minha hora de encerrar essa vivência, ou essa encarnação, ou como queiram chamar.
Quero chegar lá de cabeça erguida, mesmo sabendo que não fiz 100%, porque eu tento de verdade com as ferramentas que tenho.

Meta: que hoje seja melhor que ontem, eu fazendo sempre da melhor forma que eu consigo.

Nas horas de duvidas, olho para o lado e vejo minha família espiritual.
Sorrindo e satisfeita? Claro que não!
Vejo, sim, orgulho.
Sinto que estão satisfeitos porque sabiam que podiam confiar em mim,
mas o que dizem é:

“Vamos logo! Não pára, não! Ainda não fez nada.
Até agora, só está limpando o caminho do tempo que perdeu iludida nesse mundo!”

Tenho muitas ferramentas que fui aprendendo durante a caminhada.
Eu gosto de explicações. Saber como as coisas funcionam me ajuda a me manter em estado positivo.

Mas a Umbanda é minha filosofia de vida.
É nela que eu me sinto pertencente.
Onde encontro forças para não precisar pertencer a mais nada além de mim mesma nessa Terra.

Foi nela que aprendi que o conhecimento deve ser espalhado — e é por isso que eu comecei a escrever.
(e a falar para os que estão próximos)
Os que sabem mais ensinam aos que sabem menos.
E quem sabe menos aprende com quem sabe mais.
Esse fundamento é lindo!

Na Umbanda, sabemos que ninguém caminha só.
Mesmo no silêncio, mesmo no escuro, há uma equipe espiritual inteira sustentando nossos passos.
Guias, falangeiros, mentores e ancestrais — seres que vibram na frequência da nossa alma, que nos amam com um amor incondicional que nem conseguimos compreender, e que nos lembram, o tempo todo, de quem realmente somos e do que é importante.

A dor do não pertencimento, à luz espiritual, é a saudade da alma grupal.
É a frequência do exilado que anseia retornar ao sagrado onde se sente inteiro.
É o chamado para voltar ao terreiro interno, onde você pode dançar com quem te reconhece, mesmo sem palavras.

Todo crescimento é de dentro para fora.
Toda ajuda verdadeira é de dentro para fora.
Toda transmutação acontece de dentro para fora.

Na Umbanda, recebemos amor e ajuda de fora para dentro — com banhos, passes, palavras —
até que nossa barreira de proteção se quebre
e toda aquela energia e amor consiga penetrar no nosso íntimo
e, dali, comece a pulsar a semente da mudança — a nossa mudança.

Quando esse canal se abre,
a Umbanda vai penetrando, regando essa semente.
E depende de nós:
a velocidade com que ela vai brotar, a firmeza da raiz, a qualidade dos frutos.

Mas, a partir daí, o caminho interno está aberto.
E demore o tempo que for — 10 ou 20 anos, uma existência ou muitas — essa chama vai crescer, a árvore vai dar frutos.

Porque não existe barreira que o Amor não consiga penetrar.
E quanto tempo isso leva é irrelevante. Pois o tempo não existe.

Não estamos à deriva.
Existe um universo — e várias realidades — nos aguardando.
Mas isso só pode ser acessado quando retiramos a fantasia de “autoajuste”
e retornamos ao que é verdadeiro.

Um pequeno ritual para reabrir o canal

Se você sente que já está pronto para retornar à sua tribo interior, pode tentar isso com um pequeno ato simbólico:

🌿 Acenda uma vela branca. (com cuidado e segurança, como devemos ter ao lidar com o fogo)
🌿 Sente-se em silêncio, em um momento só seu, onde não será incomodado.
🌿 Traga consciência ao corpo. Se faça presente.
🌿 Respire com calma até se sentir relaxada, sem pensar em nada. Só relaxe. Só esteja.
🌿 Sinta o Universo ao seu redor, não se sinta pequeno, se sinta parte do todo, imprescindível, peça   importante da grande engrenagem divina.
🌿 Sinta o amor de todos que te amam, nessa existência e os amigos que fez ao longo da eternidade.
🌿 Se perdoe porque não somos o que fazemos. Quem estamos agora não é quem somos, não define nossa verdade.
🌿 Você tem força para se proteger de qualquer coisa, você é um fractal divino que só precisa acender a luz interna.
🌿 Sinta paz, sinta gratidão por se dar esse momento.

E diga, de coração aberto:

“Eu retorno à minha linhagem com humildade e verdade.
Eu me reconecto àqueles que me sustentam no invisível.
Eu me recebo como sou e me incluo em mim.
Sou parte. Sou forte. Sou caminho.”

Reprogramação interna: da crítica à pergunta certa

Parte da exclusão de si nasce no diálogo interno.
Então, podemos começar a treinar o cérebro a pensar diferente.

Em vez de perguntar:

– “Por que eu sou assim?”
– “Por que eu nunca consigo?”
– “Por que todo mundo anda, menos eu?”

Troque por perguntas que abrem portais, e não que cavem fossas:

– “O que posso aprender com este momento?”
– “Que parte minha está pedindo acolhimento agora?”
– “Quais habilidades eu posso ativar para atravessar isso com mais consciência?”
– “Que virtude está sendo lapidada neste desafio?”
– “Como posso ser minha própria base segura agora?”

Quando você muda as perguntas, muda o campo de resposta.
O importante não é mais justificar o que está ruim, mas buscar o que pode ser bom.

Seu cérebro — e sua alma — reorganizam os mapas internos.
E assim, você sai da posição de vítima para a de protagonista amorosa da própria história.

A solidão termina onde o autoacolhimento começa

A verdade é que ninguém poderá te incluir completamente se você mesmo se mantém do lado de fora.
O vazio do não pertencimento só se dissolve quando você se reconecta com o que sempre esteve aí: você.

Você mesmo, inteiro.
Sem a necessidade de se esconder para se encaixar.
Sem precisar se podar para ser amado.

Aos poucos, o coração volta a confiar.
A frequência muda completamente.
E você começa a atrair pessoas, experiências e relações onde pode, finalmente, existir inteiro.

Ressignificar a autoestima foi transformador.
Porque autoestima, no fim das contas, é uma consequência — e não um fardo com o qual precisamos conviver.

É o reflexo do amor que você tem por si, quando não precisa mais ser outro para merecer aceitação.

Você já é.
Nós já somos.
Só precisamos lembrar.

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O corpo que não mente? Quando o sistema nervoso entra na conversa https://umbandaempalavras.com/corpo-sistema-nervoso-emocoes/ https://umbandaempalavras.com/corpo-sistema-nervoso-emocoes/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:00:11 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=240 Tem coisa que a gente entende com a cabeça muito antes de conseguir viver de verdade. Você sabe que não precisa agradar todo mundo, mas continua ficando tensa quando precisa dizer não. Entende que uma relação terminou, segue a vida, mas alguma situação parecida acontece e o corpo reage antes mesmo de você conseguir organizar […]

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Tem coisa que a gente entende com a cabeça muito antes de conseguir viver de verdade.

Você sabe que não precisa agradar todo mundo, mas continua ficando tensa quando precisa dizer não. Entende que uma relação terminou, segue a vida, mas alguma situação parecida acontece e o corpo reage antes mesmo de você conseguir organizar o pensamento. Ou percebe racionalmente que está tudo bem, só que continua inquieta, com dificuldade para relaxar, como se alguma parte sua ainda estivesse esperando alguma coisa acontecer.

Eu acho isso muito interessante porque mostra uma coisa que às vezes esquecemos: entender alguma coisa não significa necessariamente que já conseguimos mudar a forma como reagimos a ela.

Talvez seja por isso que alguns processos sejam tão frustrantes. A gente lê, pensa, conversa, entende de onde veio determinado comportamento e chega naquela sensação de “pronto, agora entendi”. Só que, alguns dias depois, acontece alguma coisa e lá estamos nós reagindo praticamente do mesmo jeito.

Durante muito tempo eu pensei nessa diferença como se existisse uma briga entre a mente e o corpo. Hoje não vejo tanto assim. Acho mais útil pensar que o nosso organismo também aprende e que muitas das nossas respostas foram sendo construídas ao longo da vida, às vezes muito antes de termos consciência delas.

O corpo também participa do que aprendemos

Nosso sistema nervoso está o tempo inteiro recebendo informações e ajudando o organismo a responder ao que acontece. Parte dessas respostas nem depende de uma decisão consciente. O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos, a digestão pode ser afetada e o corpo se prepara para lidar com aquilo que percebe.

Isso ajuda a entender por que algumas reações aparecem tão rápido. Uma experiência anterior pode fazer com que determinado tom de voz, expressão, ambiente ou situação nos deixe em alerta, mesmo quando racionalmente sabemos que estamos vivendo outro momento.

Não precisamos transformar toda reação emocional em trauma para entender que aprendemos também pela experiência.

Se durante muito tempo eu aprendi que discordar gera conflito, por exemplo, posso desenvolver o hábito de ceder antes mesmo de me perguntar se quero ceder. Se cresci tentando perceber o humor das pessoas ao meu redor para evitar problemas, talvez continue prestando uma atenção enorme a qualquer mudança de expressão, mesmo quando não existe nenhum perigo real naquela situação.

Isso não quer dizer que exista uma frase guardada dentro do corpo dizendo “discordar é perigoso”. É só uma forma de explicar algo mais complexo. O que vamos construindo são associações, expectativas e formas de reagir que, de tanto serem repetidas, ficam familiares.

E muitas vezes essas respostas aparecem antes do discurso que criamos sobre quem somos.

Mas o corpo sabe a verdade?

No texto antigo eu escrevia que “o corpo sabe a verdade”.

Eu ainda gosto da ideia, mas hoje colocaria uma interrogação depois dela.

O corpo pode mostrar que alguma coisa está acontecendo conosco, mas isso não significa que ele saiba automaticamente o que está acontecendo. Essa diferença é importante porque um coração acelerado, por exemplo, pode ter vários motivos. Posso estar diante de alguma coisa que realmente me assusta, aquela situação pode me lembrar outra, pode ser ansiedade, cansaço, cafeína, alguma questão física ou uma mistura de tudo isso.

Uma dor de cabeça também não chega com uma legenda dizendo: “isso aqui é uma emoção que você não expressou”. Seria muito mais fácil se fosse assim.

Por isso comecei a gostar menos da ideia do corpo como um oráculo que entrega respostas e mais da ideia do corpo como uma fonte de informação que também precisa ser interpretada.

Às vezes ele chama nossa atenção para alguma coisa que ainda não percebemos. Outras vezes está simplesmente cansado.

E acho importante falar sobre isso principalmente porque quem vive a espiritualidade pode ter ainda mais facilidade para transformar qualquer sensação física em significado. Sentiu um aperto e já pensa em energia. Sentiu um arrepio e conclui que alguma entidade chegou. Ficou cansada num lugar e entende imediatamente que absorveu alguma coisa.

Pode existir uma percepção espiritual ali? Dentro daquilo que acredito, pode.

Mas eu não preciso decidir isso nos primeiros cinco segundos.

O corpo também é corpo, e sintomas persistentes, intensos ou preocupantes precisam ser olhados como questões de saúde antes de receberem uma explicação emocional ou espiritual.

Quando a situação passou, mas a reação continua

Uma das coisas mais estranhas é perceber que você já mudou de contexto, mas algumas respostas continuam aparecendo.

Você já não está naquela relação, já não mora naquela casa, não convive mais com determinada pessoa e sabe racionalmente que aquela fase terminou. Só que alguma situação parecida acontece e você reage com uma intensidade que até você estranha.

Isso não significa necessariamente que exista alguma coisa errada dentro de você.

Nosso cérebro aprende a partir das experiências e cria associações. Isso é útil porque não precisamos reaprender tudo do zero o tempo inteiro. O problema é quando uma resposta que fez sentido em determinado momento continua aparecendo em situações em que talvez já não seja necessária.

É aí que o autoconhecimento começa a ficar interessante.

Em vez de apenas perguntar “por que eu sou assim?”, posso começar a observar em que situações isso aparece, o que aconteceu imediatamente antes, o que pensei, o que senti no corpo e qual foi a minha reação. Não para criar mais uma fiscalização sobre mim mesma, mas para conhecer o padrão.

Porque às vezes a gente chama de “meu jeito” ou de “minha personalidade” uma forma de reagir que simplesmente repetiu por tanto tempo que ficou familiar.

E perceber isso não significa que será fácil mudar.

Só significa que agora eu consigo enxergar um pouco melhor o que está acontecendo.

Entender ajuda, mas viver diferente ensina outra coisa

É aqui que a neuroplasticidade começa a fazer sentido para mim sem precisar virar uma promessa de transformação mágica.

Nosso cérebro continua capaz de aprender e de se adaptar ao longo da vida. A repetição e as experiências que vivemos participam desse processo, mas aprender alguma coisa nova não significa apagar tudo o que existia antes e instalar uma versão nova de nós mesmos.

Talvez por isso uma afirmação repetida no espelho nem sempre consiga competir com anos de experiência.

Eu posso dizer cinquenta vezes “eu consigo colocar limites”, mas existe uma diferença enorme quando, numa situação real, consigo colocar um limite e descubro que sobrevivi à experiência. Talvez eu fique nervosa, minha voz trema e depois eu ainda passe duas horas pensando se fui grossa, mas aconteceu alguma coisa nova: dessa vez eu fiz diferente.

Quando essas experiências começam a se repetir, nosso repertório também aumenta. Eu deixo de ter apenas uma resposta possível para determinada situação e começo, aos poucos, a perceber que existem outras maneiras de agir.

Isso não acontece de forma linear.

Às vezes você trabalha uma questão durante meses, acha que já mudou bastante e, de repente, se vê reagindo exatamente como fazia antes. Eu não entendo isso como prova de que todo o processo foi perdido. Aprendizado humano não funciona como uma escada em que subimos um degrau e nunca mais voltamos.

Tem dias em que conseguimos fazer diferente. Em outros, o velho caminho aparece primeiro.

E a gente continua aprendendo.

Perceber antes de tentar consertar

No texto antigo eu falava muito em parar, respirar e observar.

A ideia continua fazendo sentido para mim, mas hoje eu não transformaria isso numa sequência de passos que precisa funcionar sempre do mesmo jeito.

Quando alguma situação me desorganiza, tenho tentado perceber primeiro o que realmente aconteceu antes de correr para consertar o que estou sentindo.

O que meu corpo fez naquela hora? Onde apareceu a tensão? Qual foi o primeiro pensamento? Eu reagi ao que realmente aconteceu ou ao significado que dei para aquilo? Essa sensação me parece conhecida? Em que outras situações eu fico assim?

Nem sempre tenho resposta na hora. Às vezes só percebo o que aconteceu muitas horas depois, mas já acho interessante quando consigo voltar para a situação e enxergar alguma coisa que antes teria passado completamente despercebida.

Porque consciência não é saber explicar tudo sobre si mesma.

Às vezes é simplesmente começar a perceber.

E existe uma diferença enorme entre perceber depois, perceber durante e, quem sabe um dia, perceber antes de reagir.

Nem tudo precisa ser reprogramado

Outra coisa que eu mudaria no texto antigo é essa sensação de que precisamos reprogramar tudo aquilo de que não gostamos em nós.

Hoje eu não penso mais assim.

Existem respostas que realmente causam sofrimento e que vale a pena trabalhar. Algumas precisam ser compreendidas antes de serem modificadas, outras mudam à medida que a própria vida muda e há situações que podem precisar de ajuda profissional.

Também existem partes nossas que talvez nunca fiquem exatamente como gostaríamos.

E isso faz parte de se conhecer.

Autoconhecimento não deveria criar uma nova obrigação: a de virar uma pessoa perfeitamente equilibrada, que entende todos os seus gatilhos, interpreta cada sensação corretamente e nunca mais reage de forma automática.

Eu nem sei se essa pessoa existe.

O que tenho percebido é que, quanto mais conheço meu jeito de funcionar, um pouco mais de escolha aparece. Às vezes ainda vou reagir como sempre reagi. Em outras situações consigo perceber enquanto está acontecendo e fazer alguma coisa diferente. E há momentos em que só entendo tudo depois que passou.

Mesmo assim, esse “depois” já é diferente de nunca perceber.

E onde a espiritualidade entra nisso?

Para mim, a espiritualidade não precisa competir com aquilo que sabemos sobre corpo, emoção ou sistema nervoso.

Uma experiência pode ter uma dimensão emocional e, para quem acredita, também pode ter uma dimensão espiritual. O problema começa quando escolhemos uma explicação antes mesmo de observar o que está acontecendo.

Eu posso entrar num lugar e sentir algo diferente. Posso perceber um ambiente pesado, uma mudança de estado ou alguma coisa que, dentro da minha experiência mediúnica, reconheço como percepção espiritual.

Mas ainda posso me perguntar como eu estava antes de chegar ali, o que aconteceu naquele ambiente, o que meu corpo está mostrando e se existe alguma outra explicação possível.

Acho que discernimento também é isso.

Não transformar tudo em espiritual, mas também não precisar negar a espiritualidade para parecer racional.

Talvez seja justamente essa capacidade de observar sem concluir rápido demais que nos ajuda a conhecer melhor tanto a nossa percepção quanto os nossos próprios padrões.

Hoje eu escuto o corpo de outro jeito

Eu continuo dizendo que o corpo fala, desde que a gente entenda essa frase como uma metáfora.

O corpo participa das nossas emoções, reage ao estresse, muda quando estamos com medo, quando relaxamos, quando nos sentimos ameaçados ou seguros. E as experiências que acumulamos ao longo da vida também participam da maneira como percebemos e respondemos ao mundo.

Só não acho mais que cada reação física seja uma mensagem secreta esperando para ser decodificada.

Hoje, quando alguma coisa aparece no corpo, tento observar antes de procurar uma resposta pronta. Às vezes encontro uma emoção que eu ainda não tinha percebido. Em outras reconheço um padrão antigo, percebo que uma situação me afetou mais do que eu imaginava ou descubro simplesmente que estou exausta e preciso dormir.

E acho que essa também é uma forma de voltar para mim.

O corpo não precisa decidir qual é a verdade por mim. Ele só precisa ter espaço para participar da conversa.

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