Arquivo de Espiritualidade - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/espiritualidade/ Umbanda como caminho de cura, consciência e amor Tue, 08 Sep 2026 18:39:42 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://umbandaempalavras.com/wp-content/uploads/2025/06/cropped-ChatGPT-Image-16-de-jun.-de-2025-13_40_34-1-32x32.png Arquivo de Espiritualidade - Umbanda em Palavras https://umbandaempalavras.com/tag/espiritualidade/ 32 32 MEDIUNIDADE: UM SENTIDO QUE NÃO APRENDEMOS A USAR? https://umbandaempalavras.com/mediunidade-desenvolvimento-mediunico-percepcao/ https://umbandaempalavras.com/mediunidade-desenvolvimento-mediunico-percepcao/#respond Tue, 01 Sep 2026 23:44:57 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=367 Há algum tempo, acompanhando pessoas em seus processos de desenvolvimento mediúnico, uma coisa começou a chamar minha atenção. O que eu vejo são pessoas sinceramente interessadas em aprender, mas também muito preocupadas em acertar. “Será que eu estou sentindo alguma coisa?”“Isso é meu ou é da entidade?”“Por que eu não sinto como fulano sente?”“Será que […]

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Há algum tempo, acompanhando pessoas em seus processos de desenvolvimento mediúnico, uma coisa começou a chamar minha atenção. O que eu vejo são pessoas sinceramente interessadas em aprender, mas também muito preocupadas em acertar.

“Será que eu estou sentindo alguma coisa?”
“Isso é meu ou é da entidade?”
“Por que eu não sinto como fulano sente?”
“Será que eu estou inventando?”
“Quando eu vou incorporar?”
“E se eu não conseguir me entregar?”

As perguntas são sempre as mesmas e, apesar de parecerem diferentes, nascem de um mesmo lugar: a sensação de que, de alguma forma, elas já deveriam saber fazer aquilo, ou vergonha por não saber.

São muitas as abordagens para conversar sobre mediunidade ou desenvolvimento mediúnico, mas comecei a perceber que nenhuma delas tocava exatamente aquele lugar.

Eu acredito que, quanto mais consciência colocamos naquilo que vivemos, mais verdadeira e completa pode ser a experiência. Por isso, para mim, não basta viver um processo: preciso tentar compreendê-lo, da sua raiz à sua manifestação.

Talvez seja por isso que eu tenha o hábito de desmontar os processos em partes e observá-los por ângulos diferentes. Uma explicação que organiza a experiência de uma pessoa pode não fazer qualquer sentido para outra. Então observo, questiono, experimento novas leituras e deixo que algumas certezas também sejam revistas.

Quanto mais formas encontramos de olhar para o mesmo processo, mais detalhes conseguimos perceber.

Foi assim que comecei a olhar de outra maneira para o desenvolvimento mediúnico.

A primeira reflexão que chegou foi bastante simples: ninguém espera que uma criança nasça sabendo andar.

E foi a partir dessa ideia que uma nova visão começou a se estruturar.

Bem, a criança.

Em algum momento, depois de alguns meses de vida, num processo natural de desenvolvimento, ela tenta ficar de pé, perde o equilíbrio, cai, tenta novamente. Nós seguramos suas mãos. Seu corpo vai aprendendo. Aos poucos, aquilo que exigia enorme concentração se torna automático.

Também não esperamos que uma criança pequena saiba explicar tudo o que sente.

Ela sente primeiro, e depois alguém dá nome:
“Está quente.”
“Isso é frio.”
“Você está com medo.”
“Esse barulho veio dali.”
“Está doendo aqui?”

Ensinamos a reconhecer sons, distinguir vozes, identificar cores, perceber temperaturas, localizar uma dor, equilibrar o corpo, interpretar expressões.

Aos poucos, aquilo que exigia esforço se torna tão natural que esquecemos que um dia precisou ser aprendido.

Pouco a pouco, a criança aprende não apenas a perceber o mundo, mas também a organizar aquilo que percebe. E fazemos isso de maneira tão natural que, quando adultos, esquecemos que houve aprendizagem.

Hoje não preciso me concentrar para calcular a distância entre minha mão e um copo antes de pegá-lo. Não preciso pensar conscientemente em cada movimento necessário para caminhar até uma porta.

Meu corpo percebe, calcula e responde.

Aprendemos a habitar nossos sentidos.

Foi pensando nisso que uma pergunta começou a tomar forma para mim:

E se uma parte da dificuldade que encontramos no desenvolvimento mediúnico estiver justamente no fato de que nunca fomos ensinados a reconhecer essa forma de percepção?

UM SENTIDO QUE NÃO RECEBEU EDUCAÇÃO

Gosto de pensar na mediunidade como uma espécie de sexto sentido. E vou explicar o que quero dizer com isso.

Não estou afirmando que a mediunidade seja, biologicamente, um sexto sentido humano comprovado pela ciência. Essa seria uma afirmação diferente e exigiria evidências que não pretendo fabricar.

Estou só propondo uma forma de pensar.

Nossos sentidos reconhecidos são estimulados, nomeados e socialmente validados desde muito cedo. Aprendemos a confiar neles, mas também aprendemos a questioná-los.

Sabemos, por exemplo, que podemos nos enganar, enxergar algo errado, não entender direito um som ou até confundir uma sensação.

Ou seja: se perceber não significa necessariamente interpretar corretamente, por que esperaríamos que fosse diferente com a mediunidade?

NÃO CHEGAMOS SEM REFERÊNCIAS

Quando uma pessoa adulta chega ao desenvolvimento mediúnico, ela não chega como aquela criança descobrindo tranquilamente uma nova capacidade. Ela chega carregada de referências.

Chega com histórias que ouviu sobre espíritos, com imagens construídas por filmes, relatos assustadores, religiões e tudo aquilo que aprendeu a associar ao mundo espiritual.

Chega com imagens de incorporação. Com experiências religiosas anteriores. Com medo. Com expectativa. Com ansiedade. Com desejo de pertencer. Com vontade de acertar.

Algumas pessoas querem desesperadamente sentir, enquanto outras têm muito medo de sentir.

Algumas querem incorporar rapidamente porque entendem a incorporação como confirmação de sua mediunidade. Outras passam boa parte do processo resistindo exatamente à possibilidade de perder o controle.

E, no meio de tudo isso, talvez estejamos pulando uma pergunta muito mais elementar:

O que você percebe?
Não o que você acha que significa.
Não quem você acredita que esteja perto.
Não qual entidade seria.
Não se aquilo é “bom” ou “ruim”.

O que, efetivamente, você percebeu?
Foi uma mudança de temperatura?
Um pensamento?
Uma emoção repentina?
Uma alteração corporal?
Uma imagem mental?
Uma vontade?
Uma sensação difícil de nomear?

Ou talvez você não tenha percebido absolutamente nada.

Antes de interpretar, existe a experiência.
E essa distinção, para mim, tornou-se fundamental.

Perceber, Observar, Discernir. E, só então, depois disso, interpretar.

TALVEZ ESTEJAMOS TENTANDO COMEÇAR PELO FINAL

Quando pensamos em desenvolvimento mediúnico, é muito fácil colocar nossa atenção nos fenômenos.

Incorporação. Clarividência. Intuição. Percepção de presenças. Comunicação.

Mas talvez estejamos olhando para o final de um processo e chamando aquilo de desenvolvimento.

A incorporação, por exemplo, pode ser uma expressão da mediunidade. Mas ela não pode ser a medida de toda experiência mediúnica. Uma pessoa não necessariamente está mais desenvolvida porque incorpora.

Da mesma maneira, alguém que percebe intensamente não necessariamente possui maior discernimento sobre aquilo que percebe.

Sensibilidade e Maturidade não são a mesma coisa.

Isso muda bastante a pergunta.
Em vez de: “Como faço para incorporar?”, podemos começar perguntando: “Como eu percebo?”

Depois:
“Como reconheço minhas próprias sensações?”
“Como diferencio percepção de interpretação?”
“Como reconheço meus medos, desejos e expectativas dentro da experiência?”
“Como aprendo a regular minha sensibilidade?”
“Como construo discernimento?”

E talvez seja exatamente aqui que desenvolvimento humano e desenvolvimento mediúnico deixem de ser coisas separadas. Porque quem percebe não é uma mediunidade abstrata. É uma pessoa.

Com corpo, história, emoções, crenças, traumas, desejos, vaidades, inseguranças, expectativas e escolhas.

Tudo isso atravessa a experiência mediúnica.

QUANDO PERCEBER AINDA EXIGE ESFORÇO

Existe um modelo bastante conhecido no campo da aprendizagem chamado de quatro estágios da competência, que cabe perfeitamente nessa reflexão.

INCOMPETÊNCIA INCONSCIENTE
Primeiro, eu não sei e nem sei que não sei.

INCOMPETÊNCIA CONSCIENTE
Depois, descubro que não sei.

COMPETÊNCIA CONSCIENTE
Em seguida, começo a aprender e preciso prestar atenção para conseguir fazer.

COMPETÊNCIA INCONSCIENTE
Até que, depois de prática e experiência, determinadas habilidades podem se tornar mais naturais.

Gosto desse modelo porque ele oferece uma imagem muito simples de algo que acontece em praticamente toda aprendizagem, e que também pode nos ajudar a pensar o desenvolvimento mediúnico.

Talvez muitas pessoas cheguem ao terreiro justamente no momento em que começam a perceber que não sabem lidar com aquilo que percebem.

E isso pode ser desconfortável. Porque tornar-se consciente de uma incapacidade geralmente é. Mas perceber que ainda não sabemos não deveria ser motivo de vergonha. É o começo da aprendizagem.

O problema aparece quando tentamos atravessar essa etapa rapidamente para ocupar o lugar de quem “já sabe”. É aí que podemos começar a forçar sensações, imitar manifestações, procurar confirmação em tudo, comparar nossa experiência com a do outro ou transformar qualquer alteração interna em mensagem espiritual.

Talvez uma parte do sofrimento do desenvolvimento mediúnico venha justamente da expectativa de saber fazer algo que nunca aprendemos a fazer.

Se isso for verdade, precisamos mudar também nossa maneira de conversar sobre o assunto.

EDUCAÇÃO DA PERCEPÇÃO

Foi aqui que aquela comparação inicial começou, para mim, a ganhar outro tamanho.

Talvez desenvolver mediunidade não seja simplesmente desenvolver fenômenos. Talvez seja também uma educação da percepção.

E, quando penso em educação, penso em processo. Em começar a prestar atenção no que sinto, observar antes de concluir, reconhecer como eu normalmente funciono para depois perceber quando alguma coisa muda.

Penso também em conseguir conviver um pouco melhor com a dúvida. Não precisar preencher imediatamente aquilo que ainda não sei. Conseguir dizer “não sei” sem achar que isso diminui minha mediunidade.

Porque talvez uma das coisas mais difíceis nesse processo seja justamente não dar uma explicação espiritual para tudo aquilo que surge dentro de nós.

Isso pode parecer contraditório, mas, para mim, é justamente o contrário. Levar a espiritualidade a sério exige discernimento.

Afinal, se tudo é espírito, nada precisa ser investigado.

Se todo pensamento repentino é comunicação, toda angústia é obsessão, todo arrepio é presença e toda intuição é orientação de guia, em algum momento deixamos de observar o que acontece e começamos apenas a encaixar nossas experiências em explicações que já estavam prontas.

E não é isso que eu entendo como ampliar a percepção.

Talvez uma espiritualidade mais consciencial comece justamente aí: na capacidade de sustentar uma pergunta por algum tempo, sem precisar correr para uma resposta.

NÃO SOMOS APENAS RECEPTORES

Ainda tem outra consequência dessa forma de pensar. Normalmente falamos da mediunidade como se o médium fosse alguém que recebe alguma coisa. Uma parte passiva no processo, independente de suas experiencias, habilidades e conhecimento.

Mas qualquer relação pressupõe interação, troca.

Dentro da compreensão espiritual com a qual trabalho, não somos recipientes vazios esperando a aproximação de um espírito. Nós também participamos. Costumo dizer que fazemos parte da equipe e, por isso preciso ser parceira e fazer minha parte da melhor forma possível.

Nós participamos dessa relação com aquilo que somos naquele momento: nossa condição emocional, nossos pensamentos, nossa intenção, nossa história e, também, nosso próprio campo.

É justamente por isso que autoconhecimento não pode ser um adereço dentro do desenvolvimento mediúnico. Quanto menos conheço meus próprios movimentos, mais difícil se torna distinguir aquilo que mudou.

Para reconhecer o que talvez não seja meu, preciso começar conhecendo aquilo que é meu. E isso leva tempo.

Percepção é algo que se exercita e pode exigir aprendizagem, atenção, experiência e discernimento. Por isso, estudo, prática e desenvolvimento pessoal também fazem parte desse processo. Quanto mais eu conheço aquilo que acontece dentro de mim, mais elementos tenho para observar aquilo que muda.

E aqui espiritualidade e conhecimento sobre o funcionamento humano podem conversar sem que um precise fingir ser o outro.

MEDIUNIDADE NÃO SE LIGA NA PORTA DO TERREIRO

Há ainda uma consequência que acho muito importante abordar.

Se compreendemos a mediunidade apenas como aquilo que acontece durante uma gira, corremos o risco de nos tornarmos médiuns capazes de participar de um trabalho espiritual, mas incapazes de compreender nossa própria sensibilidade no restante da vida.

Para mim, somos médiuns também na vida cotidiana. A mediunidade faz parte de nós e conversa com a nossa percepção do mundo físico, energético e espiritual. Não é algo que começa quando entramos no terreiro e termina quando saímos.

Somos médiuns, assim como somos humanos, vinte e quatro horas por dia.

Mas isso não significa estar “aberto” o tempo todo, incorporar fora de hora ou perceber espíritos permanentemente. Pelo contrário, desenvolver a mediunidade também envolve aprender a lidar com essa sensibilidade, entender seus limites e perceber quando é necessário se reorganizar.

Por isso, quando digo que somos médiuns vinte e quatro horas por dia, não estou dizendo que precisamos estar em estado de trabalho mediúnico o tempo inteiro. Estou dizendo que a mediunidade faz parte de quem somos e da maneira como percebemos e nos relacionamos com o mundo.

Talvez seja parecido com o que acontece com nossos outros sentidos. Continuamos ouvindo quando não estamos prestando atenção aos sons e continuamos sentindo cheiros, temperaturas e sensações físicas sem precisar analisar cada uma delas. Aos poucos, aprendemos o que merece nossa atenção e o que simplesmente faz parte do ambiente.

Por que com a percepção mediúnica seria necessariamente diferente?

É nesse sentido que, para mim, se desenvolver mediunicamente não é aprender a “ligar” a mediunidade. É aprender a viver conscientemente com ela.

E isso inclui outra coisa que considero fundamental: não espiritualizar tudo.

Somos seres espirituais, mas também somos humanos. Temos emoções, conflitos, questões de saúde, dificuldades nos relacionamentos e lidamos com as consequências das nossas próprias escolhas. Nem tudo o que nos acontece precisa ter uma origem espiritual.

Discernimento também passa por isso: observar o que está acontecendo e tentar compreender onde aquela questão precisa ser cuidada, sem correr para uma explicação pronta.

Isso também é desenvolvimento mediúnico. E talvez seja uma das partes mais importantes dele.

ENTÃO, A MEDIUNIDADE É UM SEXTO SENTIDO?

Eu poderia terminar tentando responder essa pergunta, mas já não tenho certeza de que ela seja a pergunta mais interessante.

Não sei se algum dia a ciência chamará a mediunidade de sexto sentido. E também não preciso dessa chancela para pensar sobre aquilo que observo dentro da experiência religiosa e mediúnica.

A pergunta que ficou para mim é outra:

O que acontece quando passamos a olhar para a mediunidade como uma capacidade perceptiva que também precisa de educação?

Porque, se olhamos dessa forma, algumas coisas mudam.

Talvez a preocupação em sentir alguma coisa extraordinária perca um pouco da importância. Talvez seja mais interessante aprender a prestar atenção.

Também deixa de fazer muito sentido comparar quem sente mais, quem incorpora primeiro ou quem parece ter manifestações mais intensas. O que importa é entender como cada pessoa percebe e, principalmente, o que ela faz com aquilo que percebe.

Até a dúvida ganha outro lugar.

Não saber imediatamente se uma sensação é minha, se veio do ambiente ou se tem alguma origem espiritual não precisa ser um fracasso. Pode ser exatamente o ponto de partida da investigação.

E aquela pergunta tão comum no desenvolvimento: “quem é?”, talvez possa esperar um pouco.

Antes dela, existe outra:
“O que eu percebi?”

Acho que é nesse ponto que começa a aparecer com mais clareza o que costumo chamar, nas nossas rodas de conversa, de Consciencial da Umbanda.

Não como uma nova verdade pronta, mas como uma forma de olhar para a própria experiência umbandista. Quanto mais ampliamos nossa relação com aquilo que não vemos, mais precisamos ampliar também a consciência sobre nós mesmos.

Porque não vejo muito sentido em desenvolver uma sensibilidade espiritual cada vez maior se, junto com ela, não desenvolvemos discernimento, responsabilidade e capacidade de escolha.

Para mim, uma coisa precisa acompanhar a outra.

Volto, então, à imagem que iniciou esta reflexão.
Uma criança não aprende a caminhar porque alguém explica perfeitamente o funcionamento das pernas.

Ela experimenta, perde o equilíbrio, descobre o próprio corpo, tenta de novo. Aos poucos, aprende. E um dia caminha sem precisar pensar em cada passo.

Talvez tenhamos tornado o desenvolvimento mediúnico excessivamente misterioso ao esquecer algo muito simples: ninguém deveria se sentir obrigado a saber usar aquilo que nunca foi ensinado a reconhecer.

Talvez desenvolver a mediunidade tenha menos a ver com produzir algo extraordinário e mais com aprender a lidar com uma percepção para a qual nunca recebemos educação.

No fim, talvez seja isso: aprender a perceber conscientemente.

E talvez essa seja a nossa parte no trabalho. Se fazemos parte de uma equipe, também precisamos nos preparar para ocupar bem o nosso lugar nela. Conhecer nossa própria percepção, aprender a discernir, estudar, cuidar do nosso campo e assumir responsabilidade pelo que fazemos com aquilo que percebemos.

Às vezes fico pensando na quantidade de vezes em que reclamamos que nada acontece. Que não sentimos, que os guias não se aproximam, que não recebemos resposta.

E me vem uma imagem: os guias do outro lado se esforçando, tentando orientar, apontando, quase gritando “é por aqui!”, enquanto a gente está distraído, olhando para o outro lado e esperando acontecer alguma coisa completamente diferente.

Tenho certeza de que eles estão fazendo a parte deles.

E talvez esteja aí uma parte do desenvolvimento mediúnico sobre a qual por aqui falamos muito: assumir a nossa responsabilidade no processo.

Porque pode parecer muito mais fácil esperar que a espiritualidade faça alguma coisa conosco do que perceber que nós também fazemos parte dessa relação. Mas, na verdade, não é, porque somos nós que movimentamos o processo.

Se somos uma equipe, não basta esperar que os guias estejam preparados para trabalhar conosco. Nós também precisamos estar preparados para trabalhar com eles.

E isso também se aprende.

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O Verdadeiro Malandro Não Engana Ninguém  https://umbandaempalavras.com/malandro-na-umbanda/ https://umbandaempalavras.com/malandro-na-umbanda/#respond Sat, 25 Apr 2026 00:28:54 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=304 O que a Linha dos Malandros pode ensinar sobre saber viver. Eu acho curioso que uma Linha chamada de Malandros tenha tanto a ensinar sobre ética. Fora da Umbanda, quando a gente fala em malandro, quase sempre vem aquela imagem da pessoa esperta que engana, tira vantagem, passa alguém para trás e ainda acha bonito […]

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O que a Linha dos Malandros pode ensinar sobre saber viver.

Eu acho curioso que uma Linha chamada de Malandros tenha tanto a ensinar sobre ética.

Fora da Umbanda, quando a gente fala em malandro, quase sempre vem aquela imagem da pessoa esperta que engana, tira vantagem, passa alguém para trás e ainda acha bonito ter conseguido. Só que, quando a gente começa a observar a Linha dos Malandros dentro da Umbanda, essa ideia vai ficando pequena.

O Malandro conhece a rua, conhece gente e entende muito bem a diferença entre conversa boa e conversa furada. Sabe que nem todo sorriso é amizade, que nem toda oportunidade precisa ser agarrada e que, às vezes, sair de uma situação é muito mais inteligente do que insistir nela.

Talvez seja justamente por conhecer tão bem esse lado da vida que ele tenha tanto a ensinar sobre como caminhar por ela sem perder a própria direção.

Eu venho pensando na Umbanda como uma espécie de manual da vida. Não um manual com uma resposta pronta para cada problema, mas um lugar onde vamos aprendendo, aos poucos, a lidar com coisas que fazem parte da experiência de todo mundo: escolhas, relações, limites, perdas, desejos, medo, responsabilidade.

E cada Linha ensina isso de um jeito.

O Preto-Velho pode chamar nossa atenção para uma coisa, o Caboclo pode fazer a gente olhar para a mesma situação por outro ângulo, Exu pode colocar luz em algo que estava passando despercebido. Os Malandros também têm a sua forma de ensinar e, para mim, ela passa muito por entender o movimento da vida, perceber o ambiente e saber que nem tudo precisa ser resolvido batendo de frente.

Por isso gosto de pensar nos Guias também como professores.

Eles não chegam explicando tudo de uma vez. Às vezes uma entidade fala uma frase simples numa consulta e a gente acha que entendeu. Passam alguns dias, acontece alguma coisa e aquela frase volta na cabeça. Só então a gente percebe que tinha ali muito mais coisa do que conseguimos enxergar na hora.

Acho que eles ensinam muito assim, aos poucos, na medida em que a gente também se coloca no lugar de quem quer aprender. E talvez uma das grandes aulas da Linha dos Malandros seja justamente sobre isso: aprender a viver com mais atenção.

Afinal, o que é malandragem?

Para mim, jogo de cintura é uma das primeiras coisas que aparecem quando penso nessa Linha.

Só que ter jogo de cintura não significa fazer qualquer coisa para conseguir o que se quer. Tem mais a ver com conseguir entender onde você está, com quem está lidando e qual é a melhor forma de agir naquela situação sem precisar deixar seus próprios valores de lado.

Tem situações em que vale falar e outras em que ficar quieto é mais inteligente. Às vezes é preciso insistir um pouco mais, mas também existem momentos em que continuar insistindo só vai fazer a gente gastar energia com algo que já não faz sentido.

Isso parece bem óbvio quando a gente fala, mas na vida real nem sempre é.

Quantas vezes percebemos que uma situação já não está boa e continuamos nela? Quantas discussões levamos adiante mesmo depois de entender que ninguém mais está ouvindo ninguém? Quantas vezes respondemos alguma coisa na mesma hora só porque fomos provocados e, depois, pensamos que talvez tivesse sido melhor esperar um pouco?

Eu vejo muito da malandragem aí, nessa capacidade de perceber a situação antes de simplesmente reagir a ela.

Às vezes existe um espaço muito pequeno entre o que acontece e aquilo que fazemos com o que aconteceu. Só que, quando a gente começa a perceber esse espaço, algumas perguntas aparecem. Eu preciso mesmo entrar nessa discussão? Preciso responder agora? Estou fazendo isso porque realmente quero ou porque meu orgulho foi atingido? Essa pessoa está me mostrando alguma coisa que eu não quero ver ou está simplesmente tentando me puxar para um lugar onde eu não quero estar?

Talvez a esperteza que os Malandros ensinam tenha muito mais a ver com isso do que com ser mais esperto que alguém.

Aprender a ler a vida

No texto antigo eu escrevi uma frase de que ainda gosto: o Malandro lê a cartilha da vida.

Hoje eu entendo essa frase de um jeito um pouco diferente.

Ele lê porque presta atenção. Observa as pessoas, percebe os ambientes, aprende com aquilo que vive e começa a reconhecer situações que já conhece. Não porque nunca erre ou porque tenha sempre a resposta certa, mas porque existe uma atenção para o que está acontecendo.

Isso não quer dizer que toda situação ruim tenha sido colocada no nosso caminho para ensinar alguma coisa. Tenho cada vez mais cuidado com esse tipo de ideia, porque nem toda dor precisa virar lição e nem tudo o que acontece tem um sentido que a gente vai conseguir encontrar.

Tem coisas que machucam, perdas que doem, injustiças e situações que talvez nunca façam sentido. Ainda assim, depois que alguma coisa já aconteceu, em algum momento pode surgir uma pergunta importante: o que eu faço com isso agora?

Para mim, essa mudança de pergunta tem muito a ver com a sabedoria dessa Linha.

Não significa fingir que não doeu ou transformar sofrimento em sinal de fraqueza. É conseguir perceber que, mesmo quando eu não tive escolha sobre aquilo que aconteceu, talvez tenha alguma escolha sobre o que vou fazer daqui para a frente.

E essa parte, sim, é minha.

Esperteza também precisa de limite

Tem gente que confunde esperteza com a capacidade de levar vantagem.

Eu não consigo enxergar a malandragem da Umbanda desse jeito.

Uma pessoa pode ser extremamente inteligente e usar essa inteligência para manipular alguém. Pode perceber as fragilidades do outro, entender exatamente onde tocar e usar tudo isso para conseguir o que quer. Isso exige habilidade, claro. Mas eu não chamaria isso de sabedoria.

O que me chama atenção na Linha dos Malandros é justamente a mistura de esperteza com limite. É conseguir perceber quando alguém está tentando nos levar para determinado jogo e, ainda assim, escolher não jogar da mesma forma.

Às vezes isso significa se defender sem precisar destruir o outro, sair de uma situação sem transformar aquilo numa necessidade de vingança ou simplesmente reconhecer uma intenção ruim e decidir não alimentar mais aquilo.

Na teoria parece simples. Na prática, principalmente quando mexem num ponto sensível nosso, é outra história.

É muito fácil falar sobre equilíbrio quando ninguém está nos irritando. O problema começa quando alguém nos provoca, nos engana, nos desrespeita ou atinge justamente aquilo que ainda consegue tirar a gente do eixo.

É nessas horas que aquilo que a gente aprende dentro do terreiro começa a encontrar a vida real.

E a alegria?

Outra coisa que sempre me chama atenção nos Malandros é a alegria. E não estou falando daquela obrigação de estar bem o tempo inteiro ou de fingir que tristeza, raiva, cansaço e preocupação não existem.

O que me interessa é outra coisa: o quanto a gente vai carregando situações muito depois de elas terem terminado.

Às vezes uma conversa aconteceu uma vez, mas nós repetimos cinquenta dentro da cabeça. Pensamos no que deveríamos ter dito, imaginamos o que a pessoa quis dizer, criamos respostas, voltamos ao assunto e mantemos aquilo vivo muito depois de o acontecimento ter passado.

Eu faço isso também. E, quando percebo, já gastei muito mais energia com aquilo dentro da minha cabeça do que com o fato em si.

Talvez a leveza que eu vejo nos Malandros passe um pouco por saber quando uma coisa já cumpriu o tempo dela. Não é esquecer, fingir que nada aconteceu ou simplesmente mandar todo mundo “seguir em frente”. É entender o que dá para entender, fazer o que é possível fazer e perceber quando continuar alimentando aquilo já não está ajudando em nada.

Isso é diferente de não sentir.

Acho que é mais sobre não deixar que uma situação ocupe dentro da gente muito mais espaço do que ela precisa ocupar.

O que o Guia está tentando ensinar?

Talvez esse seja um dos pontos que mais tenham mudado na minha forma de olhar para a Umbanda.

É muito fácil procurar uma entidade pensando no que ela pode fazer pelo nosso problema. A gente quer saber se o caminho vai abrir, se alguma coisa vai ser tirada, se a situação vai mudar, se haverá proteção, se aquilo vai se resolver.

Eu entendo isso porque muitas vezes é justamente um problema que leva a gente até o terreiro.

Só que, com o tempo, comecei a perceber que existe uma outra pergunta que também pode ser feita: o que esse Guia está tentando me ensinar com essa conversa?

Porque, às vezes, a consulta parece falar sobre uma situação externa, mas o aprendizado está em outro lugar. Pode estar na dificuldade que tenho de colocar limite, na minha necessidade de aprovação, no impulso de responder a tudo, na insistência em uma situação que já terminou ou até na dificuldade de admitir que alguma escolha minha também participou daquele problema.

E o interessante é que os Guias nem sempre entregam isso como uma explicação completa.

Às vezes vem numa frase, numa brincadeira ou num comentário que, naquele momento, parece quase sem importância. A gente sai da consulta e segue a vida. Depois alguma coisa acontece e aquela fala volta.

Aí a ficha cai.

É isso que quero dizer quando falo que os Guias ensinam aos poucos. Algumas coisas simplesmente não conseguimos entender antes de viver um pouco mais.

E existe uma diferença grande entre procurar uma entidade apenas querendo uma resposta e chegar diante dela disposto a aprender alguma coisa.

O professor pode ser o mesmo. O que muda é a forma como eu me coloco diante dele.

O que eu tenho aprendido com essa Linha

Quanto mais penso nos Malandros, menos consigo associar malandragem a enganar alguém.

A malandragem que vejo ensinada nessa Linha tem muito mais a ver com aprender a andar pelo mundo prestando atenção. Entender que existem pessoas boas e outras nem tão bem-intencionadas, perceber que nem toda provocação merece resposta e reconhecer que algumas portas fechadas talvez não precisem ser arrombadas.

Também passa por uma coisa que nem sempre é confortável: perceber o quanto nós mesmos podemos entrar em algumas armadilhas.

Às vezes não foi ninguém que nos derrubou. Nós interpretamos uma situação de determinada forma, reagimos rápido demais, insistimos por orgulho ou ficamos tanto tempo tentando provar alguma coisa que esquecemos de perguntar se aquilo ainda fazia sentido.

Não gosto de usar isso para colocar toda responsabilidade sobre a pessoa, porque a vida não funciona assim. Existem situações em que realmente somos prejudicados, enganados ou machucados pelo outro. Mas também existem momentos em que olhar apenas para o que fizeram conosco impede que a gente perceba o que ainda pode fazer por si mesmo.

Talvez seja aí que a espiritualidade comece a deixar de ser apenas uma explicação para o que acontece ao nosso redor e passe a participar da forma como lidamos com o que acontece.

É por isso que gosto tanto dessa Linha.

Os Malandros não me parecem professores de como ganhar o jogo da vida. Até porque nem sei se existe esse jogo em que alguém realmente ganha tudo.

Para mim, eles ensinam a perceber melhor onde estamos pisando, com quem estamos lidando, quando vale insistir e quando é melhor mudar de caminho. E, no meio disso tudo, talvez exista uma pergunta ainda mais importante: quem eu escolho ser enquanto atravesso tudo isso?

Acho que é aí que a malandragem começa a ficar realmente interessante.

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Caráter e Ogum: A Força de Quem Anda Reto  https://umbandaempalavras.com/carater-ogum/ https://umbandaempalavras.com/carater-ogum/#respond Fri, 24 Apr 2026 16:42:50 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=287 Quando se fala em caráter, muita gente pensa apenas em moralidade superficial, boa imagem ou reputação. Como se caráter fosse parecer correto diante dos outros, manter uma aparência limpa ou sustentar um discurso bonito. Mas caráter quase nunca aparece no palco. Ele se revela nos bastidores, naquilo que ninguém vê, na escolha que ninguém aplaude, […]

O post Caráter e Ogum: A Força de Quem Anda Reto  apareceu primeiro em Umbanda em Palavras.

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Quando se fala em caráter, muita gente pensa apenas em moralidade superficial, boa imagem ou reputação. Como se caráter fosse parecer correto diante dos outros, manter uma aparência limpa ou sustentar um discurso bonito.

Mas caráter quase nunca aparece no palco. Ele se revela nos bastidores, naquilo que ninguém vê, na escolha que ninguém aplaude, na decisão tomada quando seria fácil mentir e na postura mantida mesmo quando seria mais conveniente ceder.

Porque caráter não é performance. É estrutura interna, por isso é um bom lugar para começar o processo de autoconhecimento, buscar se entender e identificar suas sombras.

Vivemos em um tempo em que parecer bom muitas vezes vale mais do que ser íntegro. Em que discursos emocionam, promessas convencem e aparências confundem.
Mas a vida, mais cedo ou mais tarde, mostra a diferença entre imagem e essência. É quando as máscaras caem, porque ninguém consegue fingir o tempo todo.

Na verdade, a pergunta é: para que? Porque temos que gastar tanta energia convencendo os outros?
Se é certo que não vamos agradar todo mundo, não é muito mais coerente ser nós mesmos? Vão ficar por perto aqueles que nos respeitam e entendem que a verdade vale muito mais que a ilusão.

E Ogum vibra justamente nesse ponto.

Ogum representa retidão, firmeza, coerência e Lei. Sua força não se impressiona com palavras bonitas, intenções declaradas ou justificativas inteligentes. Ela responde à verdade da conduta.

Ao que a pessoa faz.

Não ao que diz que faria.

Ter caráter sob a vibração de Ogum é entender que existem escolhas que ninguém verá, mas que definirão quem nos tornamos.

É devolver aquilo que poderia ser escondido.
É cumprir aquilo que foi prometido mesmo quando perdeu a graça.
É assumir um erro sem terceirizar a culpa.
É recusar vantagens obtidas pela desonestidade.
É manter e honrar a própria palavra quando seria fácil traí-la.
É não trair seus princípios por conveniência
É manter integridade mesmo em ambientes corrompidos

Muita gente acredita que caráter se prova em grandes momentos, mas normalmente ele se mostra nas pequenas repetições do cotidiano.

Na forma como você trata quem não pode lhe oferecer nada.
Na honestidade diante do dinheiro.
Na disciplina quando ninguém está cobrando.
Na fidelidade aos próprios princípios quando surge vantagem imediata.
Na coerência entre aquilo que exige dos outros e aquilo que pratica.

São nesses detalhes que uma vida se constrói ou se corrompe.

Ogum não vibra no famoso “jeitinho”. Ou seja, não vibra na esperteza usada para ferir, ou naquela mentira conveniente. Então é fácil entender que não tem como se sintonizar ou alcançar essa frequência divina enquanto se alimenta uma desordem moral.

Porque a força da retidão exige alinhamento. Essa é mais uma Lei, sendo repetitiva, ou estamos alinhados ou desalinhados, não existe o meio termo: ou está reto ou não está. Não existe “meio reto”.

E isso, para muitos, incomoda. Afinal, dá para fingir para as pessoas, e até para si mesmo, mas não tem como enganar Deus. Energia não mente: sintonizamos com o que vibramos. E assim é a Lei.

Ter caráter não é não ter sombras. Inclusive, o “não ter sombras” não é o objetivo. E sim reconhecer que elas existem e não permitir que governem sua vida.

Quando eu começo a entender quem eu sou, quando passo a aceitar minhas sombras e me integrar a elas, eu me aceito como humano. Aceitar essa humanidade é essencial para me sintonizar com essa vibração da Lei, porque automaticamente começo a reconhecer a humanidade nas outras pessoas.

Com isso, paro de agir como criança achando que tudo à minha volta tem a ver comigo, de pensar que tudo o que o outro fala ou faz é pessoal, carregado de mensagens ocultas ou ofensas. Fico vendo carapuças em todo lugar. Não tem como viver em paz assim. Perco meu tempo olhando para fora, julgando, fingindo e me adaptando, quando deveria estar olhando para dentro.

Todos carregamos impulsos, ego, medo, vaidade e tendências inferiores. O problema não é possuí-los. O problema é obedecê-los sem consciência.

É aí que a vibração de Ogum se torna necessária. Porque ela nos convida a colocar ordem onde antes havia confusão.

Ter caráter também não significa rigidez arrogante ou perfeição impossível. Significa reconhecer falhas e ainda assim escolher corrigi-las, significa cair e levantar limpo e sem vergonha, significa errar como um aprendiz em busca de conhecimento, significa não transformar fraquezas humanas em desculpa e justificativa para vitimização e paralisação.

Existe uma diferença importante entre falhar e se vender.

Todo ser humano falha, mas nem todo ser humano se entrega àquilo que sabe ser indigno. Parece pesado e tenho certeza que todos pensam em situações grandes quando escutam isso. mas estamos falando de dia a dia, da fofoca, da calúnia, da fila que se fura, da mentira que se conta para sair mais fácil de uma situação desagradavel, e ficaria aqui listando por páginas e mais páginas. Mas acho que deu para entender a abordagem.

Caráter começa quando a consciência pesa… e ainda assim escolhemos o certo. Mesmo sem plateia, sem recompensa imediata ou quando ninguém agradece.

Muitos querem a força de Ogum para vencer demandas externas, abrir caminhos e afastar obstáculos.

Mas ignoram que a primeira demanda, muitas vezes, está no próprio caráter. Na mentira repetida, na promessa vazia, na falta de palavra, na covardia disfarçada de prudência ou na conveniência travestida de inteligência. 

Enquanto isso não é enfrentado, muita coisa continua travada. Afinal, toda mudança de realidade começa de dentro para fora. O que vem de fora para dentro não se sustenta por muito tempo quando não encontra ressonância ou solo fértil para fincar raízes.

Ter caráter sob a vibração de Ogum é ser confiável e honrado.

E ser confiável hoje é raro.
É raro encontrar quem honra o que diz, quem não muda de valor conforme o ambiente, quem não negocia princípios por migalhas (normalmente emocionais), quem permanece inteiro mesmo em tempos corrompidos.

Mas é justamente isso que fortalece destinos.

Porque uma pessoa sem caráter pode até ganhar atalhos, mas dificilmente sustenta caminhos.

Talvez por isso tanta gente queira prosperar, evoluir e crescer sem antes trabalhar a própria base, querem altura sem estrutura, movimento sem eixo e vitória sem merecimento.

Ogum ensina o contrário: 

Primeiro firmeza.
Depois caminho.

Primeiro retidão.
Depois expansão.

Primeiro verdade.
Depois força.

Então talvez a pergunta de hoje não seja se você é visto como alguém de caráter.
Talvez seja mais profunda:

Quem você se torna…
quando ninguém está olhando?

Leia também:

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A Verdadeira Guerra de Ogum Acontece Dentro de Você https://umbandaempalavras.com/ogum-guerra-interna/ https://umbandaempalavras.com/ogum-guerra-interna/#respond Fri, 24 Apr 2026 16:35:36 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=281 Quando se fala em Ogum, muitas pessoas pensam imediatamente em batalhas, espada, escudo, demanda, guerra e enfrentamento. Criou-se a imagem de uma força voltada ao combate externo, à vitória sobre inimigos e à destruição de obstáculos. Mas talvez a maior batalha de Ogum seja justamente a guerra interna que acontece dentro de nós. Talvez ela […]

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Quando se fala em Ogum, muitas pessoas pensam imediatamente em batalhas, espada, escudo, demanda, guerra e enfrentamento. Criou-se a imagem de uma força voltada ao combate externo, à vitória sobre inimigos e à destruição de obstáculos.

Mas talvez a maior batalha de Ogum seja justamente a guerra interna que acontece dentro de nós.

Talvez ela esteja acontecendo agora, dentro de você.

Ogum é o campo onde os instintos precisam ser vencidos. É onde preciso ser guerreira para enfrentar meus próprios monstros, meus próprios dragões. 

O guerreiro não é aquele que procura guerra, e sim aquele que não foge da luta, que vai com medo mesmo, que não se vitimiza, que não abre mão das suas forças, que supera seus limites em busca de um bem maior, que nesse caso somos nós. 

Nossa vida e nossa evolução são os nossos maiores bens.

Existe uma guerra silenciosa que poucos percebem. 

A guerra entre aquilo que sabemos que devemos fazer e aquilo que continuamos evitando. Entre a disciplina e a preguiça. Entre a coragem e a desculpa. Entre o caráter e a conveniência. Entre a consciência e os impulsos.

Essa guerra interna é real.

E ela define destinos.

A guerra que ninguém vê

Muita gente acredita que seus maiores obstáculos estão nas pessoas, no ambiente, na inveja, nas dificuldades da vida ou nas circunstâncias externas.

Mas, com sinceridade, quantas vezes o maior bloqueio não fomos nós mesmos?

Quantas oportunidades perdemos por procrastinação? Quantos caminhos fechamos por medo? Quantas relações destruímos por orgulho? Quantos projetos abandonamos por falta de constância?

É confortável acreditar que a guerra está fora.

Porque quando o inimigo está fora, eu não preciso mudar por dentro.

Ogum representa ordem, direção, retidão e movimento. Não uma força agressiva e descontrolada, mas a firmeza necessária para colocar a vida no eixo.

Ogum é a energia que pergunta:

Até quando você vai continuar se sabotando?
Por quanto tempo ainda vai fingir que não sabe o que precisa ser feito?
E quando vai parar de pedir caminhos abertos enquanto insiste em andar em círculos?

Existe uma batalha diária entre o ser que queremos nos tornar e os hábitos que insistem em nos manter pequenos.

Essa guerra aparece quando sabemos que precisamos mudar, mas adiamos. Quando entendemos que precisamos estudar, crescer e nos preparar, mas nos dispersamos em distrações pequenas.

Quando percebemos que chegou a hora de nos posicionar, mas escolhemos o silêncio por medo. Quando sabemos que alguns ciclos terminaram, mas insistimos em nos apegar ao que já acabou. Quando a vida pede amadurecimento, mas seguimos tratando tudo com imaturidade.

Isso também é demanda.
E talvez seja a maior de todas.

Muitas vezes queremos a força de Ogum sem aceitar aquilo que ela exige.
Porque a vibração da ordem cobra postura.

Não basta pedir proteção e continuar no erro. Não basta pedir abertura de caminhos e permanecer parado. Não basta pedir vitória cultivando desorganização.

Toda força superior encontra limite quando a própria pessoa sabota a si mesma.

A espada de Ogum, em sentido profundo, corta ilusões. Corta desculpas antigas, vitimismo, autoengano e padrões que já venceram o prazo.

E isso dói.
Porque crescer quase nunca combina com conforto.

Talvez por isso tantas pessoas prefiram guerras externas.

Brigar com alguém é mais fácil do que disciplinar a própria mente. Reclamar da vida é mais fácil do que rever hábitos. Apontar culpados é mais fácil do que assumir responsabilidade.

Mas nenhuma dessas guerras traz evolução verdadeira.

A verdadeira força não está em dominar os outros.
Está em dominar a si mesmo.

Dominar impulsos destrutivos. Dominar a preguiça que paralisa. Dominar a raiva que contamina. Dominar o medo que diminui.

Isso é nobreza espiritual.

Ogum não ensina violência.
Ensina firmeza.

Não ensina intolerância.
Ensina coerência.

Não ensina ataque.
Ensina posicionamento.

Onde a verdadeira batalha acontece

Talvez hoje a sua guerra não seja contra ninguém.

Talvez seja levantar mesmo sem vontade. Cumprir o que prometeu. Ser honesto consigo. Parar de se esconder. Dar um passo real na direção da vida que deseja.

Essas batalhas parecem pequenas.
Mas são elas que transformam destinos.

Quando você vence a guerra interna, muita coisa externa perde força.
Porque o caos encontra menos espaço onde existe ordem.

Quando vencemos a guerra interna, muita coisa externa perde força.

Então talvez a pergunta de hoje seja simples:

Contra quem você está lutando…
ou do que dentro de você ainda está fugindo?

Leia também:

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Ogum Não Abre Caminhos Para Quem Não Anda https://umbandaempalavras.com/ogum-abre-caminhos/ https://umbandaempalavras.com/ogum-abre-caminhos/#respond Fri, 24 Apr 2026 15:41:55 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=277 Muita gente procura Ogum quando sente a vida travada. Quando tudo parece pesado, quando oportunidades não aparecem, quando os caminhos parecem fechados, logo surge o pedido: “Pai Ogum, abra meus caminhos.” O pedido é legítimo. A fé também. Mas talvez exista uma pergunta anterior que poucos fazem:Como abrir caminhos para quem escolheu permanecer parado? Mas […]

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Muita gente procura Ogum quando sente a vida travada.

Quando tudo parece pesado, quando oportunidades não aparecem, quando os caminhos parecem fechados, logo surge o pedido: “Pai Ogum, abra meus caminhos.”

O pedido é legítimo. A fé também.

Mas talvez exista uma pergunta anterior que poucos fazem:
Como abrir caminhos para quem escolheu permanecer parado?

Mas que caminhos são esses que pedimos? 

O caminho que Ogum  abre está diretamente relacionado ao caminho moral que devemos trilhar!
Porque se as situações que eu vivencio são consequências das escolhas que eu faço, então concluímos que as minhas escolhas determinam a realidade que vivo.
Então eu preciso viver com a força de Ogum em minha vida para que ele “facilite” o meu aprendizado e eu aprenda a fazer boas escolhas, de acordo com a realidade que eu quero viver.

Já sabemos que o Universo funciona por sintonia, seguindo as Leis regidas por Ogum: Lei da Ação e Reação, Lei do Retorno, Lei da correspondência, Lei da afinidade, e inúmeras Leis que regem a Criação.

Então, se eu me sintonizo com o positivo, atraio o positivo.
Se eu emano amor, recebo amor, se emano disciplina, recebo energias ordenadas e se emano coragem e coerência, sintonizo com infinitas oportunidades de crescimento (material, profissional, emocional …….)

Se estou imantado com a energia divina de Ogum, se não nado contra maré: Ele ilumina, fortalece e abre os caminhos que precisam ser percorridos.

Ele é como o ar que alimenta o fogo da vida.

A abertura ou fechamento de caminhos está diretamente ligada à conduta diante das Leis.

Cada um é responsável pela própria evolução. São as minhas escolhas que determinam as oportunidades que gero como consequência.

Entendemos aqui o que muitas pessoas têm dificuldade para entender: 

Não basta pedir uma vida melhor
Não basta pedir para abrir caminhos.

Quais caminhos eu sou capaz de trilhar? De sustentar? 

Se não fizermos nossa parte, nossa vida não muda, porque quem dá o passo somos nós. A Umbanda, a Espiritualidade coloca à nossa disposição todas as ferramentas que precisamos para que a gente use. Mas temos que meter a mão na massa, não dá para terceirizar a responsabilidade.

Criou-se a ideia de que abrir caminhos significa receber facilidades, milagres rápidos ou soluções prontas. Como se a espiritualidade pudesse fazer por nós aquilo que a vida espera que façamos por nós mesmos. Existe a fantasia de que fazer magia ou firmeza seja suficiente para conseguir o que nós achamos que merecemos ou temos direito. Como uma moeda de troca, eu pago e a espiritualidade obedece.

Mas os caminhos não se abrem apenas do lado de fora. Muitas vezes, eles se abrem primeiro por dentro, quando a mente sai da confusão, quando abandonamos desculpas antigas, quando a coragem vence a procrastinação e quando alguém decide parar de adiar a própria vida.

Talvez o primeiro caminho fechado nunca tenha sido externo.

Talvez sempre tenha sido interno.

Quantas vezes pedimos prosperidade sem desenvolver disciplina?
Ou pedimos amor sem aprender a amar?
Quantas vezes pedimos direção vivendo em distração constante?
E Quantas vezes pedimos oportunidades sem estarmos preparados para sustentá-las?

Não parece castigo.
Parece coerência.

Ogum representa ordem, retidão, movimento e Lei.

Por isso sua vibração fortalece quem assume responsabilidade, quem organiza a própria vida, quem escolhe caminhar mesmo sem garantias.

A força de Ogum encontra espaço onde existe postura.

Não onde existe acomodação.

Há pessoas esperando portas abertas há anos, enquanto continuam alimentando os mesmos hábitos que as mantêm fechadas. Repetem padrões antigos, adiam decisões importantes, culpam terceiros e seguem esperando algum resgate externo.

Depois concluem que nada muda.

Mas como a vida mudaria, se a própria pessoa insiste em continuar igual?

Talvez pedir caminhos abertos seja menos importante do que fazer algumas perguntas:

Que caminho eu realmente quero trilhar?
Tenho coragem de sustentar a vida que peço?
Se a oportunidade chegasse hoje, eu estaria pronto?
Essas perguntas incomodam.
Mas também libertam.

Ogum não carrega ninguém no colo. Ele fortalece quem decide levantar. Não organiza uma vida que a própria pessoa insiste em bagunçar todos os dias, não sustenta mentira pessoal e não empurra quem fez da estagnação moradia. 

Às vezes, abrir caminhos significa fechar ciclos. Significa encerrar desculpas antigas, distrações constantes, dependências emocionais e velhas versões de si mesmo. Só depois disso alguns caminhos começam a aparecer. 

Existe uma porta que muita gente ignora: a porta da ação. E ela costuma estar destrancada há anos, mas exige coragem para ser atravessada.

Talvez o caminho que você espera de Ogum já esteja diante de você há muito tempo: na conversa que precisa ter, na decisão que precisa tomar, na disciplina que precisa criar ou no medo que precisa atravessar. 

Porque quando a pessoa se move de verdade, algo também se move ao redor dela.

E, quando postura encontra merecimento, a vida responde.

Trazendo a Lei do Livre-arbítrio, podemos escolher quem queremos ser, e nos direcionar para onde queremos chegar. 

A ideia não é  “para Ogum vai me levar”.
É “onde eu consigo chegar se eu estiver sintonizado com Ogum?”

Então talvez a pergunta de hoje não seja:
“Ogum vai abrir meus caminhos?”

Talvez seja:
Por que continuo pedindo estrada…
se ainda me recuso a dar o primeiro passo?

Leia também:

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De Volta Pra Mim – Uma série sobre identidade, lealdade e o reencontro com a própria alma https://umbandaempalavras.com/de-volta-pra-mim-uma-serie-sobre-identidade-lealdade-e-o-reencontro-com-a-propria-alma/ https://umbandaempalavras.com/de-volta-pra-mim-uma-serie-sobre-identidade-lealdade-e-o-reencontro-com-a-propria-alma/#respond Wed, 25 Jun 2025 15:13:24 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=230 Durante muito tempo, eu achei que meu problema era “baixa autoestima”. Me diziam que eu precisava me amar mais, me valorizar, repetir frases no espelho.Mas quanto mais eu tentava, mais distante me sentia.Não era que eu não queria me amar…É que eu não sabia exatamente quem eu era. Foi aí que percebi: Talvez o buraco […]

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Durante muito tempo, eu achei que meu problema era “baixa autoestima”.

Me diziam que eu precisava me amar mais, me valorizar, repetir frases no espelho.
Mas quanto mais eu tentava, mais distante me sentia.
Não era que eu não queria me amar…
É que eu não sabia exatamente quem eu era.

Foi aí que percebi:

Talvez o buraco seja mais fundo.
Talvez o que falte não seja amor-próprio,
mas lealdade a mim mesma.

Essa série nasceu dessa descoberta.
Com base em um estudo profundo, interno e externo, surgiram reflexões transcritas nesses textos.
De um mergulho fundo, honesto, sem maquiagem.
De uma jornada de volta pra casa — pra dentro.

“De Volta Pra Mim” é uma coletânea de textos íntimos, lúcidos e espirituais.
Não é autoajuda.
É autoescuta.

É o que eu gostaria de ter lido quando me senti perdida.
É o que eu escrevo agora, enquanto ainda estou voltando.

O que você vai encontrar aqui:

  • Reflexões sobre identidade, dor de não pertencer e autoabandono.
  • A reconexão com o corpo, com a alma e com a própria frequência.
  • Práticas simples para reconstruir a integridade interna.
  • Textos que tocam, não para motivar — mas para acordar.

A Série Completa

  1. Será que é baixa autoestima… ou uma tentativa fracassada de amar quem eu não sou?
  2. A construção do personagem e o abandono silencioso da alma
  3. O corpo que não mente: como o sistema nervoso denuncia a farsa
  4. A paz como bússola: como a integridade interna regenera a autoestima
  5. A dor de não pertencer e o retorno à tribo interior
  6. Reprogramar-se é lembrar: práticas para voltar à sua frequência
  7. Não se trata de amor-próprio. Se trata de lealdade

Se uma dessas palavras tocar algo em você, não fuja.
Talvez seja sua alma pedindo atenção.
Talvez você também esteja pronta para voltar.

E que esse seja o começo.
Não de um novo personagem,  mas do seu retorno.

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Falange de São Francisco de Assis na Umbanda: Amor que Cura, Fé que Liberta https://umbandaempalavras.com/falange-de-sao-francisco-de-assis-na-umbanda-amor-que-cura-fe-que-liberta/ https://umbandaempalavras.com/falange-de-sao-francisco-de-assis-na-umbanda-amor-que-cura-fe-que-liberta/#comments Tue, 24 Jun 2025 15:10:18 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=227 Há presenças que não precisam de som para serem percebidas. Quando uma falange como a de São Francisco de Assis é sentida no terreiro, a atmosfera muda.O silêncio se adensa, o ar fica diferente, e algo em nosso intimo se aquieta. Há força no invisível, há cura na simplicidade e há sabedoria na quietude. As […]

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Há presenças que não precisam de som para serem percebidas. Quando uma falange como a de São Francisco de Assis é sentida no terreiro, a atmosfera muda.
O silêncio se adensa, o ar fica diferente, e algo em nosso intimo se aquieta.

Há força no invisível, há cura na simplicidade e há sabedoria na quietude.

As Vozes da Gira nem sempre falam com palavras.
Às vezes, elas tocam com vibração, com presença, com o exemplo daqueles que vivem a espiritualidade como escolha diária, não como discurso.

A Falange de São Francisco é uma dessas presenças.
Não chega para impressionar.
Chega para lembrar.
Lembrar quem somos, de onde viemos e para que servimos.

Caminho da Fé, Cura e Serviço Consciente

Na Umbanda, a Falange de São Francisco de Assis atua sob a regência de Oxalá, manifestando-se pela Linha dos Semirombas — espíritos que transcenderam e escolheram servir à humanidade por amor.

Esses espíritos elevados se apresentam muitas vezes como monges, freiras, frades ou padres, não por apego religioso, mas por vibração.
Representam o arquétipo da renúncia ao ego, da fé viva e da caridade verdadeira e silenciosa.
Não a caridade como sacrifício, mas a caridade sem vaidade, como ato consciente de entrega à Luz.

O Que São Semirombas?

Na hierarquia espiritual da Umbanda, Semirombas são espíritos de alta elevação que atuam diretamente no campo da Fé, da transcendência e da cura sutil, com a reorganização do nosso campo vibracional.
Já libertos das paixões humanas e do apego material, são consciências dedicadas à sustentação energética de trabalhos espirituais profundos, especialmente em casos de:

  • Dissolver de obsessões crônicas, aquelas silenciosas e persistentes;
  • Tratar enfermidades energéticas ligadas à perda de fé, à desesperança e ao vazio existencial;
  • Harmonizar campos ou ambientes espiritualmente contaminados por padrões mentais de autoabandono e autopunição.

Não atuam com estardalhaço ou manifestações fortes, não utilizam palavras fortes ou gestos bruscos. Sua força está na intenção pura, na oração com propósito e na presença silenciosa que transforma.
Sua cura é como o orvalho da manhã: suave, mas inevitável.

Ações no Terreiro

A atuação dessa falange é sutil e poderosa. Sua presença é marcada por um magnetismo firme e sereno.  
Trabalham com ervas de frequência doce e morna, como:

  • Alfazema, que limpa e eleva;
  • Camomila, que acalma e harmoniza;
  • Barba-de-velho, que dissolve miasmas sutis;
  • Folhas de café, que fortalecem o campo vibracional;
  • Flores do campo, que resgatam a alegria essencial.

Mais que ferramentas físicas, essas ervas não atuam apenas no corpo etérico: tocam o emocional, despertam memórias espirituais e realinham a alma com seu propósito.

Princípios Doutrinários da Falange

A presença de São Francisco ensina princípios fundamentais para quem busca viver a espiritualidade com coerência:

  1. Servir sem esperar retorno – O serviço verdadeiro nasce da consciência, não da carência.
  2. Curar com coerência vibracional – A oração é tecnologia espiritual de altíssimo poder, mas esse poder só é ativado quando há alinhamento entre o que se diz, o que se sente e o que se vive.
  3. Autoconhecimento como porta de saída da dor – São Francisco e seus falangeiros não prometem milagres, mas sustentam o campo vibracional necessário para que o consulente escolha sair da ilusão. A cura não é imposta — é conquistada.
  4. Renunciar ao ego e não à vida – O caminho não é o sacrifício, mas a oferta amorosa de si mesmo ao bem comum.
  5. Cuidar com leveza – A força não está em dominar, mas em sustentar.
  6. Viver com simplicidade espiritual – O essencial não grita. A fé não precisa de discurso, mas de ação silenciosa e constante.

O Retorno da Falange

Por muito tempo, a presença de São Francisco de Assis e seus servidores espirituais foi esquecida, ou silenciada, nos terreiros mais voltados ao combate e à força.
Porém, os tempos mudaram. E a espiritualidade responde com precisão ao que a humanidade precisa.

Hoje, em meio ao excesso de vozes, de ruídos e de egos espiritualizados, a vibração franciscana ressurge como um balsamo para os que buscam essência.

Eles não vem ensinar com palavras, mas com presença.
Não se impõem – irradiam.
O amor verdadeiro é aquele que não domina, apenas ilumina.

A Falange de São Francisco de Assis nos convida a uma nova ética espiritual: uma fé que não precisa gritar para ser ouvida.
Servir sem esperar, curar sem aparecer, ser sem precisar convencer.

Seu chamado é para um tipo de espiritualidade que começa dentro de nós, na forma como olhamos, falamos, sentimos e agimos.

Esse  é o ensinamento dos Semirombas:
a alma só se cura quando reconhece sua própria luz e decide viver por ela.

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Oxum: o Amor que Transforma e Ensina a Fluir https://umbandaempalavras.com/oxum-o-amor-que-transforma-e-ensina-a-fluir/ https://umbandaempalavras.com/oxum-o-amor-que-transforma-e-ensina-a-fluir/#respond Wed, 18 Jun 2025 16:47:19 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=212 Entre os mistérios da vida, existe um poder que tudo transforma: o Amor. Ele tem a força de curar feridas, nutrir almas e revelar belezas escondidas. Esse amor é o sopro divino de Oxum, o Orixá das águas doces, que nos convida a mergulhar em nossas profundezas emocionais e redescobrir a riqueza que carregamos dentro […]

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Entre os mistérios da vida, existe um poder que tudo transforma: o Amor. Ele tem a força de curar feridas, nutrir almas e revelar belezas escondidas. Esse amor é o sopro divino de Oxum, o Orixá das águas doces, que nos convida a mergulhar em nossas profundezas emocionais e redescobrir a riqueza que carregamos dentro de nós.

Oxum não é apenas guardiã dos rios e cachoeiras. Ela é a personificação da delicadeza e da força — o equilíbrio perfeito entre acolhimento e transformação. Sua energia se faz presente quando precisamos de amor, autovalorização e coragem para superar dores antigas. Oxum é como uma joia preciosa: reflete a luz divina e, ao mesmo tempo, nos lembra da beleza que carregamos. Nos convida a olhar para dentro e perguntar com sinceridade: “Tenho cuidado de mim com amor? Reconheço o meu valor?”

O amor que Oxum nos ensina não é romântico ou idealizado — é força que sustenta, zela e transforma. É o amor-próprio que nos ensina a cuidar das emoções com o mesmo carinho com que ela cuida de suas águas. Com Oxum, aprendemos que para amar o outro, é preciso antes nutrir a própria alma. Que para cuidar do mundo, é preciso primeiro olhar com gentileza para dentro de si.

As águas de Oxum nunca param. Elas contornam, atravessam, limpam e seguem. Essa fluidez é uma de suas maiores lições. A vida é feita de ciclos, e a renovação é tão sagrada quanto a estabilidade. Não há cura sem movimento. Não há liberdade sem transformação. Oxum nos ensina a respeitar o tempo, a confiar no fluxo e a soltar o que já não vibra com a gente.

Quando nos conectamos com Oxum, nos aproximamos da nossa sensibilidade mais profunda. Ela guarda os sentimentos, acolhe as dores e sustenta o processo de autoconhecimento. Nas giras, nos pontos, nas palavras dos guias — Oxum se manifesta trazendo serenidade, clareza e cura. Ela é um espelho: reflete quem somos e também o que ainda podemos nos tornar.

Que tal se perguntar: “Tenho deixado minhas emoções fluírem ou estou represando o que deveria soltar?” Oxum lembra que a vida é movimento. E que resistir às mudanças é impedir o rio de seguir seu curso. Talvez hoje você traga Oxum para perto com um gesto simples de cuidado, um banho de ervas, uma prece ou um abraço em quem ama. Talvez só respirando fundo e escolhendo se acolher um pouco mais.

Seja como for, permita-se ser tocado por esse amor que acolhe e ensina.

Ora Yê Yê Ô!

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Deus na Umbanda https://umbandaempalavras.com/deus-na-umbanda/ https://umbandaempalavras.com/deus-na-umbanda/#respond Wed, 18 Jun 2025 12:02:42 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=190 Na Umbanda, Deus tem nome e presença: Olorum. Não é apenas uma ideia distante, mas a Consciência Viva que pulsa em tudo. Olorum não se encaixa em definições. Ele se sente. Ele vibra. Ele se revela nas entrelinhas da existência. Não precisamos decorar quem é Deus. Precisamos encontrá-lo. Muita gente cresce ouvindo que “Deus é […]

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Na Umbanda, Deus tem nome e presença: Olorum. Não é apenas uma ideia distante, mas a Consciência Viva que pulsa em tudo. Olorum não se encaixa em definições. Ele se sente. Ele vibra. Ele se revela nas entrelinhas da existência. Não precisamos decorar quem é Deus. Precisamos encontrá-lo.

Muita gente cresce ouvindo que “Deus é amor”, “Deus castiga”, “Deus tudo vê”. São frases prontas, passadas como herança, ditas com devoção — mas, muitas vezes, sem reflexão. Quantas dessas palavras realmente fazem sentido para você? Quantas nasceram da sua própria história, do que você sentiu quando tudo desabou, ou quando algo inexplicável te amparou no silêncio de uma oração?
A espiritualidade que a Umbanda desperta não é feita de certezas decoradas. Ela convida ao mergulho. Ao sentir. Ao confronto honesto com o que pulsa dentro de você. O que é Deus, para você, quando está feliz? E quando está com raiva, medo, vazio?
Aprendemos, sim, com livros, com guias, com mestres — mas é só na travessia da vida que esse Deus deixa de ser ideia e vira presença. O saber do outro pode ser lanterna, mas o chão que você pisa ainda é seu.

Você já se perguntou: O que é Deus para mim? Onde eu sinto Deus no meu dia? Eu acredito ou apenas repito?

Deus, para nós, não é um trono no céu. É a vibração que organiza os átomos, que sustenta o caos com ordem, que mantém o coração batendo em silêncio. É o fluxo. A Força. A Fonte. Se tudo é energia, então Deus é esse tudo. Cada pensamento, emoção, gesto — tudo vibra. E cada vibração é um elo entre você e o Divino.

Não há separação. Você não está longe de Deus. Talvez esteja apenas distraído.

Quando respira com presença, Ele está ali.
Quando agradece por algo simples, Ele está ali.
Quando escolhe respeitar ao invés de reagir, Ele está ali.

Estar em sintonia com Deus não é viver sem dor. É atravessar o caos com leveza. É manter a alma firme mesmo quando o corpo vacila. É agir com mais Amor do que ego, com mais verdade do que aparência.

Amor. Palavra tão dita, tão esperada, tão ferida.
Talvez nenhum sentimento tenha sido tão confundido quanto o Amor.
Confundido com carência, com posse, com permissão para ser aceito.
Mas a Umbanda nos convida a lembrar: Amor é outra coisa.
Amor não é aquilo que te implora por atenção.
Não é o que te cobra por reciprocidade.
Amor é o que acolhe sem tentar consertar.
É o que permanece, mesmo quando há silêncio.
É o que escuta, sem precisar entender.
É vibração que reconhece a essência do outro, mesmo quando a aparência falha.
É quando você para de exigir que o mundo te ame, e começa a amar o mundo como ele é — e a si mesmo, como você é.
Deus é Amor porque Deus é isso: aceitação, consciência, presença. E, quando você começa a viver esse Amor com autenticidade, sem performance, você se aproxima d’Ele — sem precisar sair de você.

Você se ama com lealdade?
Você é gentil com suas falhas?
Você ama o outro ou apenas espera ser amado?

Amar é um ato espiritual. É uma escolha que se renova em cada silêncio, em cada resposta, em cada intenção. Quando você ama, você se alinha. Quando você se alinha, você vibra. E quando você vibra no Amor, você se aproxima de Deus.

Sua vida tem som. Tem nota. Tem melodia. Você está afinado?

Quando reclama ao acordar, desafina.
Quando perdoa, expande.
Quando julga, contrai.
Quando cuida, harmoniza.

A espiritualidade que a Umbanda ensina não é enfeite. É base. É chão. É prática. É escolha.

Sintonia com Deus é nadar a favor da Criação. Não é se isolar do mundo, mas encará-lo com olhos mais compassivos. É saber que sua frequência molda sua realidade. Que cada pensamento cultivado, cada palavra dita, cada atitude repetida — tudo isso constrói o seu campo vibracional.

E quando você muda a vibração, a vida responde.

Umbanda é esse convite sutil e firme: observe, sinta, escolha.

Você não está à mercê do mundo. Você é parte ativa da criação.

E quando você escolhe o Amor como caminho, você escolhe Deus.

E quando escolhe Deus com verdade, você escolhe a si mesmo.

Amar é a prática mais alta da espiritualidade. E quando você vive o Amor como hábito — mesmo errando, mesmo recomeçando —, o Divino se instala.

Não precisa ritual, nem formalidade.
Precisa presença.
E coragem de sentir.

Porque Deus nunca esteve longe.
Era você que estava ocupado demais para escutar.

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Umbanda: uma filosofia de vida https://umbandaempalavras.com/umbanda-uma-filosofia-de-vida/ https://umbandaempalavras.com/umbanda-uma-filosofia-de-vida/#respond Wed, 18 Jun 2025 00:29:43 +0000 https://umbandaempalavras.com/?p=161 A Umbanda, para mim, sempre foi mais do que uma religião praticada em determinados dias da semana. Com o tempo, fui percebendo que aquilo que eu escutava dentro do terreiro começava a aparecer em outros lugares. Numa conversa difícil, numa escolha que eu precisava fazer, na forma como eu reagia quando alguma coisa saía do […]

O post Umbanda: uma filosofia de vida apareceu primeiro em Umbanda em Palavras.

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A Umbanda, para mim, sempre foi mais do que uma religião praticada em determinados dias da semana.

Com o tempo, fui percebendo que aquilo que eu escutava dentro do terreiro começava a aparecer em outros lugares. Numa conversa difícil, numa escolha que eu precisava fazer, na forma como eu reagia quando alguma coisa saía do controle ou quando era muito mais fácil responsabilizar o outro do que olhar para mim mesma.

Talvez tenha sido aí que comecei a entender a Umbanda também como uma filosofia de vida.

Não no sentido de transformar tudo em regra ou de sair procurando uma explicação espiritual para cada coisa que acontece. Penso mais naquilo que acontece quando uma experiência espiritual realmente encontra espaço dentro de nós e começa, aos poucos, a modificar a maneira como vivemos.

Mas o que fazemos com tudo aquilo que ouvimos no terreiro?

Essa pergunta me acompanha há bastante tempo.

Às vezes penso na Umbanda como uma espécie de manual para essa experiência que estamos vivendo aqui. Não um manual com respostas prontas, dizendo exatamente o que fazer em cada situação, mas um conjunto enorme de referências para entender melhor a vida, as relações e, principalmente, a nós mesmos.

Quando começamos a conhecer os Orixás, as linhas de trabalho e os diferentes arquétipos que aparecem através dos Guias, percebemos que cada um parece iluminar uma parte dessa experiência. Um Preto-Velho me faz olhar para determinadas questões de um jeito. Um Caboclo pode me colocar diante da mesma situação por outro ângulo. Exu evidencia coisas que talvez eu preferisse não enxergar. Uma Pombagira pode tocar justamente naquele ponto em que minha relação comigo mesma, com o desejo, com os limites ou com a liberdade ainda está confusa.

E isso não acontece porque um sabe uma coisa e o outro sabe outra, como professores de matérias separadas. Eu vejo mais como diferentes portas de entrada para um conhecimento muito maior sobre a vida. Cada linha tem sua forma de ensinar, seus símbolos, sua linguagem, seu campo de atuação e uma maneira particular de chamar nossa atenção para determinados aspectos da existência.

Talvez por isso eu tenha começado a olhar para os Guias também como professores.

O Guia que me acompanha, assim como aquele que encontro numa consulta, não está ali apenas para resolver um problema que eu levei até ele. Muitas vezes, aquele problema é só o ponto de partida da conversa. Por trás da resposta existe um ensinamento que pode levar muito mais tempo para ser compreendido.

E eles ensinam aos poucos. Em doses quase homeopáticas, eu diria. À medida que uma coisa começa a fazer sentido, outra aparece. À medida que consigo enxergar um pouco mais, também consigo receber um pouco mais.

Mas existe uma condição importante nisso tudo: eu preciso me colocar no lugar de aprendiz.

Porque posso passar anos diante de um professor perguntando apenas quando minha vida vai melhorar, quem está me atrapalhando ou o que ele pode fazer por mim. Posso também começar a perguntar o que aquela situação está tentando me ensinar, o que ainda não estou percebendo e qual é a minha parte naquilo.

Talvez o professor seja o mesmo. O que muda é a forma como eu me apresento diante dele.

E é por isso que volta aquela pergunta: o que fazemos com tudo aquilo que ouvimos no terreiro?

Podemos ouvir uma entidade falar sobre paciência e continuar reagindo da mesma forma diante de qualquer contrariedade. Podemos pedir orientação sobre um relacionamento e, depois, repetir exatamente os comportamentos que nos trouxeram sofrimento. Podemos pedir abertura de caminhos sem perceber quantas vezes insistimos em escolhas que fecham esses mesmos caminhos.

Então existe uma diferença importante entre receber uma orientação e conseguir trazê-la para a própria vida.

E isso não acontece de uma hora para outra.

Muita gente chega à Umbanda procurando ajuda. Às vezes é alívio para uma situação difícil, proteção, uma orientação, alguma resposta ou simplesmente um pouco de sentido para aquilo que está vivendo.

Não vejo problema nenhum nisso. Muitas vezes é justamente uma dor que nos faz procurar a espiritualidade.

A questão, para mim, começa depois.

O que fazemos com aquilo que recebemos?

Uma entidade pode nos ajudar a enxergar uma situação por outro ângulo, perceber algo que não estávamos conseguindo ver, sustentar espiritualmente um momento difícil, aconselhar ou até nos chamar a atenção para alguma coisa.

Mas, depois desse encontro, continuamos com uma vida para viver.

As escolhas continuam sendo nossas, assim como uma parte das consequências que vêm delas. Talvez uma das coisas mais importantes que a Umbanda tenha me ensinado seja justamente essa tentativa de fazer espiritualidade e responsabilidade caminharem juntas.

Por muito tempo, comecei a levar algumas questões da vida para dentro da minha relação com os Guias de uma forma muito simples.

Diante de alguma situação, eu pensava: “O que a Vovó me aconselharia agora?”

Ou imaginava o que a Cabocla me diria se estivesse ali comigo. E, dependendo da situação, vinha outra pergunta bem menos delicada: “Com que cara a Pombagira deve estar me olhando neste momento?”

Pode parecer uma brincadeira, mas isso foi se tornando um exercício interessante para mim.

Não porque eu imaginasse uma entidade fiscalizando cada decisão minha, nem porque surgissem respostas prontas na minha cabeça. Era uma maneira de tentar sair, por alguns instantes, do lugar automático de onde eu estava enxergando o problema.

Quando estamos muito envolvidos numa situação, é fácil enxergar tudo a partir da nossa própria mágoa, do medo, das expectativas ou simplesmente daquilo que gostaríamos que acontecesse.

Ao imaginar o que uma dessas entidades poderia me dizer, às vezes eu conseguia mudar um pouco o ponto de vista. E, curiosamente, as perguntas que surgiam depois eram muito humanas.

Por que estou reagindo dessa maneira? O que eu realmente quero nesta situação? Estou tentando resolver alguma coisa ou apenas provar que estou certa? Existe algo aqui que depende de mim?

Esse tipo de pergunta não torna ninguém mais evoluído e muito menos impede que a gente erre.

Eu continuo errando.

Mas autoconhecimento tem alguma coisa a ver com isso: conseguir perceber um pouco melhor o que acontece dentro de nós antes, durante e depois das nossas escolhas.

Foi também na Umbanda que comecei a entender que olhar para nós mesmos não deveria significar passar a vida procurando defeitos.

Às vezes, o desenvolvimento espiritual acaba virando uma espécie de fiscalização permanente da própria personalidade. A pessoa começa a achar que não deveria sentir raiva, tristeza, medo ou ciúme; que qualquer emoção desconfortável revela algum tipo de fracasso espiritual. E, quando isso acontece, autoconhecimento facilmente se transforma em culpa.

Não acho que seja esse o caminho.

Nós carregamos uma história inteira conosco. Temos medos, contradições, hábitos, formas aprendidas de reagir e questões que nem sempre conseguimos perceber com facilidade. Algumas coisas ficam evidentes rapidamente. Outras levam muito tempo para aparecer. E perceber um padrão também não significa conseguir modificá-lo no mesmo instante.

Afinal, quantas vezes sabemos exatamente o que estamos fazendo e, mesmo assim, repetimos?

É por isso que tenho cada vez mais cuidado quando a ideia de responsabilidade começa a se misturar com culpa.

Para mim, assumir responsabilidade é conseguir olhar honestamente para aquilo que está ao nosso alcance.

Nem tudo que acontece na nossa vida foi escolhido por nós e nem tudo depende da nossa vontade. Existem circunstâncias, outras pessoas, limites e acontecimentos que simplesmente nos atravessam. Ainda assim, dentro de muitas situações existe alguma parte sobre a qual podemos agir.

Aprender a reconhecer essa parte, sem achar que controlamos tudo e sem entregar ao outro ou à espiritualidade aquilo que nos cabe, talvez seja uma forma de amadurecimento.

Essa mesma reflexão também mudou a forma como eu passei a olhar para a mediunidade.

Nunca consegui entendê-la apenas como incorporação. A incorporação é uma de suas expressões e tem uma importância enorme dentro do trabalho umbandista, mas a experiência mediúnica me parece participar de algo mais amplo. Ela envolve percepção, sensibilidade, discernimento e a forma como nos relacionamos com aquilo que sentimos, percebemos e interpretamos.

E, inevitavelmente, tudo isso encontra quem nós somos.

Nossos medos, expectativas, crenças e necessidades entram nessa experiência. Entra também a vontade de acertar, de pertencer, de ser reconhecido e até, em alguns momentos, o desejo de corresponder à imagem que fazemos de um “bom médium”.

Por isso, para mim, desenvolvimento mediúnico e desenvolvimento humano nunca estiveram realmente separados.

Podemos aprender procedimentos dentro de uma gira, conhecer fundamentos, estudar Orixás, Guias, linhas de trabalho, firmezas, rituais e tantos outros elementos que fazem parte da riqueza religiosa da Umbanda. Tudo isso importa.

Só que, ao mesmo tempo, existe outra aprendizagem acontecendo.

Quem é a pessoa que entra naquele terreiro?

Como ela reage quando é contrariada? Como lida com autoridade, frustração ou necessidade de aprovação? Ela consegue dizer que não sabe? Consegue ouvir uma orientação sem transformá-la automaticamente numa ordem absoluta? Consegue distinguir aquilo que percebe da interpretação que faz sobre o que percebe?

Essas questões também atravessam o desenvolvimento espiritual.

Talvez por isso eu tenha tanta dificuldade em separar completamente “vida espiritual” e “vida comum”.

Nós mudamos de roupa para entrar no terreiro, respeitamos rituais, fundamentos e a organização própria daquele espaço. Mas continuamos sendo a mesma pessoa quando voltamos para casa, para o trabalho, para a família ou para o trânsito.

E é justamente nesses lugares que muita coisa aparece.

Como tratamos alguém quando estamos irritados? O que fazemos quando ninguém está olhando? Como reagimos ao perceber que erramos? O que acontece quando uma orientação não confirma aquilo que queríamos ouvir?

É nesse sentido que, para mim, viver a Umbanda como filosofia de vida começa a fazer sentido.

Isso não diminui Orixás, Guias, rituais, fundamentos ou o trabalho espiritual. Na verdade, penso que torna essa relação ainda mais séria, porque nos obriga a perguntar o que estamos fazendo com tudo aquilo que recebemos.

Se reconheço sabedoria em uma entidade, preciso em algum momento observar o que faço com aquilo que ela me ensina. Se peço orientação, também preciso estar disposta a ouvir uma resposta que talvez não combine com a minha expectativa. Se falo sobre caridade, talvez seja interessante observar como trato as pessoas fora de um ambiente religioso. E, se falo tanto em humildade, provavelmente vale perceber o que acontece comigo quando sou contrariada.

Nada disso acontece de maneira perfeita.

E talvez nem precise acontecer.

Tenho certa desconfiança de uma espiritualidade que produz pessoas cheias de certezas sobre si mesmas, sobre os outros e, principalmente, sobre o mundo espiritual.

Quanto mais caminho dentro da Umbanda, mais percebo o tamanho daquilo que não sei. Ao mesmo tempo, algumas coisas passaram a fazer mais sentido.

Uma delas é a relação com os Guias.

Eu não acredito que estejam aqui para viver nossa vida. Uma orientação pode nos ajudar muito sem precisar decidir por nós. O amparo espiritual existe, assim como o trabalho, a proteção, a troca e a sustentação, mas isso não significa que toda dificuldade será retirada do caminho ou que cada escolha precise ser entregue à espiritualidade.

Existe uma relação profunda aí, mas continuamos sendo responsáveis pela parte da vida que nos cabe viver.

Talvez seja isso que hoje eu queira dizer quando falo que a Umbanda se tornou uma filosofia de vida para mim.

Não porque tenha me dado respostas para tudo. Pelo contrário. Em muitos momentos, ela mudou as perguntas.

E talvez a principal delas seja esta: o que tudo aquilo que aprendemos, sentimos e vivemos dentro do terreiro está fazendo com a pessoa que somos quando saímos de lá?

Porque existe uma diferença entre conhecer a Umbanda e permitir que aquilo que ela nos ensina participe realmente da forma como pensamos, escolhemos, convivemos, erramos e amadurecemos.

Eu ainda estou aprendendo a diminuir essa distância.

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