Arquivo de De Volta Pra Mim - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/category/conversas-de-caminho/de-volta-pra-mim/ Umbanda como caminho de cura, consciência e amor Tue, 08 Sep 2026 18:22:26 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://umbandaempalavras.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-ChatGPT-Image-16-de-jun.-de-2025-13_40_34-1-32x32.png Arquivo de De Volta Pra Mim - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/category/conversas-de-caminho/de-volta-pra-mim/ 32 32 A dor de não pertencer e o retorno à tribo interior https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/ https://umbandaempalavras.com/a-dor-de-nao-pertencer-e-o-retorno-a-tribo-interior/#comments Thu, 10 Jul 2025 18:09:23 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=256 Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.Fechei os olhos, respirei fundo…e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.Fui seguindo.Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.O que encontrei do […]

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Quando comecei a refletir sobre autoestima, uma palavra ecoava no meu campo energético com insistência: pertencimento.
Fechei os olhos, respirei fundo…
e deixei que esse fio invisível me puxasse para dentro, até onde minha consciência conseguisse alcançar.
Fui seguindo.
Descendo escadas dentro de mim, acendendo velas em porões esquecidos.
Até que encontrei uma portinha, lá no fundo.
O que encontrei do outro lado não foi o que eu esperava.
Encontrei o medo.
Um medo antigo, quase fossilizado no tempo.

Medo de crescer.
Medo de virar adolescente.
Medo de virar adulta.
Medo de assumir quem sou.
Medo de não caber.
Medo de ser deixada para trás.

A princípio, fiquei confusa. Sempre associei o medo à consequência, e não à causa.
Mas algo dentro de mim percebeu que talvez o medo seja a raiz de tudo.
Então, vamos pensar sobre isso. Porque quando as coisas fazem sentido, tudo fica bem mais fácil.

O arquétipo do exilado: a alma órfã

Na psicologia junguiana, esse sentimento não é um acaso.
Ele tem uma forma.
É o arquétipo do órfão, o exilado da própria essência.
Vemos o órfão como aquele que olha o mundo com os olhos de quem foi deixado do lado de fora.
É aquele que, mesmo cercado de gente, sente-se só.
Como se houvesse algo de estranho em si mesmo.
Como se a alma tivesse um defeito de fábrica — por isso, a sensação de que não se encaixa em lugar algum.

Mas essa dor… não nasceu fora.
Ela brotou em cada momento em que percebi, consciente ou inconscientemente, que precisava deixar de ser quem era para ser aceita.

Aquele instante sutil, normalmente imperceptível, em que entendi, ou interpretei nas situações, que a minha intensidade era demais, que poderia incomodar.
Minha sensibilidade, um problema.
Minha espontaneidade… esquisita.
Minha verdade… inconveniente.

E assim, a gente começa a se podar.
A se encaixar em moldes que não foram feitos para nós.
Começamos a sorrir em momentos em que queríamos chorar.
A dizer “tudo bem” quando não estava tudo bem — às vezes, estava péssimo.
E no final, dentro desse molde criado para agradar a todos, e sem agradar a muitos, achei a zona de conforto onde tudo estava sob controle.
Ruim ou bom, eu sei administrar.

Consegui! Fui incluída.
Mas não pertenço.

Porque pertencer não é ser aceito pela versão editada de você.
É ser amada com tudo: luz, sombra, profundidade, contradição.
Ser vista inteira e, ainda assim, ser acolhida.

E como o mundo não sabe fazer isso,
aprendemos a acreditar que o problema somos nós.
Que precisávamos ser mais “normais”, mais simples, mais leves, mais fáceis de amar.
E nessa tentativa, fomos nos afastando de quem somos…
Até um dia perceber:

O primeiro lugar que me rejeitou… fui eu mesma.
Eu me abandonei para não perder ninguém, para não ficar sozinha.
E, no fim, acabei me perdendo.
Na verdade, nunca tive a oportunidade de me conhecer de verdade.

Sabe o que é mais doido?
Não sou só eu perdida de mim mesma.
Por isso não me sinto amparada — porque ninguém consegue me ajudar com minhas dores.
A maioria está vivendo no seu labirinto interno, porque também precisou se podar para fazer parte.

Esse entendimento — de que eu não sou o problema — é um pouco libertador.
É um problema individual da coletividade que faz nossa sociedade ser tão problemática quando se trata de relacionamentos.

Sem esse entendimento — de que somente eu posso curar minhas dores e encontrar meu próprio caminho para meu eixo, de que só eu sei o que me dói, o que faz falta,  de que só eu posso identificar meus sentimentos e minhas necessidades — eu acabo passando a responsabilidade da minha vida e da minha plenitude para o outro, que por mais que tente, não sabe o que me faz feliz.

Não entender isso é, de forma infantil e mimada, como crianças emocionais que ainda somos, querer que o mundo e os outros sejam responsáveis pela nossa caminhada espiritual, que sejam culpados pelos nossos erros.

E os acertos? Poucos são comemorados, porque nosso olhar para a falta e para a escassez roda em primeiro plano, como programa principal no nosso cérebro.

O retorno Ao Eu interior

Mas aqui está a parte mais sagrada dessa história:
existe um caminho de volta.
E ele não começa encontrando um grupo.
Nem definindo um propósito.
Nem uma nova versão sua, mais “aceitável”.

A mágica acontece quando percebemos que tem alguma coisa errada.
Quando nos cansamos de ter que agradar os outros para podermos ser desagradáveis.
Quando percebemos que estamos perdendo tempo!
E o tempo passa tão rápido aqui nessa dimensão…

É mágico mesmo quando a gente acorda — ou melhor, desperta — e pergunta:
“O que eu estou fazendo?”

A partir daí, vão surgir inúmeras perguntas sem respostas que começam a nos enlouquecer:
Qual é o meu propósito aqui nesta Terra? O que eu vim fazer aqui?
É isso mesmo: viver em sofrimento para sobreviver, sem objetivo?

O caminho começa quando nos sentamos, olhamos nos próprios olhos e dizemos:

“Chega! Não importa o que o mundo acha: Eu me aceito.”
Sem maquiagem emocional.
Sem tentar caber em moldes.
Eu me recebo como sou. Volta pra casa, para dentro.”

Essa é a reconexão com o Eu Interior e toda uma família espiritual que nos acompanha e aguarda que tenhamos esse despertar, esse entendimento, para nos ajudar a achar os significados e os sentidos.

A partir daqui começa o trabalho verdadeiro.
Porque se eu não gosto de quem me tornei, se não gosto do mapa que criei, se o personagem não faz mais sentido …
Eu devo a mim mesma a possibilidade de resgatar o tempo perdido.

Hora de se conhecer. De se entender. Com amor e carinho.
Não importa os motivos que criaram as minhas dores, os meus hábitos.
Não é hora para autopunição ou busca por culpados.
Isso é irrelevante agora.

Só o que importa é nos conhecer, aceitar nossas sombras e se fazer a pergunta mais mágica de todas:
Quem eu quero ser a partir de agora?

Agora sim, nem o céu é o limite!
É só manter o foco!
Que foco? Você!

Alguns vão dizer agora:
— “Mas que forma egoísta de ver as coisas. Vai pensar só em você?”

Sim!
Porque quanto mais perto da nossa essência estamos, mais perto do Divino a gente chega.
Quanto mais amor a gente aprende a cultivar, mais amor a gente vibra.

Todo sentimento em nós é como água em um copo.
Às vezes, é tanto que transborda!

Então, vamos parar de transbordar tristeza, desgosto, insatisfação…
Vamos transbordar amor nos amando muito, gratidão por ter percebido o quanto somos importantes e que merecemos cuidado.

A partir daí, nos tornamos multiplicadores divinos da fé, da esperança, da disciplina, da retidão de caráter, da força de vontade, dos sorrisos, da compreensão, da alegria…

Como isso pode ter a ver com egoísmo?
Justo agora que entendo que, assim como eu, todos somos divinos? Todos temos dores.
Agora que me enxergo no outro, fica fácil perceber que o julgamento era uma forma cruel que eu usava para diminuir minha própria dor.

Porque quando aponto os defeitos dos outros, o que eu quero mesmo é esconder os meus.
Aponto que o outro é tão imperfeito quanto eu.
Chamo a atenção para o outro, porque  assim ninguém tem tempo de olhar para mim.
… que grande ilusão que vivemos!

Quanto mais crescemos em nós, quanto mais sentimos amor, menos perfeitos precisamos ser.
Mais fácil se torna aceitar as pessoas à nossa volta.
Quanto mais alegria eu sinto, mais quero compartilhar com o mundo.

Quero dividir com o mundo meus conhecimentos porque tudo que aprendi, veio com estudos sim,
mas também com muitas experiências vividas, muitas dores e conquistas não comemoradas.

É isso que o Amor faz: nos conecta com o Divino e com quem está à nossa volta.
Quem não está pronto para se conectar, tudo bem.
Eu demorei muito.
E respeitar que cada um tem seu tempo é natural.

Eu passei por isso.
Ninguém me contou.
Não li num livro.
Não escutei em uma palestra.
Eu vivi — e vivo — isso.

Minha tranquilidade vem de olhar para cada resultado não mais como um fracasso, mas como um aprendizado.
E cada vez que faço algo “errado”, estou mais próxima de conseguir fazer certo.
A cada dia, o “errado” que antes era um desastre… hoje é só mais uma experiência.

A espiritualidade como campo de resgate

Existem muitas ferramentas hoje que nos ajudam a sair do nosso porão escuro.
Todas elas são válidas e funcionam, porque o que nos faz sair de lá, de verdade, é nossa vontade.

Quem quer mudar, não precisa de técnica ou muleta: só faz.

Mas querer dá medo!
Mudar toda uma estrutura comportamental é um passo enorme.
Será que as pessoas vão entender minha mudança? Vão se afastar? Vão me criticar?…

Para isso, as técnicas ajudam: para nos manter focados, utilizando os exemplos dos outros como motivação, nos exigindo uma disciplina para aplicar as ferramentas.

Ou vamos sem técnica mesmo!
Vamos aprendendo no caminho.
Dane-se o que vão dizer! Vão achar que estou louca? Não estou nem aí.

Porque a única coisa que importa é eu buscar minha autenticidade.
Só sendo autêntica, estou sendo sincera e verdadeira comigo e com os outros.

Chega de fingir para mim e para as pessoas. Vamos viver relações verdadeiras!

Vou contar um pouco da minha história.

Eu conheci a Umbanda com 13 anos.
Mas tem uns 10 anos que entendi de verdade o que é a Umbanda.

Em outros tempos, eu teria vergonha de dizer isso:
“Que burra, né? Lenta!
Tantos anos dentro de uma religião e demorei mais de 20 anos para entender que ela é uma filosofia de vida?
”

Sim… é isso!
Mas mesmo sem entender o “espírito da coisa”, sempre fui acolhida e respeitada pela Umbanda.
(pelos seres humanos é outra coisa, mas isso é outro assunto)
Cada um tem sua história.
E essa é a minha.
(Eu acho que se todo mundo contasse suas histórias de vida, o mundo seria menos pesado.)

Um dia, há mais ou menos 10 anos, percebi que durante toda a minha vida, minha família espiritual estava me direcionando a olhar para dentro.
Sutilmente: no dia a dia, nas palavras das conversas, no tipo de pensamento que aparecia, no julgamento de como as coisas “deveriam” funcionar.

De repente, 20 anos depois do início do treinamento, olhei em volta e percebi que estava tudo errado.
Eu não estava vivendo como achava certo.
Minhas verdades estavam sendo trabalhadas, mas o medo de não ser aceita — de deixar de pertencer — era tão grande, que eu nem percebia o porquê de viver tão incomodada.

E claro que eu era chata, reclamona, sabe-tudo e infeliz.

Foi aí que dei uma de doida e rompi com aquele velho mundo para me reconstruir.
Me recolhi e comecei a colocar cada coisa aqui dentro no seu devido lugar.
Parece bonito, né? Mas não foi nada fácil, porque minhas sombras não me permitiram pedir ajuda.
Era eu, meus guias e Deus.
Foi difícil, mas foi verdadeiro.
Não fiz isso por ninguém, ninguém estava vendo. Foi por mim.

A cada dia fica menos difícil. Mesmo que as camadas fiquem cada vez mais profundas.
E cada dia que passa, me pergunto se vai dar tempo de resolver algumas questões antes de chegar minha hora de encerrar essa vivência, ou essa encarnação, ou como queiram chamar.
Quero chegar lá de cabeça erguida, mesmo sabendo que não fiz 100%, porque eu tento de verdade com as ferramentas que tenho.

Meta: que hoje seja melhor que ontem, eu fazendo sempre da melhor forma que eu consigo.

Nas horas de duvidas, olho para o lado e vejo minha família espiritual.
Sorrindo e satisfeita? Claro que não!
Vejo, sim, orgulho.
Sinto que estão satisfeitos porque sabiam que podiam confiar em mim,
mas o que dizem é:

“Vamos logo! Não pára, não! Ainda não fez nada.
Até agora, só está limpando o caminho do tempo que perdeu iludida nesse mundo!”

Tenho muitas ferramentas que fui aprendendo durante a caminhada.
Eu gosto de explicações. Saber como as coisas funcionam me ajuda a me manter em estado positivo.

Mas a Umbanda é minha filosofia de vida.
É nela que eu me sinto pertencente.
Onde encontro forças para não precisar pertencer a mais nada além de mim mesma nessa Terra.

Foi nela que aprendi que o conhecimento deve ser espalhado — e é por isso que eu comecei a escrever.
(e a falar para os que estão próximos)
Os que sabem mais ensinam aos que sabem menos.
E quem sabe menos aprende com quem sabe mais.
Esse fundamento é lindo!

Na Umbanda, sabemos que ninguém caminha só.
Mesmo no silêncio, mesmo no escuro, há uma equipe espiritual inteira sustentando nossos passos.
Guias, falangeiros, mentores e ancestrais — seres que vibram na frequência da nossa alma, que nos amam com um amor incondicional que nem conseguimos compreender, e que nos lembram, o tempo todo, de quem realmente somos e do que é importante.

A dor do não pertencimento, à luz espiritual, é a saudade da alma grupal.
É a frequência do exilado que anseia retornar ao sagrado onde se sente inteiro.
É o chamado para voltar ao terreiro interno, onde você pode dançar com quem te reconhece, mesmo sem palavras.

Todo crescimento é de dentro para fora.
Toda ajuda verdadeira é de dentro para fora.
Toda transmutação acontece de dentro para fora.

Na Umbanda, recebemos amor e ajuda de fora para dentro — com banhos, passes, palavras —
até que nossa barreira de proteção se quebre
e toda aquela energia e amor consiga penetrar no nosso íntimo
e, dali, comece a pulsar a semente da mudança — a nossa mudança.

Quando esse canal se abre,
a Umbanda vai penetrando, regando essa semente.
E depende de nós:
a velocidade com que ela vai brotar, a firmeza da raiz, a qualidade dos frutos.

Mas, a partir daí, o caminho interno está aberto.
E demore o tempo que for — 10 ou 20 anos, uma existência ou muitas — essa chama vai crescer, a árvore vai dar frutos.

Porque não existe barreira que o Amor não consiga penetrar.
E quanto tempo isso leva é irrelevante. Pois o tempo não existe.

Não estamos à deriva.
Existe um universo — e várias realidades — nos aguardando.
Mas isso só pode ser acessado quando retiramos a fantasia de “autoajuste”
e retornamos ao que é verdadeiro.

Um pequeno ritual para reabrir o canal

Se você sente que já está pronto para retornar à sua tribo interior, pode tentar isso com um pequeno ato simbólico:

🌿 Acenda uma vela branca. (com cuidado e segurança, como devemos ter ao lidar com o fogo)
🌿 Sente-se em silêncio, em um momento só seu, onde não será incomodado.
🌿 Traga consciência ao corpo. Se faça presente.
🌿 Respire com calma até se sentir relaxada, sem pensar em nada. Só relaxe. Só esteja.
🌿 Sinta o Universo ao seu redor, não se sinta pequeno, se sinta parte do todo, imprescindível, peça   importante da grande engrenagem divina.
🌿 Sinta o amor de todos que te amam, nessa existência e os amigos que fez ao longo da eternidade.
🌿 Se perdoe porque não somos o que fazemos. Quem estamos agora não é quem somos, não define nossa verdade.
🌿 Você tem força para se proteger de qualquer coisa, você é um fractal divino que só precisa acender a luz interna.
🌿 Sinta paz, sinta gratidão por se dar esse momento.

E diga, de coração aberto:

“Eu retorno à minha linhagem com humildade e verdade.
Eu me reconecto àqueles que me sustentam no invisível.
Eu me recebo como sou e me incluo em mim.
Sou parte. Sou forte. Sou caminho.”

Reprogramação interna: da crítica à pergunta certa

Parte da exclusão de si nasce no diálogo interno.
Então, podemos começar a treinar o cérebro a pensar diferente.

Em vez de perguntar:

– “Por que eu sou assim?”
– “Por que eu nunca consigo?”
– “Por que todo mundo anda, menos eu?”

Troque por perguntas que abrem portais, e não que cavem fossas:

– “O que posso aprender com este momento?”
– “Que parte minha está pedindo acolhimento agora?”
– “Quais habilidades eu posso ativar para atravessar isso com mais consciência?”
– “Que virtude está sendo lapidada neste desafio?”
– “Como posso ser minha própria base segura agora?”

Quando você muda as perguntas, muda o campo de resposta.
O importante não é mais justificar o que está ruim, mas buscar o que pode ser bom.

Seu cérebro — e sua alma — reorganizam os mapas internos.
E assim, você sai da posição de vítima para a de protagonista amorosa da própria história.

A solidão termina onde o autoacolhimento começa

A verdade é que ninguém poderá te incluir completamente se você mesmo se mantém do lado de fora.
O vazio do não pertencimento só se dissolve quando você se reconecta com o que sempre esteve aí: você.

Você mesmo, inteiro.
Sem a necessidade de se esconder para se encaixar.
Sem precisar se podar para ser amado.

Aos poucos, o coração volta a confiar.
A frequência muda completamente.
E você começa a atrair pessoas, experiências e relações onde pode, finalmente, existir inteiro.

Ressignificar a autoestima foi transformador.
Porque autoestima, no fim das contas, é uma consequência — e não um fardo com o qual precisamos conviver.

É o reflexo do amor que você tem por si, quando não precisa mais ser outro para merecer aceitação.

Você já é.
Nós já somos.
Só precisamos lembrar.

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A maioria das conversas sobre autoestima chega, em algum momento, naquele conselho: você precisa se amar mais.

Eu sempre achei isso meio complicado.

Como é que eu faço para “me amar mais” se mal sei quem eu sou? Se não consigo entender o que sinto, o que quero, o que aceito só para agradar ou quantas decisões tomo tentando corresponder ao que esperam de mim?

Talvez, antes de falar de amor-próprio, a gente precise falar de uma coisa bem menos bonita: honestidade.

Honestidade para reconhecer quando não queremos estar num lugar. Quando alguma relação deixou de fazer sentido. Quando estamos cansados. Quando concordamos só para não criar conflito. Quando dizemos que está tudo bem e sabemos que não está.

Isso parece simples escrito num artigo. Na vida real, pode mexer com medos bem antigos.

Porque ser honesto consigo mesmo nem sempre significa fazer aquilo que queremos na hora. Às vezes significa reconhecer que estamos com medo, que estamos sendo injustos, que queremos aprovação ou que uma escolha que parecia muito boa simplesmente não combina mais com a pessoa que estamos nos tornando.

E talvez autoestima comece muito antes de gostar da própria imagem no espelho.

Será que eu sei mesmo o que estou sentindo?

Uma coisa que comecei a perceber é como, às vezes, temos dificuldade para falar do que sentimos sem colocar outra pessoa no meio.

Perguntam como estamos e respondemos: “ninguém me entende”, “fulano me irritou”, “ninguém me dá atenção”.

Só que isso ainda fala muito mais sobre o que o outro fez ou deixou de fazer do que sobre o que está acontecendo dentro da gente.

Estou triste? Frustrada? Com medo? Me senti rejeitada? Estou com raiva porque esperava uma coisa diferente? Estou carente? Ou talvez esteja apenas cansada e tudo tenha ficado maior naquele dia?

Eu mesma nem sempre sei responder.

E acho interessante perceber isso porque passamos muito tempo querendo que as outras pessoas entendam necessidades que nós mesmos ainda não conseguimos reconhecer direito.

Aí fica fácil colocar no mundo a responsabilidade de preencher alguma coisa que nem sabemos muito bem o que é.

Isso não significa que todas as nossas necessidades devam ser resolvidas sozinhas. Nós precisamos de afeto, relação, cuidado, pertencimento e apoio. Somos seres que vivem em relação.

A questão é outra: quanto da minha estabilidade estou colocando na obrigação de alguém agir exatamente como eu preciso?

Porque aí qualquer mudança do lado de fora começa a mexer demais com o lado de dentro.

A distância entre o que eu penso e o que eu faço

Uma palavra que faz muito sentido para mim quando penso nisso é coerência. Para mim, ela começa quando aquilo que penso, sinto, digo e faço deixa de viver em mundos completamente separados.

Não quer dizer conseguir alinhar tudo perfeitamente. Acho que ninguém vive assim.

Às vezes eu sei o que gostaria de fazer e ainda não consigo. Posso perceber que preciso colocar um limite e levar semanas para ter coragem. Posso saber que determinada situação não me faz bem e, mesmo assim, continuar ali durante algum tempo.

Mas existe uma diferença entre ainda não conseguir fazer alguma coisa e passar a vida tentando convencer a mim mesma de que aquilo não importa.

Talvez seja essa diferença que comecei a perceber.

Quando vou me conhecendo melhor, fica mais difícil não perceber quando estou me abandonando para caber numa situação.

E isso aparece em coisas pequenas.

Eu digo “sim” querendo dizer “não”. Rio de alguma coisa que me incomodou. Aceito um comportamento porque tenho medo de perder uma relação. Concordo para não parecer difícil. Fico onde já não quero ficar porque não sei o que vai acontecer se eu sair.

Uma vez ou outra, faz parte da vida. O problema é quando isso vira a maneira como eu me relaciono comigo.

Aí fica difícil construir autoestima em cima de afirmações positivas porque, no cotidiano, continuo recebendo de mim mesma uma informação muito diferente.

E onde entra a paz nisso?

Durante muito tempo eu pensei na paz quase como um sinal: se determinada escolha trouxesse paz, provavelmente era porque eu estava no caminho certo.

Hoje eu colocaria mais cuidado nessa ideia.

A paz pode ser uma referência muito interessante, mas não acho que funcione como um detector de verdade.

Às vezes uma decisão muito coerente dá uma ansiedade enorme.

Dizer “não” pela primeira vez pode dar medo. Sair de uma relação pode trazer tristeza, mesmo quando sabemos que ela terminou. Colocar um limite pode fazer o corpo inteiro reagir se passamos a vida tentando não desagradar ninguém.

Então sentir desconforto não significa necessariamente que estamos fazendo alguma coisa contra nós mesmos.

Da mesma forma, sentir alívio também não prova que fizemos a melhor escolha. Às vezes fugir de uma situação difícil traz um alívio imediato e, ainda assim, sabemos que precisaremos lidar com aquilo em algum momento.

Talvez a paz que me interessa hoje seja menos uma sensação instantânea e mais uma coisa que aparece quando consigo olhar para uma escolha e perceber que, mesmo com medo, eu consigo me reconhecer nela.

Posso estar nervosa e, ao mesmo tempo, saber por que estou fazendo aquilo. Posso estar triste sem sentir que me abandonei ou ter dúvidas e ainda assim perceber que aquela decisão foi tomada por mim, e não apenas pelo medo da reação dos outros. Para mim, essa paz tem mais a ver com parar de brigar comigo mesma.

O corpo participa dessa conversa

Depois de escrever sobre sistema nervoso, isso ficou ainda mais claro para mim.

Ansiedade, tensão, aperto no peito ou dificuldade para relaxar não são mensagens prontas dizendo que estamos “fora do nosso caminho”. Nosso corpo reage por muitos motivos, inclusive por aprendizagens antigas. Uma escolha nova pode ser boa para nós e, ainda assim, provocar uma resposta de alerta simplesmente porque é nova.

Por isso comecei a prestar mais atenção sem tentar traduzir imediatamente cada sensação.

O que aconteceu antes de eu ficar assim? O que estou imaginando que pode acontecer? Estou com medo da escolha ou da reação que ela pode provocar? Essa sensação já apareceu em outras situações parecidas?

Às vezes encontro alguma resposta. Em outras, não.

Mas só o fato de perguntar já muda minha relação com aquilo.

Em vez de o corpo decidir por mim, ele começa a participar da conversa.

Eu gosto de entender como as coisas funcionam

Eu gosto de explicações. Gosto de pegar uma ideia, confrontar com aquilo que já aprendi, pesquisar, testar e reorganizar o que penso quando alguma coisa nova faz mais sentido.

Foi assim também com a chamada coerência cardíaca.

Existe uma resposta fisiológica interessante quando respiramos de maneira lenta e ritmada. A respiração pode influenciar a variabilidade da frequência cardíaca e a atividade do sistema nervoso autônomo, e práticas respiratórias são estudadas justamente pela relação com regulação emocional e estresse. O Instituto HeartMath usa o termo “coerência cardíaca” para um padrão mais organizado da variabilidade do ritmo cardíaco, frequentemente associado a uma respiração em torno de seis ciclos por minuto.

Acho isso interessante, mas não preciso transformar essa informação em prova de que o coração sabe qual decisão devo tomar. Posso usar a respiração para diminuir um pouco o ruído, me regular e conseguir prestar atenção em mim com mais clareza.

A resposta continua sendo minha.

E a frequência de 528 Hz?

Eu gosto de trabalhar com sons e frequências em práticas meditativas porque percebo o quanto eles podem ajudar a diminuir o barulho de fora e criar um estado mais favorável para olhar para dentro. A música mexe com a nossa atenção, com o ritmo da respiração, com o estado emocional e pode facilitar momentos de relaxamento e introspecção.

A frequência de 528 Hz aparece bastante nesse universo e costuma ser associada à transformação, ao amor e, em algumas linhas espiritualistas, ao chakra cardíaco. Eu gosto desse simbolismo e acho que ele pode participar da prática, principalmente quando usamos o som com uma intenção específica. Só faço uma separação que considero importante: uma coisa é o significado espiritual que atribuímos à frequência; outra é aquilo que já conseguimos demonstrar cientificamente sobre seus efeitos.

Existem estudos investigando como diferentes frequências sonoras e músicas podem influenciar estresse, relaxamento e algumas respostas fisiológicas. No caso específico de 528 Hz, os trabalhos ainda são poucos e não permitem afirmar que ela provoque um estado emocional determinado ou que atue diretamente sobre um chakra. Isso não invalida a experiência de quem usa. Só significa que não precisamos transformar uma experiência subjetiva ou espiritual em uma afirmação científica para que ela tenha valor.

Quando uso 528 Hz, gosto de encarar o som como um apoio. Coloco a frequência, respiro, observo meu estado e vejo o que acontece comigo naquele momento. Às vezes ela facilita bastante a concentração; em outros dias, outra música funciona melhor. Acho mais interessante perceber a própria experiência do que entrar numa prática esperando sentir exatamente aquilo que disseram que aquela frequência deveria provocar.

No fim, o som pode ajudar a criar o espaço. O que acontece dentro desse espaço depende de muitas outras coisas: de como chegamos, do que estamos vivendo, do nosso estado naquele dia e também da forma como nos permitimos estar presentes.

Uma experiência simples

Às vezes eu gosto de parar alguns minutos, colocar uma música tranquila — pode ser 528 Hz, se você gostar —, respirar mais devagar e levar a atenção para a região do peito.

Não precisa acontecer nada extraordinário. A ideia é apenas diminuir um pouco o barulho para conseguir se escutar e, a partir daí, perceber que perguntas aparecem.

O que está me incomodando de verdade nessa situação? Estou fazendo alguma coisa só porque tenho medo de desagradar? O que eu faria se não precisasse provar nada para ninguém? Existe alguma escolha minha que já não combina comigo, mas que continuo repetindo porque é conhecida?

Não espero que o coração responda com uma voz.

Às vezes não vem resposta nenhuma. Em outros momentos, a pergunta simplesmente continua comigo e alguma coisa começa a fazer sentido depois. Para mim, isso já é suficiente.

Talvez autoestima tenha mais a ver com confiança

Quanto mais penso sobre autoestima, menos consigo enxergá-la como a obrigação de gostar de tudo em mim. Tem dias em que eu não gosto de algumas coisas, partes minhas que ainda quero mudar e outras que continuo tentando compreender. O que começou a fazer mais sentido foi construir uma relação comigo em que eu consiga confiar um pouco mais nas minhas próprias escolhas.

Se digo que alguma coisa me faz mal, consigo me levar a sério? Quando percebo que ultrapassei um limite, consigo fazer alguma coisa a respeito? Quando erro, consigo reconhecer sem transformar aquilo numa sentença sobre quem eu sou?

Talvez a autoestima vá sendo construída nesse tipo de relação.

Não numa grande declaração de amor por si mesma, mas em pequenas experiências nas quais vamos percebendo que não precisamos nos abandonar todas as vezes que existe risco de alguém não gostar da nossa escolha.

Isso leva tempo.

Principalmente para quem passou boa parte da vida aprendendo a se adaptar antes mesmo de perguntar o que queria.

A paz como bússola

Então ainda gosto da ideia da paz como bússola.

Só entendo essa bússola de um jeito diferente hoje.

Ela não aponta uma seta verde toda vez que faço a escolha certa. Também não transforma ansiedade em sinal de caminho errado.

Para mim, essa paz aparece quando existe menos distância entre a pessoa que estou conhecendo por dentro e a vida que estou conseguindo viver por fora. E essa aproximação nem sempre é confortável. Às vezes ela exige uma conversa difícil, uma mudança de hábito, um limite, uma despedida ou simplesmente admitir uma coisa que eu preferia continuar fingindo que não sabia.

Mesmo assim, existe alguma tranquilidade quando a gente para de tentar se convencer do contrário. Talvez seja daí que o amor-próprio comece a nascer: não de chegar a um ponto em que finalmente aprendemos a gostar de tudo em nós, mas de ir construindo uma relação em que precisamos nos abandonar cada vez menos.

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O corpo que não mente? Quando o sistema nervoso entra na conversa https://umbandaempalavras.com/corpo-sistema-nervoso-emocoes/ https://umbandaempalavras.com/corpo-sistema-nervoso-emocoes/#respond Wed, 25 Jun 2025 17:00:11 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=240 Tem coisa que a gente entende com a cabeça muito antes de conseguir viver de verdade. Você sabe que não precisa agradar todo mundo, mas continua ficando tensa quando precisa dizer não. Entende que uma relação terminou, segue a vida, mas alguma situação parecida acontece e o corpo reage antes mesmo de você conseguir organizar […]

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Tem coisa que a gente entende com a cabeça muito antes de conseguir viver de verdade.

Você sabe que não precisa agradar todo mundo, mas continua ficando tensa quando precisa dizer não. Entende que uma relação terminou, segue a vida, mas alguma situação parecida acontece e o corpo reage antes mesmo de você conseguir organizar o pensamento. Ou percebe racionalmente que está tudo bem, só que continua inquieta, com dificuldade para relaxar, como se alguma parte sua ainda estivesse esperando alguma coisa acontecer.

Eu acho isso muito interessante porque mostra uma coisa que às vezes esquecemos: entender alguma coisa não significa necessariamente que já conseguimos mudar a forma como reagimos a ela.

Talvez seja por isso que alguns processos sejam tão frustrantes. A gente lê, pensa, conversa, entende de onde veio determinado comportamento e chega naquela sensação de “pronto, agora entendi”. Só que, alguns dias depois, acontece alguma coisa e lá estamos nós reagindo praticamente do mesmo jeito.

Durante muito tempo eu pensei nessa diferença como se existisse uma briga entre a mente e o corpo. Hoje não vejo tanto assim. Acho mais útil pensar que o nosso organismo também aprende e que muitas das nossas respostas foram sendo construídas ao longo da vida, às vezes muito antes de termos consciência delas.

O corpo também participa do que aprendemos

Nosso sistema nervoso está o tempo inteiro recebendo informações e ajudando o organismo a responder ao que acontece. Parte dessas respostas nem depende de uma decisão consciente. O coração acelera, a respiração muda, os músculos ficam tensos, a digestão pode ser afetada e o corpo se prepara para lidar com aquilo que percebe.

Isso ajuda a entender por que algumas reações aparecem tão rápido. Uma experiência anterior pode fazer com que determinado tom de voz, expressão, ambiente ou situação nos deixe em alerta, mesmo quando racionalmente sabemos que estamos vivendo outro momento.

Não precisamos transformar toda reação emocional em trauma para entender que aprendemos também pela experiência.

Se durante muito tempo eu aprendi que discordar gera conflito, por exemplo, posso desenvolver o hábito de ceder antes mesmo de me perguntar se quero ceder. Se cresci tentando perceber o humor das pessoas ao meu redor para evitar problemas, talvez continue prestando uma atenção enorme a qualquer mudança de expressão, mesmo quando não existe nenhum perigo real naquela situação.

Isso não quer dizer que exista uma frase guardada dentro do corpo dizendo “discordar é perigoso”. É só uma forma de explicar algo mais complexo. O que vamos construindo são associações, expectativas e formas de reagir que, de tanto serem repetidas, ficam familiares.

E muitas vezes essas respostas aparecem antes do discurso que criamos sobre quem somos.

Mas o corpo sabe a verdade?

No texto antigo eu escrevia que “o corpo sabe a verdade”.

Eu ainda gosto da ideia, mas hoje colocaria uma interrogação depois dela.

O corpo pode mostrar que alguma coisa está acontecendo conosco, mas isso não significa que ele saiba automaticamente o que está acontecendo. Essa diferença é importante porque um coração acelerado, por exemplo, pode ter vários motivos. Posso estar diante de alguma coisa que realmente me assusta, aquela situação pode me lembrar outra, pode ser ansiedade, cansaço, cafeína, alguma questão física ou uma mistura de tudo isso.

Uma dor de cabeça também não chega com uma legenda dizendo: “isso aqui é uma emoção que você não expressou”. Seria muito mais fácil se fosse assim.

Por isso comecei a gostar menos da ideia do corpo como um oráculo que entrega respostas e mais da ideia do corpo como uma fonte de informação que também precisa ser interpretada.

Às vezes ele chama nossa atenção para alguma coisa que ainda não percebemos. Outras vezes está simplesmente cansado.

E acho importante falar sobre isso principalmente porque quem vive a espiritualidade pode ter ainda mais facilidade para transformar qualquer sensação física em significado. Sentiu um aperto e já pensa em energia. Sentiu um arrepio e conclui que alguma entidade chegou. Ficou cansada num lugar e entende imediatamente que absorveu alguma coisa.

Pode existir uma percepção espiritual ali? Dentro daquilo que acredito, pode.

Mas eu não preciso decidir isso nos primeiros cinco segundos.

O corpo também é corpo, e sintomas persistentes, intensos ou preocupantes precisam ser olhados como questões de saúde antes de receberem uma explicação emocional ou espiritual.

Quando a situação passou, mas a reação continua

Uma das coisas mais estranhas é perceber que você já mudou de contexto, mas algumas respostas continuam aparecendo.

Você já não está naquela relação, já não mora naquela casa, não convive mais com determinada pessoa e sabe racionalmente que aquela fase terminou. Só que alguma situação parecida acontece e você reage com uma intensidade que até você estranha.

Isso não significa necessariamente que exista alguma coisa errada dentro de você.

Nosso cérebro aprende a partir das experiências e cria associações. Isso é útil porque não precisamos reaprender tudo do zero o tempo inteiro. O problema é quando uma resposta que fez sentido em determinado momento continua aparecendo em situações em que talvez já não seja necessária.

É aí que o autoconhecimento começa a ficar interessante.

Em vez de apenas perguntar “por que eu sou assim?”, posso começar a observar em que situações isso aparece, o que aconteceu imediatamente antes, o que pensei, o que senti no corpo e qual foi a minha reação. Não para criar mais uma fiscalização sobre mim mesma, mas para conhecer o padrão.

Porque às vezes a gente chama de “meu jeito” ou de “minha personalidade” uma forma de reagir que simplesmente repetiu por tanto tempo que ficou familiar.

E perceber isso não significa que será fácil mudar.

Só significa que agora eu consigo enxergar um pouco melhor o que está acontecendo.

Entender ajuda, mas viver diferente ensina outra coisa

É aqui que a neuroplasticidade começa a fazer sentido para mim sem precisar virar uma promessa de transformação mágica.

Nosso cérebro continua capaz de aprender e de se adaptar ao longo da vida. A repetição e as experiências que vivemos participam desse processo, mas aprender alguma coisa nova não significa apagar tudo o que existia antes e instalar uma versão nova de nós mesmos.

Talvez por isso uma afirmação repetida no espelho nem sempre consiga competir com anos de experiência.

Eu posso dizer cinquenta vezes “eu consigo colocar limites”, mas existe uma diferença enorme quando, numa situação real, consigo colocar um limite e descubro que sobrevivi à experiência. Talvez eu fique nervosa, minha voz trema e depois eu ainda passe duas horas pensando se fui grossa, mas aconteceu alguma coisa nova: dessa vez eu fiz diferente.

Quando essas experiências começam a se repetir, nosso repertório também aumenta. Eu deixo de ter apenas uma resposta possível para determinada situação e começo, aos poucos, a perceber que existem outras maneiras de agir.

Isso não acontece de forma linear.

Às vezes você trabalha uma questão durante meses, acha que já mudou bastante e, de repente, se vê reagindo exatamente como fazia antes. Eu não entendo isso como prova de que todo o processo foi perdido. Aprendizado humano não funciona como uma escada em que subimos um degrau e nunca mais voltamos.

Tem dias em que conseguimos fazer diferente. Em outros, o velho caminho aparece primeiro.

E a gente continua aprendendo.

Perceber antes de tentar consertar

No texto antigo eu falava muito em parar, respirar e observar.

A ideia continua fazendo sentido para mim, mas hoje eu não transformaria isso numa sequência de passos que precisa funcionar sempre do mesmo jeito.

Quando alguma situação me desorganiza, tenho tentado perceber primeiro o que realmente aconteceu antes de correr para consertar o que estou sentindo.

O que meu corpo fez naquela hora? Onde apareceu a tensão? Qual foi o primeiro pensamento? Eu reagi ao que realmente aconteceu ou ao significado que dei para aquilo? Essa sensação me parece conhecida? Em que outras situações eu fico assim?

Nem sempre tenho resposta na hora. Às vezes só percebo o que aconteceu muitas horas depois, mas já acho interessante quando consigo voltar para a situação e enxergar alguma coisa que antes teria passado completamente despercebida.

Porque consciência não é saber explicar tudo sobre si mesma.

Às vezes é simplesmente começar a perceber.

E existe uma diferença enorme entre perceber depois, perceber durante e, quem sabe um dia, perceber antes de reagir.

Nem tudo precisa ser reprogramado

Outra coisa que eu mudaria no texto antigo é essa sensação de que precisamos reprogramar tudo aquilo de que não gostamos em nós.

Hoje eu não penso mais assim.

Existem respostas que realmente causam sofrimento e que vale a pena trabalhar. Algumas precisam ser compreendidas antes de serem modificadas, outras mudam à medida que a própria vida muda e há situações que podem precisar de ajuda profissional.

Também existem partes nossas que talvez nunca fiquem exatamente como gostaríamos.

E isso faz parte de se conhecer.

Autoconhecimento não deveria criar uma nova obrigação: a de virar uma pessoa perfeitamente equilibrada, que entende todos os seus gatilhos, interpreta cada sensação corretamente e nunca mais reage de forma automática.

Eu nem sei se essa pessoa existe.

O que tenho percebido é que, quanto mais conheço meu jeito de funcionar, um pouco mais de escolha aparece. Às vezes ainda vou reagir como sempre reagi. Em outras situações consigo perceber enquanto está acontecendo e fazer alguma coisa diferente. E há momentos em que só entendo tudo depois que passou.

Mesmo assim, esse “depois” já é diferente de nunca perceber.

E onde a espiritualidade entra nisso?

Para mim, a espiritualidade não precisa competir com aquilo que sabemos sobre corpo, emoção ou sistema nervoso.

Uma experiência pode ter uma dimensão emocional e, para quem acredita, também pode ter uma dimensão espiritual. O problema começa quando escolhemos uma explicação antes mesmo de observar o que está acontecendo.

Eu posso entrar num lugar e sentir algo diferente. Posso perceber um ambiente pesado, uma mudança de estado ou alguma coisa que, dentro da minha experiência mediúnica, reconheço como percepção espiritual.

Mas ainda posso me perguntar como eu estava antes de chegar ali, o que aconteceu naquele ambiente, o que meu corpo está mostrando e se existe alguma outra explicação possível.

Acho que discernimento também é isso.

Não transformar tudo em espiritual, mas também não precisar negar a espiritualidade para parecer racional.

Talvez seja justamente essa capacidade de observar sem concluir rápido demais que nos ajuda a conhecer melhor tanto a nossa percepção quanto os nossos próprios padrões.

Hoje eu escuto o corpo de outro jeito

Eu continuo dizendo que o corpo fala, desde que a gente entenda essa frase como uma metáfora.

O corpo participa das nossas emoções, reage ao estresse, muda quando estamos com medo, quando relaxamos, quando nos sentimos ameaçados ou seguros. E as experiências que acumulamos ao longo da vida também participam da maneira como percebemos e respondemos ao mundo.

Só não acho mais que cada reação física seja uma mensagem secreta esperando para ser decodificada.

Hoje, quando alguma coisa aparece no corpo, tento observar antes de procurar uma resposta pronta. Às vezes encontro uma emoção que eu ainda não tinha percebido. Em outras reconheço um padrão antigo, percebo que uma situação me afetou mais do que eu imaginava ou descubro simplesmente que estou exausta e preciso dormir.

E acho que essa também é uma forma de voltar para mim.

O corpo não precisa decidir qual é a verdade por mim. Ele só precisa ter espaço para participar da conversa.

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A construção do personagem e o abandono silencioso da alma https://umbandaempalavras.com/a-construcao-do-personagem-e-o-abandono-silencioso-da-alma/ https://umbandaempalavras.com/a-construcao-do-personagem-e-o-abandono-silencioso-da-alma/#respond Wed, 25 Jun 2025 16:50:33 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=237 A gente não percebe quando começa.Na verdade, eu nem faço ideia de onde começou.E nem vou perder tempo procurando, porque o que importa é o que eu quero ser a partir de agora.O passado já passou, e é agora, no presente, que posso atuar. Não me vejo mais como um retrato do meu passado, como […]

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A gente não percebe quando começa.
Na verdade, eu nem faço ideia de onde começou.
E nem vou perder tempo procurando,
porque o que importa é o que eu quero ser a partir de agora.
O passado já passou, e é agora, no presente, que posso atuar.

Não me vejo mais como um retrato do meu passado, como se minhas experiências me representassem por completo.
O que eu sou agora é, sim, resultado das interpretações que fiz das situações que vivi.
Então, agora adulta, posso revisar essas interpretações, chegando a novas conclusões para ressignificar muitas crenças que ainda rodam, em segundo plano, aqui no meu HD.

Acho que esse processo de se perder de si mesmo é tão natural quanto aprender a andar ou a falar.
Faz parte do “modus operandi” desse Sistema Terra que vivemos.
Faz parte do que chamam de “crescimento” o aprendizado de como se adaptar:
observar as pessoas à nossa volta e aprender como devemos nos comportar para ser aceitos.

Mas quase ninguém nos ensina a escutar o que sentimos enquanto nos adaptamos.
A Comunicação Não Violenta propõe que todo comportamento é uma tentativa de atender a uma necessidade.
E o que a gente faz, ao se moldar, é exatamente isso: buscar pertencimento, segurança, amor.
Só que, muitas vezes, somos ensinados que nossos sentimentos e necessidades são “demais”, “fora de hora”, “inconvenientes”.
A gente não aprende a dizer: “estou com medo porque queria apoio”, ou “estou frustrado porque minha voz não foi ouvida”.
A gente aprende a silenciar.
A ceder.
A calar.

Na Psicanálise, isso é chamado de recalque.
O ego, como defesa, aprende a empurrar para o fundo tudo que parece ameaçar a aceitação ou a estabilidade emocional.
É como se disséssemos para nós mesmos: “isso aqui não pode existir, porque não é seguro”.
E aos poucos, esse movimento vira padrão.
Um automático emocional.

Jung chama isso de construção da persona: a máscara social que criamos para sermos aceitos no mundo.
Ela é uma adaptação necessária, mas não é a nossa verdade.
O problema começa quando confundimos essa máscara com quem realmente somos.
Porque por trás dela existe algo muito mais profundo: o Self.
O centro da nossa autenticidade, espontaneidade, integridade.
Enquanto a persona vive perguntando “como eu devo ser visto?”,
o Self quer saber:
“quem eu sou, mesmo que ninguém esteja olhando?”

E quanto mais a gente se afasta desse centro, mais os sintomas aparecem: angústia, cansaço, sensação de vazio, a impressão de que estamos “fazendo tudo certo” e mesmo assim algo está errado.

Vamos então para o início do problema:
Será que não deveríamos crescer aprendendo a fazer escolhas e nos colocar no mundo buscando a nossa felicidade?
Como posso contribuir com autenticidade se não sei quem sou?
Se eu sou só o que esperam de mim, qual é a minha real função?

Não aprendemos a lidar com sentimentos, só a reprimi-los.
“Para de chorar!”
“Empresta o brinquedo pro amiguinho!”
“Deixa de ser chata!”
“Para de pedir as coisas!”
“Deixa de ser sensível!”
Somos tolhidos nos mínimos atos e palavras.

Não é como se houvesse um dia claro em que escolhemos nos abandonar.
É um processo sutil. Um corte pequeno por vez.
Um gesto que incomodou, e você aprendeu a conter.
Uma verdade que foi ignorada, e você aprendeu a calar.
Um desejo seu que foi considerado “demais”, “estranho”, “fora de hora”
e você aprendeu a esconder.

E cada um desses pequenos gestos de “ajuste” foi um tijolo na construção de um personagem.
Esse personagem tem um propósito: manter você seguro.
Ele aprendeu o que era permitido, o que era louvado, o que era conveniente.
E passou a se moldar para isso.

A gente não sabe o quanto isso vai nos custar.
Ninguém explica, porque ninguém também sabe.
Só ouvimos que o mundo é cruel, e que, se não soubermos nos adaptar, seremos engolidos.
Então, o mais inteligente parece ser: “seja aceito, cause menos problema”.
Somos todos sobreviventes tentando fazer o melhor a cada geração.
Cada um escondendo seus medos, defendendo seu Eu, buscando segurança.

Mas, olhando de outro ângulo, o ângulo da alma, isso tem outro nome: traição.
Não à moral, nem à sociedade. Mas a si mesmo.
Traição do seu centro. Do seu chamado. Da sua espontaneidade.
Aquela que só existe quando a gente ainda não aprendeu que precisa caber.

Talvez “traição” soe como palavra forte.
Afinal, ninguém nos ensinou outro caminho.
Mas… será que a gente procurou?
Ou optamos pelo caminho mais fácil, já que era o mais comum?

Agora, com outra visão, eu entendo:
Essa outra versão minha, que funciona, que é eficiente, admirável, compreensiva, ela não é má.
Ela é adaptada.
Ela foi moldada como armadura.
Mas ninguém aguenta viver dentro de uma armadura o tempo todo.

Com o tempo, a alma começa a murchar.
Não porque ela desaparece.
Mas porque não tem mais onde respirar.

Então, em resumo, na psicanálise temos o recalque.
Na psicologia junguiana a persona, a máscara social.
E a Umbanda chamaria de afastamento da essência, da missão espiritual.
E uma hora, você começa a sentir que tem algo fora do lugar.
Mas não sabe o quê.

Vem o desconforto.
Vem o vazio.
Vem o “não sei mais quem eu sou”.

E aí você tenta resolver sem sair da zona de conforto:
Mais performance.
Mais leitura.
Mais busca por espiritualidade.
Mais técnica.
Mais remédio.
Mas nenhuma técnica funciona quando você tenta curar o personagem — em vez de permitir que ele vá.

E aí vem a pergunta que ninguém gosta de fazer:
Quem você precisou ser para se sentir aceito?
E o que de você precisou ser trancado no porão para essa versão existir?

Não há julgamento aqui. Só uma pausa.
Porque talvez, nesse momento, alguma parte sua esteja batendo na porta.
Não para te acusar.
Mas para te lembrar: sua alma nunca foi embora.
Ela só foi silenciada.
E está pronta para voltar.
Se você permitir.

Você ainda está aí, querendo conhecer seus sentimentos, seus limites, seus gostos, seus pontos fortes e fracos.
E não importa quanto tempo passou — enquanto há vida, há tempo para viver.

Talvez tenha chegado a hora de se apresentar ao mundo.
Cumprir seu papel.
Deixar de ser coadjuvante.
Ou, como dizem os gamers, um personagem não jogável, um NPC.

Assuma a responsabilidade pela sua vida.
Pela sua felicidade.
Tem muitos faróis por aí — autores, mestres, técnicas, ferramentas.
Mas não tem pra onde correr: a resposta está dentro de você.

E só aceitando a vergonha de termos sido tão frágeis, e de termos criado um personagem nem sempre tão agradável, é que vamos conseguir nos olhar de verdade.

A tarefa agora é buscar, dentro de si, o que é seu.
E deixar ir, com coragem, o que nunca foi.

Espero que mais gente se anime a entrar nessa montanha-russa emocional,
Com alegria e tristeza nos tirando do porão escuro,
E expandindo nosso brilho
Para que a gente também se torne um farol.
Um farol de esperança.
De superação.
De coragem.
E, acima de tudo, de autenticidade.

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Já percebeu como a gente vai construindo um “eu” para dar conta do mundo?
Um “eu” que funciona.
Um “eu” que agrada.
Que sabe o que dizer, como se portar, como parecer segura.
E a gente se acostuma tanto com essa versão… que um dia acorda e percebe:
não sabe mais quem é sem ela.

Venho me observando há bastante tempo, nesse processo de autoconhecimento.
São tantos altos e baixos, mas aprendi que não devemos ter pressa.
A palavra é realmente observação.

Ficam muitas informações acumuladas, muitas sem sentido, como um grande quebra-cabeça.
Mas aprendi que é só ter paciência que as coisas sempre clareiam.
Aos poucos, vão surgindo o que chamam de insights, que nada mais são do que peças desse quebra-cabeça.

Os pensamentos sobre autoestima começaram a se formar na minha mente…
Essa pergunta não nasceu da mente.
Ela nasceu de um incômodo. Um vazio sem nome.
De um desconforto sutil que se arrasta mesmo nos dias bons.

Analisando os sentimentos agregados à baixa autoestima, podemos percorrer um caminho para desmistificar muitas coisas que temos como verdadeiras mas, na real, não passam de historinhas criadas ao longo dos anos para mascarar verdades mais profundas.

Foi nesse caminhar que enxerguei, lá no fundo do baú escondido entre outras fantasias, o medo.
Isso me chamou atenção porque, até então, o medo era uma consequência e não a causa.

Segundo a ciência, nascemos apenas com dois tipos de medo: o de barulho alto e o de altura.
Que tantos medos são esses que tenho dentro de mim, então?
Se não são reais, vão ter que desaparecer, porque não fazem sentido.
Entendi que o medo é bem infantil, começa na dificuldade de se ver como um indivíduo,
saindo da infância e tendo que encarar o mundo,
tantos sentimentos novos que ninguém explica como lidar.

Vamos observando e convivendo com o medo das pessoas e aprendendo quais os medos devemos absorver para sobreviver.
O medo de ser autêntico cria bases em vários desses medos que entendemos como primordiais para a sobrevivência:
– o medo de ser julgado, feio, chato, desagradável, falar demais;
– o medo de ser criticado, nossos gostos, jeito de se vestir, preferências musicais, ser mais caseiro;
– o medo de frustrar as expectativas que as pessoas colocam em nós: ser educado, tirar boas notas, ser elogiado, ter os sonhos corretos.

Então vamos criando nossa personalidade de acordo com os medos que achamos necessários para nos proteger.
Em algum momento esquecemos desse medo, que fica pulsando lá no fundo, alimentando todo o sistema, mas escondido.

Quando crescemos e precisamos nos olhar e questionar, já que precisamos desenvolver habilidades para atuar no mundo adulto, surge a baixa autoestima.
Não importa em que área ela esteja, não importa se está disfarçada de insegurança ou de uma autoconfiança exagerada, não importa o quanto o nosso ego é capaz de disfarçá-la, ela está lá.

Mas será que ela é real?
Com quem eu me comparo para me sentir menor, menos capaz, menos bonito, menos engraçado, menos legal?
Será que essas referências são atualizadas com o passar do tempo?
Ou ainda me comparo àquele amigo da 5ª série que era superpopular na escola?
Será que minha vergonha de me expor ainda vem daquela vez em que eu, na escola, falei uma palavra errada e todo mundo riu da minha cara?

Será que, depois de tantas experiências vividas, erros e acertos, alegrias e decepções, eu ainda me importaria que uma amiga dissesse que meu cabelo está feio?
Me importaria de dar uma opinião e alguém dizer que eu estou errada? Será que eu não consigo fundamentar minhas opiniões e sustentar meu ponto de vista?
Será que hoje em dia, com tanta bagagem emocional, eu realmente me importo se alguém concorda comigo?

Sinceramente, eu acho que não!
Eu preciso contar isso para o meu ego urgentemente!
Preciso apagar essas histórias do meu programa e dizer a ele que eu não sou mais criança.

Com tudo que eu já vivi, não preciso me basear nas crenças de mundo de outras pessoas.
Seja mãe, avó, tios, amigos…
Assim como não preciso ter medo de fantasmas, como eu tinha quando assistia aos filmes de terror na adolescência.
Já tenho experiência para me relacionar com o mundo espiritual de forma saudável.

Aprendi com muitos erros e acertos que, quando identificamos o problema, ele já está praticamente resolvido.
Então, vamos dar mais um passo para dentro, para despertar quem eu sou de verdade.

Chegou a hora de entender para começar a ressignificar.
Dá trabalho, mas sempre vale a pena.
Pegar cada historinha, sem medo, procurando as mentiras e fantasias escondidas em cada uma delas.

Eu passei anos achando que sofria de baixa autoestima.
Tentando curar essa tal falta de amor-próprio com fórmulas e frases prontas.
Mas nada colava.
Era como tentar regar uma planta de plástico.
Não importava o quanto eu me esforçasse, não havia raiz ali.
Até que caiu uma ficha dura:
Eu não estava tentando me amar.
Eu estava tentando amar uma versão de mim que nunca foi minha.

Essa versão nasceu do medo.
Do medo de não ser aceita, de incomodar, de ser rejeitada.
Então fui me lapidando. Cortando pedaços.
Virando alguém que agrada. Que cabe.
E, sem perceber, fui me ausentando.
Fui ficando longe de mim.
E essa distância começou a doer.
Mas eu não sabia o nome da dor.
Chamava de insegurança. De autossabotagem. De baixa autoestima.
Mas era outra coisa.
Era orfandade interna.
Era a alma chamando por mim.

Hoje, eu olho pra trás e entendo:
não era falta de amor.
Era falta de verdade.
A autoestima não nasce do esforço de se amar.
Ela nasce do alívio de voltar a ser quem se é.

E talvez, ao ler isso agora, algo dentro de você comece a se lembrar de quem sempre foi…
Porque quando você se habita de novo,
quando para de fingir, de forçar, de caber…
o amor volta. A presença volta. A paz volta.

Se você também sente essa ausência,
não se cobre por não se amar ainda.
Pergunte antes:
quem é que eu estou tentando amar? Sou eu?
Se não for, talvez seja hora de voltar.
Voltar não pra um lugar, mas pra dentro.

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