Muita gente procura Ogum quando sente a vida travada.
Quando tudo parece pesado, quando oportunidades não aparecem, quando os caminhos parecem fechados, logo surge o pedido: “Pai Ogum, abra meus caminhos.”
O pedido é legítimo. A fé também.
Mas talvez exista uma pergunta anterior que poucos fazem:
Como abrir caminhos para quem escolheu permanecer parado?
Mas que caminhos são esses que pedimos?
O caminho que Ogum abre está diretamente relacionado ao caminho moral que devemos trilhar!
Porque se as situações que eu vivencio são consequências das escolhas que eu faço, então concluímos que as minhas escolhas determinam a realidade que vivo.
Então eu preciso viver com a força de Ogum em minha vida para que ele “facilite” o meu aprendizado e eu aprenda a fazer boas escolhas, de acordo com a realidade que eu quero viver.
Já sabemos que o Universo funciona por sintonia, seguindo as Leis regidas por Ogum: Lei da Ação e Reação, Lei do Retorno, Lei da correspondência, Lei da afinidade, e inúmeras Leis que regem a Criação.
Então, se eu me sintonizo com o positivo, atraio o positivo.
Se eu emano amor, recebo amor, se emano disciplina, recebo energias ordenadas e se emano coragem e coerência, sintonizo com infinitas oportunidades de crescimento (material, profissional, emocional …….)
Se estou imantado com a energia divina de Ogum, se não nado contra maré: Ele ilumina, fortalece e abre os caminhos que precisam ser percorridos.
Ele é como o ar que alimenta o fogo da vida.
A abertura ou fechamento de caminhos está diretamente ligada à conduta diante das Leis.
Cada um é responsável pela própria evolução. São as minhas escolhas que determinam as oportunidades que gero como consequência.
Entendemos aqui o que muitas pessoas têm dificuldade para entender:
Não basta pedir uma vida melhor
Não basta pedir para abrir caminhos.
Quais caminhos eu sou capaz de trilhar? De sustentar?
Se não fizermos nossa parte, nossa vida não muda, porque quem dá o passo somos nós. A Umbanda, a Espiritualidade coloca à nossa disposição todas as ferramentas que precisamos para que a gente use. Mas temos que meter a mão na massa, não dá para terceirizar a responsabilidade.
Criou-se a ideia de que abrir caminhos significa receber facilidades, milagres rápidos ou soluções prontas. Como se a espiritualidade pudesse fazer por nós aquilo que a vida espera que façamos por nós mesmos. Existe a fantasia de que fazer magia ou firmeza seja suficiente para conseguir o que nós achamos que merecemos ou temos direito. Como uma moeda de troca, eu pago e a espiritualidade obedece.
Mas os caminhos não se abrem apenas do lado de fora. Muitas vezes, eles se abrem primeiro por dentro, quando a mente sai da confusão, quando abandonamos desculpas antigas, quando a coragem vence a procrastinação e quando alguém decide parar de adiar a própria vida.
Talvez o primeiro caminho fechado nunca tenha sido externo.
Talvez sempre tenha sido interno.
Quantas vezes pedimos prosperidade sem desenvolver disciplina?
Ou pedimos amor sem aprender a amar?
Quantas vezes pedimos direção vivendo em distração constante?
E Quantas vezes pedimos oportunidades sem estarmos preparados para sustentá-las?
Não parece castigo.
Parece coerência.
Ogum representa ordem, retidão, movimento e Lei.
Por isso sua vibração fortalece quem assume responsabilidade, quem organiza a própria vida, quem escolhe caminhar mesmo sem garantias.
A força de Ogum encontra espaço onde existe postura.
Não onde existe acomodação.
Há pessoas esperando portas abertas há anos, enquanto continuam alimentando os mesmos hábitos que as mantêm fechadas. Repetem padrões antigos, adiam decisões importantes, culpam terceiros e seguem esperando algum resgate externo.
Depois concluem que nada muda.
Mas como a vida mudaria, se a própria pessoa insiste em continuar igual?
Talvez pedir caminhos abertos seja menos importante do que fazer algumas perguntas:
Que caminho eu realmente quero trilhar?
Tenho coragem de sustentar a vida que peço?
Se a oportunidade chegasse hoje, eu estaria pronto?
Essas perguntas incomodam.
Mas também libertam.
Ogum não carrega ninguém no colo. Ele fortalece quem decide levantar. Não organiza uma vida que a própria pessoa insiste em bagunçar todos os dias, não sustenta mentira pessoal e não empurra quem fez da estagnação moradia.
Às vezes, abrir caminhos significa fechar ciclos. Significa encerrar desculpas antigas, distrações constantes, dependências emocionais e velhas versões de si mesmo. Só depois disso alguns caminhos começam a aparecer.
Existe uma porta que muita gente ignora: a porta da ação. E ela costuma estar destrancada há anos, mas exige coragem para ser atravessada.
Talvez o caminho que você espera de Ogum já esteja diante de você há muito tempo: na conversa que precisa ter, na decisão que precisa tomar, na disciplina que precisa criar ou no medo que precisa atravessar.
Porque quando a pessoa se move de verdade, algo também se move ao redor dela.
E, quando postura encontra merecimento, a vida responde.
Trazendo a Lei do Livre-arbítrio, podemos escolher quem queremos ser, e nos direcionar para onde queremos chegar.
A ideia não é “para Ogum vai me levar”.
É “onde eu consigo chegar se eu estiver sintonizado com Ogum?”
Então talvez a pergunta de hoje não seja:
“Ogum vai abrir meus caminhos?”
Talvez seja:
Por que continuo pedindo estrada…
se ainda me recuso a dar o primeiro passo?
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