Arquivo de De Volta Pra Mim - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/category/conversas-de-caminho/de-volta-pra-mim/ Umbanda como caminho de cura, consciência e amor Thu, 10 Jul 2025 22:07:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0 https://umbandaempalavras.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-ChatGPT-Image-16-de-jun.-de-2025-13_40_34-1-32x32.png Arquivo de De Volta Pra Mim - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/category/conversas-de-caminho/de-volta-pra-mim/ 32 32 A dor de não pertencer e o retorno à tribo interior https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/ https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/#comments Thu, 10 Jul 2025 18:09:23 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=256 Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.Fechei os olhos, respirei fundo…e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.Fui seguindo.Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.O que encontrei do […]

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Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.
Fechei os olhos, respirei fundo…
e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.
Fui seguindo.
Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.
Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.
O que encontrei do outro lado não foi o que eu esperava.
Encontrei o medo.
Um medo antigo, quase fossilizado no tempo.

Medo de crescer.
Medo de virar adolescente.
Medo de virar adulta.
Medo de assumir quem sou.
Medo de não caber.
Medo de ser deixada para trás.

A princípio, fiquei confusa. Sempre associei o medo à consequência, e não à causa.
Mas algo dentro de mim percebeu que talvez o medo seja a raiz de tudo.
Então, vamos pensar sobre isso. Porque quando as coisas fazem sentido, tudo fica bem mais fácil.

O arquétipo do exilado: a alma órfã

Na psicologia junguiana, esse sentimento não é um acaso.
Ele tem uma forma.
É o arquétipo do órfão, o exilado da própria essência.
Vemos o órfão como aquele que olha o mundo com os olhos de quem foi deixado do lado de fora.
É aquele que, mesmo cercado de gente, sente-se só.
Como se houvesse algo de estranho em si mesmo.
Como se a alma tivesse um defeito de fábrica — por isso, a sensação de que não se encaixa em lugar algum.

Mas essa dor… não nasceu fora.
Ela brotou em cada momento em que percebi, consciente ou inconscientemente, que precisava deixar de ser quem era para ser aceita.

Aquele instante sutil, normalmente imperceptível, em que entendi, ou interpretei nas situações, que a minha intensidade era demais, que poderia incomodar.
Minha sensibilidade, um problema.
Minha espontaneidade… esquisita.
Minha verdade… inconveniente.

E assim, a gente começa a se podar.
A se encaixar em moldes que não foram feitos para nós.
Começamos a sorrir em momentos em que queríamos chorar.
A dizer “tudo bem” quando não estava tudo bem — às vezes, estava péssimo.
E no final, dentro desse molde criado para agradar a todos, e sem agradar a muitos, achei a zona de conforto onde tudo estava sob controle.
Ruim ou bom, eu sei administrar.

Consegui! Fui incluída.
Mas não pertenço.

Porque pertencer não é ser aceito pela versão editada de você.
É ser amada com tudo: luz, sombra, profundidade, contradição.
Ser vista inteira e, ainda assim, ser acolhida.

E como o mundo não sabe fazer isso,
aprendemos a acreditar que o problema somos nós.
Que precisávamos ser mais “normais”, mais simples, mais leves, mais fáceis de amar.
E nessa tentativa, fomos nos afastando de quem somos…
Até um dia perceber:

O primeiro lugar que me rejeitou… fui eu mesma.
Eu me abandonei para não perder ninguém, para não ficar sozinha.
E, no fim, acabei me perdendo.
Na verdade, nunca tive a oportunidade de me conhecer de verdade.

Sabe o que é mais doido?
Não sou só eu perdida de mim mesma.
Por isso não me sinto amparada — porque ninguém consegue me ajudar com minhas dores.
A maioria está vivendo no seu labirinto interno, porque também precisou se podar para fazer parte.

Esse entendimento — de que eu não sou o problema — é um pouco libertador.
É um problema individual da coletividade que faz nossa sociedade ser tão problemática quando se trata de relacionamentos.

Sem esse entendimento — de que somente eu posso curar minhas dores e encontrar meu próprio caminho para meu eixo, de que só eu sei o que me dói, o que faz falta,  de que só eu posso identificar meus sentimentos e minhas necessidades — eu acabo passando a responsabilidade da minha vida e da minha plenitude para o outro, que por mais que tente, não sabe o que me faz feliz.

Não entender isso é, de forma infantil e mimada, como crianças emocionais que ainda somos, querer que o mundo e os outros sejam responsáveis pela nossa caminhada espiritual, que sejam culpados pelos nossos erros.

E os acertos? Poucos são comemorados, porque nosso olhar para a falta e para a escassez roda em primeiro plano, como programa principal no nosso cérebro.

O retorno Ao Eu interior

Mas aqui está a parte mais sagrada dessa história:
existe um caminho de volta.
E ele não começa encontrando um grupo.
Nem definindo um propósito.
Nem uma nova versão sua, mais “aceitável”.

A mágica acontece quando percebemos que tem alguma coisa errada.
Quando nos cansamos de ter que agradar os outros para podermos ser desagradáveis.
Quando percebemos que estamos perdendo tempo!
E o tempo passa tão rápido aqui nessa dimensão…

É mágico mesmo quando a gente acorda — ou melhor, desperta — e pergunta:
O que eu estou fazendo?”

A partir daí, vão surgir inúmeras perguntas sem respostas que começam a nos enlouquecer:
Qual é o meu propósito aqui nesta Terra? O que eu vim fazer aqui?
É isso mesmo: viver em sofrimento para sobreviver, sem objetivo?

O caminho começa quando nos sentamos, olhamos nos próprios olhos e dizemos:

Chega! Não importa o que o mundo acha: Eu me aceito.”
Sem maquiagem emocional.
Sem tentar caber em moldes.
Eu me recebo como sou. Volta pra casa, para dentro.

Essa é a reconexão com o Eu Interior e toda uma família espiritual que nos acompanha e aguarda que tenhamos esse despertar, esse entendimento, para nos ajudar a achar os significados e os sentidos.

A partir daqui começa o trabalho verdadeiro.
Porque se eu não gosto de quem me tornei, se não gosto do mapa que criei, se o personagem não faz mais sentido …
Eu devo a mim mesma a possibilidade de resgatar o tempo perdido.

Hora de se conhecer. De se entender. Com amor e carinho.
Não importa os motivos que criaram as minhas dores, os meus hábitos.
Não é hora para autopunição ou busca por culpados.
Isso é irrelevante agora.

Só o que importa é nos conhecer, aceitar nossas sombras e se fazer a pergunta mais mágica de todas:
Quem eu quero ser a partir de agora?

Agora sim, nem o céu é o limite!
É só manter o foco!
Que foco? Você!

Alguns vão dizer agora:
— “Mas que forma egoísta de ver as coisas. Vai pensar só em você?”

Sim!
Porque quanto mais perto da nossa essência estamos, mais perto do Divino a gente chega.
Quanto mais amor a gente aprende a cultivar, mais amor a gente vibra.

Todo sentimento em nós é como água em um copo.
Às vezes, é tanto que transborda!

Então, vamos parar de transbordar tristeza, desgosto, insatisfação…
Vamos transbordar amor nos amando muito, gratidão por ter percebido o quanto somos importantes e que merecemos cuidado.

A partir daí, nos tornamos multiplicadores divinos da fé, da esperança, da disciplina, da retidão de caráter, da força de vontade, dos sorrisos, da compreensão, da alegria…

Como isso pode ter a ver com egoísmo?
Justo agora que entendo que, assim como eu, todos somos divinos? Todos temos dores.
Agora que me enxergo no outro, fica fácil perceber que o julgamento era uma forma cruel que eu usava para diminuir minha própria dor.

Porque quando aponto os defeitos dos outros, o que eu quero mesmo é esconder os meus.
Aponto que o outro é tão imperfeito quanto eu.
Chamo a atenção para o outro, porque  assim ninguém tem tempo de olhar para mim.
… que grande ilusão que vivemos!

Quanto mais crescemos em nós, quanto mais sentimos amor, menos perfeitos precisamos ser.
Mais fácil se torna aceitar as pessoas à nossa volta.
Quanto mais alegria eu sinto, mais quero compartilhar com o mundo.

Quero dividir com o mundo meus conhecimentos porque tudo que aprendi, veio com estudos sim,
mas também com muitas experiências vividas, muitas dores e conquistas não comemoradas.

É isso que o Amor faz: nos conecta com o Divino e com quem está à nossa volta.
Quem não está pronto para se conectar, tudo bem.
Eu demorei muito.
E respeitar que cada um tem seu tempo é natural.

Eu passei por isso.
Ninguém me contou.
Não li num livro.
Não escutei em uma palestra.
Eu vivi — e vivo — isso.

Minha tranquilidade vem de olhar para cada resultado não mais como um fracasso, mas como um aprendizado.
E cada vez que faço algo “errado”, estou mais próxima de conseguir fazer certo.
A cada dia, o “errado” que antes era um desastre… hoje é só mais uma experiência.

A espiritualidade como campo de resgate

Existem muitas ferramentas hoje que nos ajudam a sair do nosso porão escuro.
Todas elas são válidas e funcionam, porque o que nos faz sair de lá, de verdade, é nossa vontade.

Quem quer mudar, não precisa de técnica ou muleta: só faz.

Mas querer dá medo!
Mudar toda uma estrutura comportamental é um passo enorme.
Será que as pessoas vão entender minha mudança? Vão se afastar? Vão me criticar?…

Para isso, as técnicas ajudam: para nos manter focados, utilizando os exemplos dos outros como motivação, nos exigindo uma disciplina para aplicar as ferramentas.

Ou vamos sem técnica mesmo!
Vamos aprendendo no caminho.
Dane-se o que vão dizer! Vão achar que estou louca? Não estou nem aí.

Porque a única coisa que importa é eu buscar minha autenticidade.
Só sendo autêntica, estou sendo sincera e verdadeira comigo e com os outros.

Chega de fingir para mim e para as pessoas. Vamos viver relações verdadeiras!

Vou contar um pouco da minha história.

Eu conheci a Umbanda com 13 anos.
Mas tem uns 10 anos que entendi de verdade o que é a Umbanda.

Em outros tempos, eu teria vergonha de dizer isso:
Que burra, né? Lenta!
Tantos anos dentro de uma religião e demorei mais de 20 anos para entender que ela é uma filosofia de vida?

Sim… é isso!
Mas mesmo sem entender o “espírito da coisa”, sempre fui acolhida e respeitada pela Umbanda.
(pelos seres humanos é outra coisa, mas isso é outro assunto)
Cada um tem sua história.
E essa é a minha.
(Eu acho que se todo mundo contasse suas histórias de vida, o mundo seria menos pesado.)

Um dia, há mais ou menos 10 anos, percebi que durante toda a minha vida, minha família espiritual estava me direcionando a olhar para dentro.
Sutilmente: no dia a dia, nas palavras das conversas, no tipo de pensamento que aparecia, no julgamento de como as coisas “deveriam” funcionar.

De repente, 20 anos depois do início do treinamento, olhei em volta e percebi que estava tudo errado.
Eu não estava vivendo como achava certo.
Minhas verdades estavam sendo trabalhadas, mas o medo de não ser aceita — de deixar de pertencer — era tão grande, que eu nem percebia o porquê de viver tão incomodada.

E claro que eu era chata, reclamona, sabe-tudo e infeliz.

Foi aí que dei uma de doida e rompi com aquele velho mundo para me reconstruir.
Me recolhi e comecei a colocar cada coisa aqui dentro no seu devido lugar.
Parece bonito, né? Mas não foi nada fácil, porque minhas sombras não me permitiram pedir ajuda.
Era eu, meus guias e Deus.
Foi difícil, mas foi verdadeiro.
Não fiz isso por ninguém, ninguém estava vendo. Foi por mim.

A cada dia fica menos difícil. Mesmo que as camadas fiquem cada vez mais profundas.
E cada dia que passa, me pergunto se vai dar tempo de resolver algumas questões antes de chegar minha hora de encerrar essa vivência, ou essa encarnação, ou como queiram chamar.
Quero chegar lá de cabeça erguida, mesmo sabendo que não fiz 100%, porque eu tento de verdade com as ferramentas que tenho.

Meta: que hoje seja melhor que ontem, eu fazendo sempre da melhor forma que eu consigo.

Nas horas de duvidas, olho para o lado e vejo minha família espiritual.
Sorrindo e satisfeita? Claro que não!
Vejo, sim, orgulho.
Sinto que estão satisfeitos porque sabiam que podiam confiar em mim,
mas o que dizem é:

Vamos logo! Não pára, não! Ainda não fez nada.
Até agora, só está limpando o caminho do tempo que perdeu iludida nesse mundo!

Tenho muitas ferramentas que fui aprendendo durante a caminhada.
Eu gosto de explicações. Saber como as coisas funcionam me ajuda a me manter em estado positivo.

Mas a Umbanda é minha filosofia de vida.
É nela que eu me sinto pertencente.
Onde encontro forças para não precisar pertencer a mais nada além de mim mesma nessa Terra.

Foi nela que aprendi que o conhecimento deve ser espalhado — e é por isso que eu comecei a escrever.
(e a falar para os que estão próximos)
Os que sabem mais ensinam aos que sabem menos.
E quem sabe menos aprende com quem sabe mais.
Esse fundamento é lindo!

Na Umbanda, sabemos que ninguém caminha só.
Mesmo no silêncio, mesmo no escuro, há uma equipe espiritual inteira sustentando nossos passos.
Guias, falangeiros, mentores e ancestrais — seres que vibram na frequência da nossa alma, que nos amam com um amor incondicional que nem conseguimos compreender, e que nos lembram, o tempo todo, de quem realmente somos e do que é importante.

A dor do não pertencimento, à luz espiritual, é a saudade da alma grupal.
É a frequência do exilado que anseia retornar ao sagrado onde se sente inteiro.
É o chamado para voltar ao terreiro interno, onde você pode dançar com quem te reconhece, mesmo sem palavras.

Todo crescimento é de dentro para fora.
Toda ajuda verdadeira é de dentro para fora.
Toda transmutação acontece de dentro para fora.

Na Umbanda, recebemos amor e ajuda de fora para dentro — com banhos, passes, palavras —
até que nossa barreira de proteção se quebre
e toda aquela energia e amor consiga penetrar no nosso íntimo
e, dali, comece a pulsar a semente da mudança — a nossa mudança.

Quando esse canal se abre,
a Umbanda vai penetrando, regando essa semente.
E depende de nós:
a velocidade com que ela vai brotar, a firmeza da raiz, a qualidade dos frutos.

Mas, a partir daí, o caminho interno está aberto.
E demore o tempo que for — 10 ou 20 anos, uma existência ou muitas — essa chama vai crescer, a árvore vai dar frutos.

Porque não existe barreira que o Amor não consiga penetrar.
E quanto tempo isso leva é irrelevante. Pois o tempo não existe.

Não estamos à deriva.
Existe um universo — e várias realidades — nos aguardando.
Mas isso só pode ser acessado quando retiramos a fantasia de “autoajuste”
e retornamos ao que é verdadeiro.

Um pequeno ritual para reabrir o canal

Se você sente que já está pronto para retornar à sua tribo interior, pode tentar isso com um pequeno ato simbólico:

🌿 Acenda uma vela branca. (com cuidado e segurança, como devemos ter ao lidar com o fogo)
🌿 Sente-se em silêncio, em um momento só seu, onde não será incomodado.
🌿 Traga consciência ao corpo. Se faça presente.
🌿 Respire com calma até se sentir relaxada, sem pensar em nada. Só relaxe. Só esteja.
🌿 Sinta o Universo ao seu redor, não se sinta pequeno, se sinta parte do todo, imprescindível, peça   importante da grande engrenagem divina.
🌿 Sinta o amor de todos que te amam, nessa existência e os amigos que fez ao longo da eternidade.
🌿 Se perdoe porque não somos o que fazemos. Quem estamos agora não é quem somos, não define nossa verdade.
🌿 Você tem força para se proteger de qualquer coisa, você é um fractal divino que só precisa acender a luz interna.
🌿 Sinta paz, sinta gratidão por se dar esse momento.

E diga, de coração aberto:

“Eu retorno à minha linhagem com humildade e verdade.
Eu me reconecto àqueles que me sustentam no invisível.
Eu me recebo como sou e me incluo em mim.
Sou parte. Sou forte. Sou caminho.”

Reprogramação interna: da crítica à pergunta certa

Parte da exclusão de si nasce no diálogo interno.
Então, podemos começar a treinar o cérebro a pensar diferente.

Em vez de perguntar:

– “Por que eu sou assim?”
– “Por que eu nunca consigo?”
– “Por que todo mundo anda, menos eu?

Troque por perguntas que abrem portais, e não que cavem fossas:

– “O que posso aprender com este momento?”
– “Que parte minha está pedindo acolhimento agora?”
– “Quais habilidades eu posso ativar para atravessar isso com mais consciência?”
– “Que virtude está sendo lapidada neste desafio?”
– “Como posso ser minha própria base segura agora?”

Quando você muda as perguntas, muda o campo de resposta.
O importante não é mais justificar o que está ruim, mas buscar o que pode ser bom.

Seu cérebro — e sua alma — reorganizam os mapas internos.
E assim, você sai da posição de vítima para a de protagonista amorosa da própria história.

A solidão termina onde o autoacolhimento começa

A verdade é que ninguém poderá te incluir completamente se você mesmo se mantém do lado de fora.
O vazio do não pertencimento só se dissolve quando você se reconecta com o que sempre esteve aí: você.

Você mesmo, inteiro.
Sem a necessidade de se esconder para se encaixar.
Sem precisar se podar para ser amado.

Aos poucos, o coração volta a confiar.
A frequência muda completamente.
E você começa a atrair pessoas, experiências e relações onde pode, finalmente, existir inteiro.

Ressignificar a autoestima foi transformador.
Porque autoestima, no fim das contas, é uma consequência — e não um fardo com o qual precisamos conviver.

É o reflexo do amor que você tem por si, quando não precisa mais ser outro para merecer aceitação.

Você já é.
Nós já somos.
Só precisamos lembrar.

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A paz como bússola: como a integridade interna regenera a autoestima https://umbandaempalavras.com/a-paz-como-bussola-como-a-integridade-interna-regenera-a-autoestima/ https://umbandaempalavras.com/a-paz-como-bussola-como-a-integridade-interna-regenera-a-autoestima/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:09:22 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=243 A maioria dos conselhos sobre autoestima gira em torno de “se amar mais”.Mas… como se ama algo que está distante?Como se ama um “eu” que mal se reconhece? Muitas vezes, quando alguém pergunta o que sentimos, respondemos com necessidades.Ou seja, não com o que sentimos, mas com o que precisamos:“Ninguém me dá atenção.”“Ninguém me entende.” […]

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A maioria dos conselhos sobre autoestima gira em torno de “se amar mais”.
Mas… como se ama algo que está distante?
Como se ama um “eu” que mal se reconhece?

Muitas vezes, quando alguém pergunta o que sentimos, respondemos com necessidades.
Ou seja, não com o que sentimos, mas com o que precisamos:
“Ninguém me dá atenção.”
“Ninguém me entende.”

Não conseguimos identificar sentimentos como tristeza ou frustração.
Só conseguimos ver a falta.

Essa nossa mania de colocar a culpa no mundo…
Transferir a responsabilidade das nossas dores para as pessoas.
Frases clássicas: “Está todo mundo me irritando hoje”, “Querem me enlouquecer”.

Ficamos esperando que o mundo tampe nossos buracos emocionais.
Que resolva nossas questões.
Que supra a falta que temos de nós mesmos.
Mas pode esperar sentada… não vai acontecer.

Pelo contrário: quanto mais entendemos que somos responsáveis pelas nossas escolhas,
e que cada situação que vivemos é consequência dessas escolhas,
menos o mundo nos interfere.

A opinião dos outros perde força.
Eles não sabem o que eu quero.
O que me faz feliz.
O que me falta.

E, voltando à nossa ânsia por ter necessidades atendidas:
Será que essas necessidades são reais… ou são camadas de uma carência mais profunda?

Se não conseguimos identificar o que sentimos, como podemos dizer que nos conhecemos?
E se não nos conhecemos… como nos amamos?

Essa é a armadilha: tentar fortalecer a autoestima em cima de uma identidade falsa.
Você pode repetir mil afirmações. Pode se encher de teorias.
Mas se continuar agindo contra sua verdade… nada cola.

Porque a autoestima não nasce do esforço.
Ela nasce da coerência.

Coerência é quase uma chave quântica.

Coerência é quando:
O que você pensa combina com o que você sente.
O que você sente sustenta o que você faz.
E o que você faz te representa.

Isso é integridade interna.
É a energia que te mantém em pé.
É o que te dá segurança para caminhar pelo mundo com firmeza,
sem precisar atacar, agradar ou se proteger o tempo inteiro.

Não é sobre moral.
Não é sobre perfeição.
É sobre alinhamento.

E quando há alinhamento…
a paz aparece.
A paz é o sinal.

Você pode até sentir medo, dúvida ou desconforto.
Mas se, lá no fundo, houver paz… é porque você está no caminho da sua verdade.

Já a ansiedade, a tensão, o nó na garganta, o corpo rígido…
São pistas.
Dissonâncias.
Indícios de que existe um desalinhamento entre quem você é e como você está vivendo.

Eu gosto de explicações. Gosto de entender como as coisas funcionam.
Costumo confrontar e debater o que aprendo com o que já está arquivado no meu acervo.
Pra mim, funciona. Estou sempre reciclando, reorganizando.
E com isso, não posso mais usar a desculpa de que não tenho informação ou ferramentas.

Então, aqui vai um dos meus momentos favoritos:

A física quântica nos mostra que tudo é energia.
A espiritualidade diz: tudo vibra.
E o coração… comprova.

O Instituto HeartMath pesquisou o conceito de coerência cardíaca:
um estado em que ondas cerebrais, batimentos cardíacos e respiração entram em sincronia.
Esse estado gera paz, clareza, presença.

E a frequência sonora mais associada a esse estado é a 528Hz,  conhecida como a frequência da transformação e do amor.
Essa vibração atua diretamente no chakra cardíaco.

Experimentem. Vejam se faz sentido:
Ao escutá-la com intenção, algo dentro começa a se reorganizar.
É como se o coração ganhasse espaço para falar.
E ele fala baixinho…
Mas fala com verdade.

Para ajudar a experimentação: 

Feche os olhos.
Respire devagar.
Coloque uma frequência 528Hz de fundo
(há várias no YouTube ou apps de meditação).
Leve sua atenção para o centro do peito.
Visualize esse ponto se expandindo com uma luz verde ou dourada.

E pergunte ao seu coração:
O que você precisa hoje?
Em que parte da minha vida eu estou me traindo?
O que eu posso fazer agora, com honestidade, que me aproxime da minha verdade?

Voltando ao raciocínio….

Você não precisa se amar para começar a se curar.
Mas precisa ser honesta.

Honesta quando não quer estar num lugar.
Quando discorda.
Quando está cansada.
Quando precisa ir embora.

Isso parece simples …. mas exige atravessar medos profundos.
O medo de desagradar.
De ser rejeitada.
De não ser compreendida.

Mas cada ato de integridade liberta uma parte sua que estava presa.
E a autoestima, nesse cenário, não é o destino.
É a trilha que se forma enquanto você caminha na direção da sua verdade.

A cada passo honesto, algo dentro de você se reorganiza.
Você pára de se vigiar.
Para de se provar.
Para de atuar.
E começa, finalmente, a habitar sua própria pele.

E quando você começa a se habitar…
A paz volta.
A alma respira.
E o amor-próprio acontece — como consequência, não como meta.

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O corpo que não mente: como o sistema nervoso denuncia a farsa https://umbandaempalavras.com/o-corpo-que-nao-mente-como-o-sistema-nervoso-denuncia-a-farsa/ https://umbandaempalavras.com/o-corpo-que-nao-mente-como-o-sistema-nervoso-denuncia-a-farsa/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:00:11 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=240 Você pode convencer a mente.Pode dizer pra si mesma que está tudo bem.Que é mais seguro ceder, calar, sorrir.Pode até acreditar que está sendo racional, prática, espiritualizada. Mas o corpo?O corpo sabe a verdade.E ele não mente. Cada emoção que você reprime, ele registra.Cada vez que você engole o choro, ele grava.Cada tensão que você […]

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Você pode convencer a mente.
Pode dizer pra si mesma que está tudo bem.
Que é mais seguro ceder, calar, sorrir.
Pode até acreditar que está sendo racional, prática, espiritualizada.

Mas o corpo?
O corpo sabe a verdade.
E ele não mente.

Cada emoção que você reprime, ele registra.
Cada vez que você engole o choro, ele grava.
Cada tensão que você finge não sentir, ele acumula.

Por isso, muitas vezes, achamos que estamos no caminho certo — e nada muda.
Dá até um desespero: o que eu estou fazendo de errado?
Se já entendi, se estou disposta a mudar… por que não muda?

Simples: não basta mudar o raciocínio.
Tem que mudar a base. A construção.

Perdemos muito tempo em um labirinto de tentativas e frustrações
justamente porque achamos que podemos enganar nosso cérebro.
Infelizmente, não dá.
Não basta imaginar.

A mudança tem que ser de verdade.

A neurociência já comprovou:
o cérebro não distingue realidade de imaginação.
O que você visualiza, sente, imagina…
para ele, é real.
E o corpo reage.

Se você vive constantemente em alerta, fingindo que está tudo bem,
quando dentro de você tudo grita o contrário,
seu sistema nervoso entra em modo de sobrevivência.

Você sorri. Mas o coração aperta.
Você “funciona”. Mas a energia some.
Você tenta relaxar. Mas o corpo não desarma.

Isso não é frescura.
É biologia.
É a memória somática operando em silêncio.

Nosso sistema nervoso autônomo é responsável por funções que acontecem mesmo sem nossa consciência: batimento cardíaco, respiração, digestão… e também nossas reações de defesa.

Quando passamos por situações traumáticas — e aqui, trauma não é só o que nos marcou profundamente, mas também o que não recebemos e precisávamos — o corpo grava.

Se uma criança chorou e não foi acolhida, o corpo aprendeu: “não é seguro demonstrar dor”.
Se alguém se expôs e foi criticado, o corpo gravou: “é perigoso se mostrar”.

Essas mensagens ficam arquivadas no corpo como dados de sobrevivência.
E aí, mesmo que a mente diga “isso ficou no passado”,
o corpo ainda age como se fosse hoje.

Essa é a memória somática:
o corpo lembra o que a mente já tentou esquecer.

Um cheiro, um tom de voz, uma expressão…
tudo pode reativar esse alarme silencioso.

Por isso, muitas vezes, nos sentimos em alerta mesmo quando tudo está bem.
Ou reagimos de forma exagerada em situações simples.
Não é loucura.
É o corpo tentando proteger.

A cada vez que você age contra sua verdade, o corpo ativa uma resposta:
Libera cortisol, trava músculos, desliga o prazer, acelera a mente.

É por isso que você pode estar “certa” aos olhos de todos,
e ainda assim se sentir em colapso por dentro.

E que sensação horrível é essa…
quando o corpo não consegue sentir a tranquilidade que a mente organizou com tanto esforço.

Quando a gente não expressa o que sente, o corpo expressa por nós.
Um nó na garganta que não sai.
Uma dor de cabeça que sempre volta.
Um cansaço que não tem explicação.

Tudo isso pode ser o corpo dizendo: “tem algo aqui que você ainda não olhou”.

As emoções que evitamos se transformam em sintomas.
A ansiedade pode ser medo não reconhecido.
A irritação pode ser tristeza engarrafada.
A insônia, culpa não resolvida.

O corpo fala.
A pergunta é: você tem escutado?

Porque a coerência não vem do ego.
Ela vem do corpo.
E o corpo só relaxa quando você pára de performar.

Não tem jeito: temos que reprogramar tudo.
Nosso corpo é um verdadeiro oráculo.

Quer saber se está no caminho certo?
Não pergunte ao seu ego.
Pergunte ao seu sistema nervoso.

Nosso cérebro adora economizar energia.
Tudo o que a gente repete, ele transforma em atalho.
É assim que os hábitos se formam — inclusive os emocionais.

Se você cresceu precisando se adaptar para ser aceita,
o cérebro criou um “mapa” emocional de sobrevivência:
não falar o que pensa, sorrir mesmo com raiva, tentar agradar para não ser rejeitada.

Esse mapa se repete até virar automático.
E aí, mesmo quando você quer mudar, se pega reagindo do mesmo jeito.
É frustrante, eu sei.

Mas aqui entra a boa notícia:
tudo que foi aprendido, pode ser reaprendido.

A plasticidade neural permite criar novas rotas,
desde que a gente repita novas escolhas — com consciência e paciência.

É preciso sentir o corpo, reconhecer o padrão,
dar um nome à emoção, mudar o caminho aos poucos.

É assim que o sistema nervoso entende:
“agora é seguro ser quem eu sou”.

Podemos tentar assim:
Pare.
Respire.
Observe:

Como seu corpo reage na situação que você deseja mudar?
Quais sentimentos surgem?
Quais pensamentos invadem sua mente?
Quais alertas disparam?
Quais preocupações nascem?

Esse é o início do caminho.
Mas vamos com clareza: é simples mas não é tão fácil quanto parece.

Precisa de presença, de coragem e de repetição.

Seguimos procurando…
Vamos nos encontrar.
Dentro de nós.

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A construção do personagem e o abandono silencioso da alma https://umbandaempalavras.com/a-construcao-do-personagem-e-o-abandono-silencioso-da-alma/ https://umbandaempalavras.com/a-construcao-do-personagem-e-o-abandono-silencioso-da-alma/#respond Wed, 25 Jun 2025 16:50:33 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=237 A gente não percebe quando começa.Na verdade, eu nem faço ideia de onde começou.E nem vou perder tempo procurando, porque o que importa é o que eu quero ser a partir de agora.O passado já passou, e é agora, no presente, que posso atuar. Não me vejo mais como um retrato do meu passado, como […]

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A gente não percebe quando começa.
Na verdade, eu nem faço ideia de onde começou.
E nem vou perder tempo procurando,
porque o que importa é o que eu quero ser a partir de agora.
O passado já passou, e é agora, no presente, que posso atuar.

Não me vejo mais como um retrato do meu passado, como se minhas experiências me representassem por completo.
O que eu sou agora é, sim, resultado das interpretações que fiz das situações que vivi.
Então, agora adulta, posso revisar essas interpretações, chegando a novas conclusões para ressignificar muitas crenças que ainda rodam, em segundo plano, aqui no meu HD.

Acho que esse processo de se perder de si mesmo é tão natural quanto aprender a andar ou a falar.
Faz parte do “modus operandi” desse Sistema Terra que vivemos.
Faz parte do que chamam de “crescimento” o aprendizado de como se adaptar:
observar as pessoas à nossa volta e aprender como devemos nos comportar para ser aceitos.

Mas quase ninguém nos ensina a escutar o que sentimos enquanto nos adaptamos.
A Comunicação Não Violenta propõe que todo comportamento é uma tentativa de atender a uma necessidade.
E o que a gente faz, ao se moldar, é exatamente isso: buscar pertencimento, segurança, amor.
Só que, muitas vezes, somos ensinados que nossos sentimentos e necessidades são “demais”, “fora de hora”, “inconvenientes”.
A gente não aprende a dizer: “estou com medo porque queria apoio”, ou “estou frustrado porque minha voz não foi ouvida”.
A gente aprende a silenciar.
A ceder.
A calar.

Na Psicanálise, isso é chamado de recalque.
O ego, como defesa, aprende a empurrar para o fundo tudo que parece ameaçar a aceitação ou a estabilidade emocional.
É como se disséssemos para nós mesmos: “isso aqui não pode existir, porque não é seguro”.
E aos poucos, esse movimento vira padrão.
Um automático emocional.

Jung chama isso de construção da persona: a máscara social que criamos para sermos aceitos no mundo.
Ela é uma adaptação necessária, mas não é a nossa verdade.
O problema começa quando confundimos essa máscara com quem realmente somos.
Porque por trás dela existe algo muito mais profundo: o Self.
O centro da nossa autenticidade, espontaneidade, integridade.
Enquanto a persona vive perguntando “como eu devo ser visto?”,
o Self quer saber:
“quem eu sou, mesmo que ninguém esteja olhando?”

E quanto mais a gente se afasta desse centro, mais os sintomas aparecem: angústia, cansaço, sensação de vazio, a impressão de que estamos “fazendo tudo certo” e mesmo assim algo está errado.

Vamos então para o início do problema:
Será que não deveríamos crescer aprendendo a fazer escolhas e nos colocar no mundo buscando a nossa felicidade?
Como posso contribuir com autenticidade se não sei quem sou?
Se eu sou só o que esperam de mim, qual é a minha real função?

Não aprendemos a lidar com sentimentos, só a reprimi-los.
Para de chorar!
Empresta o brinquedo pro amiguinho!
Deixa de ser chata!
Para de pedir as coisas!
Deixa de ser sensível!
Somos tolhidos nos mínimos atos e palavras.

Não é como se houvesse um dia claro em que escolhemos nos abandonar.
É um processo sutil. Um corte pequeno por vez.
Um gesto que incomodou, e você aprendeu a conter.
Uma verdade que foi ignorada, e você aprendeu a calar.
Um desejo seu que foi considerado “demais”, “estranho”, “fora de hora”
e você aprendeu a esconder.

E cada um desses pequenos gestos de “ajuste” foi um tijolo na construção de um personagem.
Esse personagem tem um propósito: manter você seguro.
Ele aprendeu o que era permitido, o que era louvado, o que era conveniente.
E passou a se moldar para isso.

A gente não sabe o quanto isso vai nos custar.
Ninguém explica, porque ninguém também sabe.
Só ouvimos que o mundo é cruel, e que, se não soubermos nos adaptar, seremos engolidos.
Então, o mais inteligente parece ser: “seja aceito, cause menos problema”.
Somos todos sobreviventes tentando fazer o melhor a cada geração.
Cada um escondendo seus medos, defendendo seu Eu, buscando segurança.

Mas, olhando de outro ângulo, o ângulo da alma, isso tem outro nome: traição.
Não à moral, nem à sociedade. Mas a si mesmo.
Traição do seu centro. Do seu chamado. Da sua espontaneidade.
Aquela que só existe quando a gente ainda não aprendeu que precisa caber.

Talvez “traição” soe como palavra forte.
Afinal, ninguém nos ensinou outro caminho.
Mas… será que a gente procurou?
Ou optamos pelo caminho mais fácil, já que era o mais comum?

Agora, com outra visão, eu entendo:
Essa outra versão minha, que funciona, que é eficiente, admirável, compreensiva, ela não é má.
Ela é adaptada.
Ela foi moldada como armadura.
Mas ninguém aguenta viver dentro de uma armadura o tempo todo.

Com o tempo, a alma começa a murchar.
Não porque ela desaparece.
Mas porque não tem mais onde respirar.

Então, em resumo, na psicanálise temos o recalque.
Na psicologia junguiana a persona, a máscara social.
E a Umbanda chamaria de afastamento da essência, da missão espiritual.
E uma hora, você começa a sentir que tem algo fora do lugar.
Mas não sabe o quê.

Vem o desconforto.
Vem o vazio.
Vem o “não sei mais quem eu sou”.

E aí você tenta resolver sem sair da zona de conforto:
Mais performance.
Mais leitura.
Mais busca por espiritualidade.
Mais técnica.
Mais remédio.
Mas nenhuma técnica funciona quando você tenta curar o personagem — em vez de permitir que ele vá.

E aí vem a pergunta que ninguém gosta de fazer:
Quem você precisou ser para se sentir aceito?
E o que de você precisou ser trancado no porão para essa versão existir?

Não há julgamento aqui. Só uma pausa.
Porque talvez, nesse momento, alguma parte sua esteja batendo na porta.
Não para te acusar.
Mas para te lembrar: sua alma nunca foi embora.
Ela só foi silenciada.
E está pronta para voltar.
Se você permitir.

Você ainda está aí, querendo conhecer seus sentimentos, seus limites, seus gostos, seus pontos fortes e fracos.
E não importa quanto tempo passou — enquanto há vida, há tempo para viver.

Talvez tenha chegado a hora de se apresentar ao mundo.
Cumprir seu papel.
Deixar de ser coadjuvante.
Ou, como dizem os gamers, um personagem não jogável, um NPC.

Assuma a responsabilidade pela sua vida.
Pela sua felicidade.
Tem muitos faróis por aí — autores, mestres, técnicas, ferramentas.
Mas não tem pra onde correr: a resposta está dentro de você.

E só aceitando a vergonha de termos sido tão frágeis, e de termos criado um personagem nem sempre tão agradável, é que vamos conseguir nos olhar de verdade.

A tarefa agora é buscar, dentro de si, o que é seu.
E deixar ir, com coragem, o que nunca foi.

Espero que mais gente se anime a entrar nessa montanha-russa emocional,
Com alegria e tristeza nos tirando do porão escuro,
E expandindo nosso brilho
Para que a gente também se torne um farol.
Um farol de esperança.
De superação.
De coragem.
E, acima de tudo, de autenticidade.

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Será que é baixa autoestima… ou uma tentativa fracassada de amar quem eu não sou? https://umbandaempalavras.com/sera-que-e-baixa-autoestima-ou-uma-tentativa-fracassada-de-amar-quem-eu-nao-sou/ https://umbandaempalavras.com/sera-que-e-baixa-autoestima-ou-uma-tentativa-fracassada-de-amar-quem-eu-nao-sou/#comments Wed, 25 Jun 2025 15:21:19 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=233 Já percebeu como a gente vai construindo um “eu” para dar conta do mundo?Um “eu” que funciona.Um “eu” que agrada.Que sabe o que dizer, como se portar, como parecer segura.E a gente se acostuma tanto com essa versão… que um dia acorda e percebe:não sabe mais quem é sem ela. Venho me observando há bastante […]

O post Será que é baixa autoestima… ou uma tentativa fracassada de amar quem eu não sou? apareceu primeiro em Umbanda em Palavras.

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Já percebeu como a gente vai construindo um “eu” para dar conta do mundo?
Um “eu” que funciona.
Um “eu” que agrada.
Que sabe o que dizer, como se portar, como parecer segura.
E a gente se acostuma tanto com essa versão… que um dia acorda e percebe:
não sabe mais quem é sem ela.

Venho me observando há bastante tempo, nesse processo de autoconhecimento.
São tantos altos e baixos, mas aprendi que não devemos ter pressa.
A palavra é realmente observação.

Ficam muitas informações acumuladas, muitas sem sentido, como um grande quebra-cabeça.
Mas aprendi que é só ter paciência que as coisas sempre clareiam.
Aos poucos, vão surgindo o que chamam de insights, que nada mais são do que peças desse quebra-cabeça.

Os pensamentos sobre autoestima começaram a se formar na minha mente…
Essa pergunta não nasceu da mente.
Ela nasceu de um incômodo. Um vazio sem nome.
De um desconforto sutil que se arrasta mesmo nos dias bons.

Analisando os sentimentos agregados à baixa autoestima, podemos percorrer um caminho para desmistificar muitas coisas que temos como verdadeiras mas, na real, não passam de historinhas criadas ao longo dos anos para mascarar verdades mais profundas.

Foi nesse caminhar que enxerguei, lá no fundo do baú escondido entre outras fantasias, o medo.
Isso me chamou atenção porque, até então, o medo era uma consequência e não a causa.

Segundo a ciência, nascemos apenas com dois tipos de medo: o de barulho alto e o de altura.
Que tantos medos são esses que tenho dentro de mim, então?
Se não são reais, vão ter que desaparecer, porque não fazem sentido.
Entendi que o medo é bem infantil, começa na dificuldade de se ver como um indivíduo,
saindo da infância e tendo que encarar o mundo,
tantos sentimentos novos que ninguém explica como lidar.

Vamos observando e convivendo com o medo das pessoas e aprendendo quais os medos devemos absorver para sobreviver.
O medo de ser autêntico cria bases em vários desses medos que entendemos como primordiais para a sobrevivência:
– o medo de ser julgado, feio, chato, desagradável, falar demais;
– o medo de ser criticado, nossos gostos, jeito de se vestir, preferências musicais, ser mais caseiro;
– o medo de frustrar as expectativas que as pessoas colocam em nós: ser educado, tirar boas notas, ser elogiado, ter os sonhos corretos.

Então vamos criando nossa personalidade de acordo com os medos que achamos necessários para nos proteger.
Em algum momento esquecemos desse medo, que fica pulsando lá no fundo, alimentando todo o sistema, mas escondido.

Quando crescemos e precisamos nos olhar e questionar, já que precisamos desenvolver habilidades para atuar no mundo adulto, surge a baixa autoestima.
Não importa em que área ela esteja, não importa se está disfarçada de insegurança ou de uma autoconfiança exagerada, não importa o quanto o nosso ego é capaz de disfarçá-la, ela está lá.

Mas será que ela é real?
Com quem eu me comparo para me sentir menor, menos capaz, menos bonito, menos engraçado, menos legal?
Será que essas referências são atualizadas com o passar do tempo?
Ou ainda me comparo àquele amigo da 5ª série que era superpopular na escola?
Será que minha vergonha de me expor ainda vem daquela vez em que eu, na escola, falei uma palavra errada e todo mundo riu da minha cara?

Será que, depois de tantas experiências vividas, erros e acertos, alegrias e decepções, eu ainda me importaria que uma amiga dissesse que meu cabelo está feio?
Me importaria de dar uma opinião e alguém dizer que eu estou errada? Será que eu não consigo fundamentar minhas opiniões e sustentar meu ponto de vista?
Será que hoje em dia, com tanta bagagem emocional, eu realmente me importo se alguém concorda comigo?

Sinceramente, eu acho que não!
Eu preciso contar isso para o meu ego urgentemente!
Preciso apagar essas histórias do meu programa e dizer a ele que eu não sou mais criança.

Com tudo que eu já vivi, não preciso me basear nas crenças de mundo de outras pessoas.
Seja mãe, avó, tios, amigos…
Assim como não preciso ter medo de fantasmas, como eu tinha quando assistia aos filmes de terror na adolescência.
Já tenho experiência para me relacionar com o mundo espiritual de forma saudável.

Aprendi com muitos erros e acertos que, quando identificamos o problema, ele já está praticamente resolvido.
Então, vamos dar mais um passo para dentro, para despertar quem eu sou de verdade.

Chegou a hora de entender para começar a ressignificar.
Dá trabalho, mas sempre vale a pena.
Pegar cada historinha, sem medo, procurando as mentiras e fantasias escondidas em cada uma delas.

Eu passei anos achando que sofria de baixa autoestima.
Tentando curar essa tal falta de amor-próprio com fórmulas e frases prontas.
Mas nada colava.
Era como tentar regar uma planta de plástico.
Não importava o quanto eu me esforçasse, não havia raiz ali.
Até que caiu uma ficha dura:
Eu não estava tentando me amar.
Eu estava tentando amar uma versão de mim que nunca foi minha.

Essa versão nasceu do medo.
Do medo de não ser aceita, de incomodar, de ser rejeitada.
Então fui me lapidando. Cortando pedaços.
Virando alguém que agrada. Que cabe.
E, sem perceber, fui me ausentando.
Fui ficando longe de mim.
E essa distância começou a doer.
Mas eu não sabia o nome da dor.
Chamava de insegurança. De autossabotagem. De baixa autoestima.
Mas era outra coisa.
Era orfandade interna.
Era a alma chamando por mim.

Hoje, eu olho pra trás e entendo:
não era falta de amor.
Era falta de verdade.
A autoestima não nasce do esforço de se amar.
Ela nasce do alívio de voltar a ser quem se é.

E talvez, ao ler isso agora, algo dentro de você comece a se lembrar de quem sempre foi…
Porque quando você se habita de novo,
quando para de fingir, de forçar, de caber…
o amor volta. A presença volta. A paz volta.

Se você também sente essa ausência,
não se cobre por não se amar ainda.
Pergunte antes:
quem é que eu estou tentando amar? Sou eu?
Se não for, talvez seja hora de voltar.
Voltar não pra um lugar, mas pra dentro.

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